<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115</id><updated>2012-03-09T14:10:33.180-08:00</updated><category term='ue'/><title type='text'>Cefas Carvalho</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>116</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-7271215973337525986</id><published>2012-03-08T09:57:00.002-08:00</published><updated>2012-03-09T14:10:33.186-08:00</updated><title type='text'>Distância</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-vdrt_vkitJc/T1jy2P0y3TI/AAAAAAAADAs/b3-pDhnmNNs/s1600/matisse-odalisque.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="262" width="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-vdrt_vkitJc/T1jy2P0y3TI/AAAAAAAADAs/b3-pDhnmNNs/s320/matisse-odalisque.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras demais...&lt;br /&gt;Versos, cantos...&lt;br /&gt;Tantos encantos verbais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;E você - aqui - de menos...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Textos demais...&lt;br /&gt;Subtextos, pretextos...&lt;br /&gt;Algumas frases banais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Seu olhar - aqui - de menos...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distância demais...&lt;br /&gt;Possibilidades, veleidades...&lt;br /&gt;Talvez devaneios carnais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Seu corpo - aqui - de menos...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bela demais...&lt;br /&gt;Florbela, em uma janela...&lt;br /&gt;da minha imaginação, nada mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Seu sorriso - aqui - de menos...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-7271215973337525986?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/7271215973337525986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=7271215973337525986' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7271215973337525986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7271215973337525986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2012/03/distancia.html' title='Distância'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-vdrt_vkitJc/T1jy2P0y3TI/AAAAAAAADAs/b3-pDhnmNNs/s72-c/matisse-odalisque.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-6303868966154453176</id><published>2012-02-13T17:05:00.002-08:00</published><updated>2012-03-08T10:03:19.101-08:00</updated><title type='text'>Um banquinho, um violão e uma letra errada</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Q4RL55dejVk/TzmygwxKLMI/AAAAAAAAC88/dgXWqN1lCn0/s1600/musicos%2Bde%2Bbarzinho.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="150" width="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-Q4RL55dejVk/TzmygwxKLMI/AAAAAAAAC88/dgXWqN1lCn0/s200/musicos%2Bde%2Bbarzinho.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns amigos meus adoram música ao vivo em barzinhos. Mapeiam os lugares onde os músicos se apresentam e conhecem alguns deles pelo nome e o repetório. Outros amigos, fogem destes barzinhos e tem verdadeiro horror a música ao vivo e se vêem em um bar onde já estão alguém afinando um violão, pagam a conta às pressas e vão embora correndo. Sou da turma do meio termo. Não amo música ao vivo em barzinhos, mas também não fujo deles como o diabo da cruz.&lt;br /&gt;Na verdade, meu problema com cantores de barzinho é a chacina que alguns deles fazem com as letras das músicas. Sim, é besteira minha exigir que todos tenham as letras 100% decoradas, principalmente se os clientes – eu incluso – estão lá no bar para namorar, beber e papear, não para ouvir a música com atenção de maestro. Se um deles, por exemplo, errar o tom ou desafinar sutilmente jamais perceberei. Mas, dilacerar letras conhecidas é algo que me irrita, confesso.&lt;br /&gt;Após anos e anos de peregrinação a barzinhos com música ao vivo, sei de cor não apenas o inexorável repertório de 90% deles (“Canteiros”, “Sampa”, “Sozinho”, “Nem um dia”, aquela música chata que começa com &lt;i&gt;"Um dia frio... um bom lugar pra ler um livro..."&lt;/i&gt;) como os artistas cujas letras são mais trucidadas: Zeca Baleiro, Renato Russo, e aqueles que gostam de jogos de palavras como Djavan, Humberto Gessinger e Caetano Veloso.  &lt;br /&gt;Recordo, com alguma dor, de erros brutais que cantores de barzinhos cometerem nas letras. Lembro de um que, empolgado com a paixão de “Como eu quero”, do Kid Abelha, cantou: &lt;i&gt;“Jogos de guitarrra não vão me conquistar”&lt;/i&gt; (Seria mais fácil conquistar Paulinha Toller com solos de guitarra...). Outra vez, atacando com Legião Urbana, o cantor reformulou “Tempo perdido”: &lt;i&gt;“Fomos são jovens”&lt;/i&gt; (E Renato Russo, iludido, escreveu a música no presente: &lt;i&gt;“Somos tão jovens”&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;Em “Regra três”, de Toquinho, o autor disserta sobre os vacilos do protagonista da música e explica porque a amada vai embora: &lt;i&gt;“Porque o perdão também cansa de perdoar”.&lt;/i&gt; Mas, certa vez o cantor detonou: &lt;i&gt;“Porque o perdão não se cansa de perdoar”&lt;/i&gt;. Ou seja, para aquele cantor, a moça sequer foi embora de casa...&lt;br /&gt;Outra recordação de cantor de barzinho, esse mandando ver na sensual “Girassol”: &lt;i&gt;“Ai, teu jeito em meu lençol”&lt;/i&gt; (Ter uma mulher jeitosa no lençol da gente não é uma má idéia, mas Alceu Valença quer dizer &lt;i&gt;“Teu cheiro em meu lençol”&lt;/i&gt;.)&lt;br /&gt;Recentemente, desbravando bares em Parnamirim, eu e os amigos demos de cara com um cantor não com violão, mas com teclado com bateria eletrônica... Como o cidadão estava interpretando clássicos de Zé Ramalho, superamos o pavor inicial e ficamos. Contudo, na hora de “Kriptônia”, o artista aloprou: &lt;i&gt;“Não admiro que me fale assim”&lt;/i&gt;... Enquanto ainda respirávamos depois dessa, ele continuou: &lt;i&gt;“Sou primo gênio do seu avô, primeiro curandeiro”&lt;/i&gt;. O primeiro vacilo (trocar admito por admiro), a duras penas, passaria, mas cantar “primo gênio” em vez de primogênito é dose!...&lt;br /&gt;Mas nada se compara a algo que ouvi nos idos anos 90, em um barzinho ali na Ponta do Morcego. Uma bela morena cantava clássicos de Ednardo e Geraldo Azevedo, até que resolveu mandar “Mulher nova, bonita e carinhosa”, de Zé Ramalho, imortalizada por Amelinha, atraindo a atenção dos marmanjos pela belaza, suavidade e talento. Pelo menos até o momento em que, empolgada, cantou:&lt;i&gt; “Quem não ama o sorriso feminino, desconhece a poesia dos Cervantes”.&lt;/i&gt; Ou seja, transformou o escritor espanhol Miguel de Cervantes, criador do ilustre fidalgo Don Quixote de La Mancha, em um povo, uma tribo, saba-se lá, talvez em moradores de mais uma região espanhola, lá entre a Catalunha e Valencia. Depois deste estupro musical, fomos recuando de fininho rumo ao balcão do barzinho. E fizemos um brinde aos Cervantes, seja lá quem eles forem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-6303868966154453176?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/6303868966154453176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=6303868966154453176' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6303868966154453176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6303868966154453176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2012/02/um-banquinho-um-violao-e-uma-letra.html' title='Um banquinho, um violão e uma letra errada'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Q4RL55dejVk/TzmygwxKLMI/AAAAAAAAC88/dgXWqN1lCn0/s72-c/musicos%2Bde%2Bbarzinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8374403279669237410</id><published>2012-01-25T09:38:00.001-08:00</published><updated>2012-01-25T09:38:57.903-08:00</updated><title type='text'>Sou doador de órgãos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vgoQwf1xte8/TyA-CbcnD4I/AAAAAAAAC5Y/IYBPeRCki7g/s1600/Doa%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="297" src="http://3.bp.blogspot.com/-vgoQwf1xte8/TyA-CbcnD4I/AAAAAAAAC5Y/IYBPeRCki7g/s320/Doa%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou doador de orgãos. Tinha carteirinha de doador e tudo, perdida em ocasião que perdi a carteira e terminei por tirar 2ª via de RG, CPF, menos da carteira de doador. Mas, não importa (embora eu pretenda providenciar nova via). Meus filhos, minha mãe, minha namorada e meus amigos do peito sabem que na hipótese de eu vir a morrer - o que espero que não aconteça nos próximos 235 anos - em meio à alguma tristeza e inevitáveis lágrimas, uma alma sensata e de boa memória se lembre de dizer aos médicos que assinarem meu atestado de óbito que eu manifestava total vontade de doar meus órgãos e que fazia questão que assim fosse procedido. Não sou dado a arroubos de bom mocismo desnecessário e muito menos tenho alma de Madre Teresa de Calcutá (pelo contrário, me considero pragmático, chato e tenho o pavio curto), mas, me encanto com a idéia de que uma vez morto, posso salvar a vida de algumas pessoas ou, no mínimo melhorar a qualidade de vida delas. E doando partes do corpo que serviriam de comida para os vermes da terra! Ou seja, além de beneficiar seres humanos, ainda posso minimizar os prazeres gastronômicos dos vermes que deglutem de igual maneira reis e mendigos, divas egocêntricas e senhorinhas. Não pretendo fazer apologia à doação de órgãos, mas, acho saudável pensar que, uma vez sem vida, meu corpo pode oferecer a outrem nada menos que coração, rins, pâncreas, cóneas. Leio que o Brasil tem uma fila imensa de pacientes esperando transplantes e que o número de doadores é limitado, não obstante os milhões de católicos e evangélicos e de gente religiosa que predica o amor ao próximo&lt;br /&gt;Quem quiser saber um pouco mais sobre doação de órgãos, pode recorrer ao site &lt;b&gt;www.adote.org.br &lt;/b&gt;, que é referência no assunto.&lt;br /&gt;No site, um resumo sobre o tema: “A legislação brasileira sobre o processo doação transplante estabelece que somos todos doadores de órgãos desde que após a nossa morte um familiar (até segundo-grau de parentesco) autorize, por escrito, a retirada dos órgãos. Portanto, não basta querer ser um doador de órgãos. Sua família também precisa saber. São eles que vão autorizar os médicos a fazer o transplante da sua vida para outras vidas. Diga em casa, diga para seus amigos, diga para todo mundo que você quer ser um doador. Qualquer pessoa pode doar órgãos. Nenhuma religião é contra a doação.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8374403279669237410?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8374403279669237410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8374403279669237410' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8374403279669237410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8374403279669237410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2012/01/sou-doador-de-orgaos.html' title='Sou doador de órgãos'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-vgoQwf1xte8/TyA-CbcnD4I/AAAAAAAAC5Y/IYBPeRCki7g/s72-c/Doa%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-7771000206373725936</id><published>2012-01-09T07:14:00.002-08:00</published><updated>2012-03-08T10:05:38.056-08:00</updated><title type='text'>Cartografia</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-RxTB3sCvfdI/TwsELNxVuKI/AAAAAAAAC3A/YU9VjY9Isww/s1600/mapa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="190" width="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-RxTB3sCvfdI/TwsELNxVuKI/AAAAAAAAC3A/YU9VjY9Isww/s320/mapa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(Para Sandra...)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua pele, mapa cego onde me guio&lt;br /&gt;E onde me perco em perigosos atalhos&lt;br /&gt;Até me encontrar em um outro arrepio&lt;br /&gt;E me perder novamente em atos falhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No trajeto, entre o temor e o frio&lt;br /&gt;Operando o amoroso trabalho&lt;br /&gt;Do seu corpo faço o delta do meu rio&lt;br /&gt;Desaguando em um oceano de orvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua pele, teu corpo mapa-mundi&lt;br /&gt;Desbravado por mim - peregrino&lt;br /&gt;Com a coragem que o desejo infunde&lt;br /&gt;Fez do cartógrafo um mero menino&lt;br /&gt;Sonhando com um mar que afunde&lt;br /&gt;Em seu bojo, o próprio destino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-7771000206373725936?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/7771000206373725936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=7771000206373725936' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7771000206373725936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7771000206373725936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2012/01/cartografia.html' title='Cartografia'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-RxTB3sCvfdI/TwsELNxVuKI/AAAAAAAAC3A/YU9VjY9Isww/s72-c/mapa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-74689712000015466</id><published>2011-12-23T17:23:00.000-08:00</published><updated>2011-12-23T17:24:10.679-08:00</updated><title type='text'>O desespero diante da página em branco</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tjzQc9pvI-c/TvUo_8EMnEI/AAAAAAAAC1M/nBLu7fsGFYk/s1600/papel-e-caneta1.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="142" width="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-tjzQc9pvI-c/TvUo_8EMnEI/AAAAAAAAC1M/nBLu7fsGFYk/s200/papel-e-caneta1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei antes das oito, segui os mesmos velhos rituais – o banho, fazer a barba, suco de laranja, cortar as unhas – e me lancei em frente à tela do computador (também ele cheio de rituais; inicializar, lançar sons, abrir “janelas”, comunicar que o antivírus está instalado...) na tentativa de escrever o texto que me fora pedido.&lt;br /&gt;Na verdade, eu já o havia iniciado. Dispunha do primeiro parágrafo já pronto, o conceito já definido e os “ganchos” para unir começo e fim, como manda o manual de uma boa redáção, se é que existem regras para uma boa redação. Enfim, o texto era um feto já gerado, vivo, esperando apenas o mínimo necessário para crescer e vir ao mundo.&lt;br /&gt;Contudo, a mente não produzia o alimento deste feto e os dedos tamborilavam a fórmica da mesa do computador, esperando a convocação para transformarem idéias em letras, palavras, frases, mas, era inútil.&lt;br /&gt;Percebi que o branco da página do Word, no computador, é ainda mais solitária e assustadora que a papel de celulose. É um branco brilhoso, de onde irradia uma luz esquisita. Isso sem falar que, durante o “branco mental” é fácil recorrer à Internet, música, imagens, tudo que prejudica o oficio de escrever, enfim.&lt;br /&gt;Mantive a calma, desliguei o computador e recorri a uma velha amiga, a folha de papel ofício A4, companheira de tantas noites febris nos tempos em que o computador parecia um devaneio dos filmes norte-americanos. Armado com a fiel escudeira que era a caneta Bic cor azul, tratei de macular o papel com rabiscos, na esperança de que, pela magia do contato da tinta da caneta no papel, as idéias transformassem em um texto. Mas, nada. Nada além de palavras soltas, frases desconexas, cubos desenhados em terceira dimensão e jogos da velha onde eu enfrentava a mim mesmo. Retomei ao truque velho de escrever o próprio nome, várias vezes: Cefas, Cefas, Cefas, depois a assinatura, tal qual no documento de identidade, e depois a forjar assinaturas. Amassei o papel e retomei à suposta seriedade para enfrentar a folha em branco.&lt;br /&gt;Decidi recorrer à sabedoria alheia. Quem sabia se escrevendo pensamento e idéias de meus heróis, a inspiração não viria por osmose. Rabisquei sentenças de Shakespeare, frases de Platão, versos de Pessoa e, claro, máximas sarcásticas de Oscar Wilde. Por mim, perdi-me em letras de canções de rock até chegar a hai kais pavorosos da época em que eu tentava ser poeta. Voltei à página em branco – outra, claro – e recordei que, salvo engano, Rubem Braga havia escrito uma crônica sobre a mesma falta de inspiração.&lt;br /&gt;Como seria com as outras pessoas? Outros sentiam o mesmo desepero que eu diante da folha em branco ou, diante disso, dariam uma gargalhada e se dedicariam a atividades tais como assistir um programa de TV ou ir a um shopping fazer compras?&lt;br /&gt;Uma idéia me surgiu e quando lancei mão da caneta para, enfim, macular a folha em branco, parei como se acometido de uma idéia tresloucada. Havia uma vontade mórida em mim de que a folha continuasse branca – cor de pureza e da inocência – sem a intromissão da caneta, uma vez que a tinta fixada no papel se assemelhava a uma violência. Uma violência quase filosófica, posto que era irreversível (claro, é possível amassar ou queimar uma folha de papel, e uma borracha de qualidade pode apagar a tinta, mas, a folha branca original, jamais volta a ser o que era após a caneta trabalhar em sua superfície).&lt;br /&gt;Debati-me uma vez mais na intenção de produzir alguma coisa, escrever nem que fosse apenas um parágrafo, quiçá uma frase, que sequer precisava ser genial, bastava apenas ter sentido.&lt;br /&gt;Foi quando o texto desceu sobre mim como o Espírito Santo sobre um cristão devoto e a caneta – guiada pela mão direita nervosa – começou a trabalhar no papel...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;(Texto originalmente publicado na coletânea de crônicas "Travessa da Alfândega" - organizador: José Correia Torres Neto. Selo Caravela)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-74689712000015466?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/74689712000015466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=74689712000015466' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/74689712000015466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/74689712000015466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/12/o-desespero-diante-da-pagina-em-branco.html' title='O desespero diante da página em branco'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-tjzQc9pvI-c/TvUo_8EMnEI/AAAAAAAAC1M/nBLu7fsGFYk/s72-c/papel-e-caneta1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-2732416015987132619</id><published>2011-11-23T10:38:00.000-08:00</published><updated>2011-11-23T10:39:07.318-08:00</updated><title type='text'>Morrer, talvez sonhar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-jf6J10JlE7w/Ts09RlfoS2I/AAAAAAAACvw/aZBzIJ2fwY4/s1600/freud.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-jf6J10JlE7w/Ts09RlfoS2I/AAAAAAAACvw/aZBzIJ2fwY4/s200/freud.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidira morrer. Era simples assim. Não havia metáfora em sua decisão, nada de angústias existenciais, crises religiosas, nada de metafísica. Tampouco sofria com traumas de infância. Fora uma criança feliz na medida do possível. Não, também não havia um amor não correpondido, uma mulher fatal pela a qual valia a pena morrer.&lt;br /&gt;Era uma decisão racional, portanto. Considerou que a vida já havia lhe dado tudo que poderia desejar e merecer e que tivera seu quinhão de alegria e dor em medidas exatas e que nada mais havia a fazer neste mundo (e na verdade, em nenhum outro, posto que desconfiasse com uma quase-certeza que nada havia além do pó deste mundo).&lt;br /&gt;Tomada a decisão, se deteve na maneira de fazê-lo. Nada de decisões que resultassem em sangue e carne deformada como um tiro na boca ou no ouvido. Não queria ninguém limpando paredes cheias de seu sangue. Nada de posturas igualmente melodramáticas, como o enforcamento. Pensou no gás. Talvez na ingestão de um veneno indolor. Sonhava em morrer dormindo. Neste caso, a morte poderia chegar tal qual um sonho.&lt;br /&gt;Indeciso, deixou que os dias passassem e, como já se acostumara a despedir-se deste – único – mundo, passou a ver as coisas com outros olhos, talvez mais complacentes, nostálgicos. De maneira que em uma ensolarada manhã de segunda-feira, em pleno centro da cidade, após ter tomado um café forte e com pouco açúcar, decidiu que não desejava mais morrer. Simples assim. Talvez a vida ainda tivesse o que lhe oferecer (de dor ou prazer) e sentiu-se subitamente forte para viver o tempo que lhe fosse dado.&lt;br /&gt;Enebriado com a nova decisão, atravessou a rua rumo ao carro e não percebeu a caminhonete. Sentiu um impacto, ouviu um barulho estranho e alguns gritos (seus? De outros?) e o quebrar dos ossos das pernas. Percebeu que não conseguia movimentar a cabeça. Quero viver, balbuciou, inutilmente, mas já coneçando a sonhar.&lt;br /&gt;Morreu a caminho do hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-2732416015987132619?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/2732416015987132619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=2732416015987132619' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2732416015987132619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2732416015987132619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/11/morrer-talvez-sonhar.html' title='Morrer, talvez sonhar'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-jf6J10JlE7w/Ts09RlfoS2I/AAAAAAAACvw/aZBzIJ2fwY4/s72-c/freud.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8651538387887972187</id><published>2011-11-16T10:13:00.000-08:00</published><updated>2011-11-16T10:13:12.938-08:00</updated><title type='text'>Estrelas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Oy-Ixc9X_Ao/TsP9GIesBlI/AAAAAAAACuk/LSlJbanlyG8/s1600/Noite%2Bestrelada.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="213" width="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-Oy-Ixc9X_Ao/TsP9GIesBlI/AAAAAAAACuk/LSlJbanlyG8/s320/Noite%2Bestrelada.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrelas não brotam do chão&lt;br /&gt;Estrelas não nascem em árvores&lt;br /&gt;Estrelas enfeitam telas de Van Gogh&lt;br /&gt;Estrelas são cadentes&lt;br /&gt;Para se aninhar em seus cabelos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrelas não desafiam a lei de Newton&lt;br /&gt;Estrelas não colidem entre si&lt;br /&gt;Estrelas abrilhantam cartões de natal&lt;br /&gt;Estrelas são dementes&lt;br /&gt;Quando refletidas em seus olhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrelas, em suave delírio, pousam&lt;br /&gt;Em sua íris&lt;br /&gt;Fazem de seu olhar, a Ursa menor&lt;br /&gt;Alfa centauro, Cruzeiro do Sul...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Você estrelas...Cadente...Vaga...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos de constelação&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8651538387887972187?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8651538387887972187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8651538387887972187' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8651538387887972187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8651538387887972187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/11/estrelas.html' title='Estrelas'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Oy-Ixc9X_Ao/TsP9GIesBlI/AAAAAAAACuk/LSlJbanlyG8/s72-c/Noite%2Bestrelada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-315002646002832187</id><published>2011-11-04T15:50:00.000-07:00</published><updated>2011-11-04T15:50:36.310-07:00</updated><title type='text'>No calor na batalha</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-oHFnszWpVDA/TrRrys-ZguI/AAAAAAAACsc/mUx9DS17lWc/s1600/goya-second-of-may.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="246" width="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-oHFnszWpVDA/TrRrys-ZguI/AAAAAAAACsc/mUx9DS17lWc/s320/goya-second-of-may.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se a batalha se mostra lenta e bruta&lt;br /&gt;E a vitória tão distante quanto o céu&lt;br /&gt;Cabe o silêncio diante do escarcéu&lt;br /&gt;E persistir quando nos cabe a luta&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se o inimigo invade o teu quartel&lt;br /&gt;Se és forçado a ingerir cicuta&lt;br /&gt;Não deixe que nenhum filho da puta&lt;br /&gt;Te transforme em carrasco ou réu&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É no calor da guerra tão renhida&lt;br /&gt;Que surge o homem forte que devias&lt;br /&gt;Ser. Que se perde em mornos dias...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eis que a batalha não está perdida...&lt;br /&gt;Defenda teus castelos de areia&lt;br /&gt;Enquanto osangue corre em tuas veias&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-315002646002832187?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/315002646002832187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=315002646002832187' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/315002646002832187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/315002646002832187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/11/no-calor-na-batalha.html' title='No calor na batalha'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-oHFnszWpVDA/TrRrys-ZguI/AAAAAAAACsc/mUx9DS17lWc/s72-c/goya-second-of-may.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-2345827137383961245</id><published>2011-10-17T08:11:00.000-07:00</published><updated>2011-10-17T08:11:13.509-07:00</updated><title type='text'>Presente</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-NrNN-lActS4/TpxFUSBAn1I/AAAAAAAACok/q7zrALMG5pM/s1600/Chagall.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="227" src="http://4.bp.blogspot.com/-NrNN-lActS4/TpxFUSBAn1I/AAAAAAAACok/q7zrALMG5pM/s320/Chagall.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueça mimos, galanteios,&lt;br /&gt;adornos, mimoseios&lt;br /&gt;Esqueça mesuras, fricotes&lt;br /&gt;badulaques,decotes&lt;br /&gt;Esqueça carteiras, gravatas&lt;br /&gt;cintos, bravatas&lt;br /&gt;Esqueça o camafeu,&lt;br /&gt;O afago, o bombom&lt;br /&gt;Presenteie-me, amor meu&lt;br /&gt;Com um Saramago,&lt;br /&gt;Ou um Drummond...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-2345827137383961245?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/2345827137383961245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=2345827137383961245' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2345827137383961245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2345827137383961245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/10/presente.html' title='Presente'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-NrNN-lActS4/TpxFUSBAn1I/AAAAAAAACok/q7zrALMG5pM/s72-c/Chagall.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-2098056013872733284</id><published>2011-09-14T06:26:00.000-07:00</published><updated>2011-09-14T06:26:35.721-07:00</updated><title type='text'>Quarteto-ode (quase infantil) ao amor em terras lusitanas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ammxGBCLPPQ/TnCrQ9ztx_I/AAAAAAAACj8/vPrKWy32MsU/s1600/Lisboa-electrico_.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="269" width="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-ammxGBCLPPQ/TnCrQ9ztx_I/AAAAAAAACj8/vPrKWy32MsU/s320/Lisboa-electrico_.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar sem mágoas, ao som&lt;br /&gt;Das águas do Tejo&lt;br /&gt;Ouvindo fados...&lt;br /&gt;Fadados a fazer amor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suores de vinho do Porto&lt;br /&gt;Fadigado, morto&lt;br /&gt;De amor, de desejo...&lt;br /&gt;Tudo impresso no azulejo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Navegar em um oceano&lt;br /&gt;De saliva... Lábios&lt;br /&gt;Em carne viva, na Alfama...&lt;br /&gt;(Como quem ama...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amores carnais&lt;br /&gt;Em Estoril, em Cascais...&lt;br /&gt;No Chiado, o último fado!&lt;br /&gt;Do amor que morre em paz...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-2098056013872733284?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/2098056013872733284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=2098056013872733284' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2098056013872733284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2098056013872733284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/09/quarteto-ode-quase-infantil-ao-amor-em.html' title='Quarteto-ode (quase infantil) ao amor em terras lusitanas'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ammxGBCLPPQ/TnCrQ9ztx_I/AAAAAAAACj8/vPrKWy32MsU/s72-c/Lisboa-electrico_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-5808566125042364440</id><published>2011-08-24T04:50:00.000-07:00</published><updated>2011-08-24T04:54:52.774-07:00</updated><title type='text'>Uma mulher com cabelos de fogo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-7XzZI7up4bk/TlTkwDYobbI/AAAAAAAACio/zLQLZLx3hSQ/s1600/Ruiva2.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="150" src="http://3.bp.blogspot.com/-7XzZI7up4bk/TlTkwDYobbI/AAAAAAAACio/zLQLZLx3hSQ/s200/Ruiva2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contava eu dezenove anos, se muito, mergulhado naquela idade contraditória quando às vezes acordamos sentindo que podemos mudar o mundo e no dia seguinte, dormimos como se fôssemos estrangeiros em nossa própria casa. No dia em questão, tratava-se de uma manhã ensolerada de quarta-feira daquelas que eu acreditava com todas as minhas forças que poderia incendiar o mundo. Havia conseguido um emprego em uma agência de publicidade dias antes, estava cursando filosofia na Universidade Federal e plenajando sair de casa (por mais que amasse meus pais, eles representavam o “sistema” e eu estava na fase ingênua e necessária de combater esse “sistema”) de maneira que caminhava na praça central com uma despreocupação arrogante e um sorriso de conquistador de impérios em meu rosto.&lt;br /&gt;Foi quando parei para olhar a estátua central da praça que a vi, sentada em um banquinho no meio da praça, ao lado da fonte. Em principio chamou minha atenção porque tinha imensos cabelos vermelhos, quase que de fogo. Depois percebi seus muitos outros encantos; olhos imensos e melancólicos entre o preto e o castanho, um meio sorriso que poderia tanto felicidade como sofrimento.&lt;br /&gt;Olhou-me de repente e me envergonheii de ter parado para observá-la. Decidi continuar o caminho, quando surpreendentemente ela me chamou.&lt;br /&gt;- Ei, você tem um cigarro?&lt;br /&gt;- Não fumo, lamento...&lt;br /&gt;- Eu também não. Mas, agora, estou louca por um cigarro.&lt;br /&gt;- Entendo...&lt;br /&gt;- Não acontece com você, de querer fumar de repente, como se seus problemas fossem embora junto com a fumaça?...&lt;br /&gt;- Acontece sim... – menti.&lt;br /&gt;- Posso pedir um favor.&lt;br /&gt;- Claro&lt;br /&gt;- Me faça companhia durante meia hora. Somente trinta minutos.&lt;br /&gt;Assustei-me com o pedido. Encantado por ela como eu estava, claro que ficaria com ela, trinta minutos, duas horas, o dia inteiro. Mas, não podia ignorar o insólito da situação. Lindas mulheres com cabelos de fogo não sentavam em bancos de praça e convidavam estranhos para ficar meia hora com elas.&lt;br /&gt;Mas, sentei-me ao seu lado, com um pouco de receio, confesso. Ela pareceu ter lido meus pensamentos, pois sorriu de verdade e passou a mão em meu cabelo.&lt;br /&gt;- Não se preocupe. Não sou uma louca, nem uma aventureira e nem vou te fazer mal algum. Quero apenas que fique ao meu lado durante o tempo em que te falei...&lt;br /&gt;Ainda desnorteado, concordei. Tentei fazer algumas perguntas (nome, idade, onde morava) mas, com elegância e algum humor, ela conseguiu não responder nenhuma delas e decidiu contar uma história. Sobre uma menina que fugiu de casa e acabou em um lugar como uma floresta, onde teve de fugir de seres bestiais, como dragões, e espíritos maus. Uma história sem pé nem cabeça, mas contada com tanta suavidade que não teria como não me encantar.&lt;br /&gt;- Agora é sua vez de contar uma história.&lt;br /&gt;- Eu? Não sei contar histórias...&lt;br /&gt;- Bobagem, todo mundo sabe contar histórias. Vamos lá, por favor.&lt;br /&gt;Com algum custo, consegui me lembrar de um conto russo que havia lido havia tempos, sobre um senhor e um servo que viajavam na neve de trenó e percebiam que a relação de poderes se invertia com os problemas e privações. Embora imperfeita, ela adorou a história e me pediu outra. Respondo que só contaria uma nova história se ela dissesse seu nome.&lt;br /&gt;- Não vale impor condições... – sorriu, melancolicamente – Mas, já que você quer assim... me chame de Moira.&lt;br /&gt;- Moira... – repeti, inicindo uma nova história, desta vez bem humorada, sobre um homem pobre que pensa ter ganhado na loteria e imagina o que faria com a fortura a receber. Claro que ele não ganhou e a história termina com sua decepção e consciência de sua triste realidade. Moira riu e contou mais uma história, desta vez sobre um amor impossível na idade média. Eu já estava me acostumando com aquela troca de histórias e me perguntava sobre como manter aquele momento indefinidamente quando ela olhou para o relógio na praça. Havia passado a meia hora.&lt;br /&gt;- Obrigado pela companhia, mas tenho que ir.&lt;br /&gt;- Mas, não podemos ficar mais um pouco?... – pedi, quase implorando.&lt;br /&gt;- Realmente tenho que ir – sorriu – Obrigada por me suportar neste tempo...&lt;br /&gt;Preparei-me para dizer que, pelo contrário, fora a meia hora mais sublime da minha vida, mas tive medo de ser piegas e estragar tudo. Limitei a me perguntar se nos veríamos novamente.&lt;br /&gt;- Quem sabe não nos encontramos por acaso neste mundo...&lt;br /&gt;Propus trocarmos telefone, marcarmos tomar um café em algum lugar, mas, ela sorriu em negação: - É melhor, não. Nem queira saber porquê. Mas, saiba que esta hora que você passou comigo pode ter salvado a minha vida...&lt;br /&gt;Arrumou a alça da bolsa no ombro e se foi, com o mesmo sorriso ambíguo que eu havia notado no início. Andava rapidamente com os cabelos de fogo balançando ao sabor do vento. Sentei-me no banco para pensar no que havia vivido quando reparei, ao lado da minha perna, uma lâmina pequena, como se tirada de um aparlho de barbear. Olhei ao longe, mas Moira já havia desaparecido do meu campo de visão. Guardei cuidadosamente a lâmina no bolso de minha jeans e levantei-me para tocar meu dia, com a imagem da linda menina de cabelos de fogo e a sensação de que, de alguma insólita maneira, eu havia, sim, salvo uma vida.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-5808566125042364440?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/5808566125042364440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=5808566125042364440' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/5808566125042364440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/5808566125042364440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/08/uma-mulher-com-cabelos-de-fogo.html' title='Uma mulher com cabelos de fogo'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-7XzZI7up4bk/TlTkwDYobbI/AAAAAAAACio/zLQLZLx3hSQ/s72-c/Ruiva2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8454830068523980392</id><published>2011-07-25T05:54:00.001-07:00</published><updated>2011-07-25T05:54:20.987-07:00</updated><title type='text'>Era Poeta...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ClM9oCz_d4c/Ti1nVxYAGYI/AAAAAAAACfs/WJo0i6uxFSY/s1600/Chagall.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="278" src="http://3.bp.blogspot.com/-ClM9oCz_d4c/Ti1nVxYAGYI/AAAAAAAACfs/WJo0i6uxFSY/s320/Chagall.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Era Poeta...de todas, a mais bela&lt;br /&gt;De seus versos fiz meu pão e fiz meu vinho&lt;br /&gt;Com régua e compasso fiz meu caminho&lt;br /&gt;Da aquarela de teus olhos fiz minha tela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era Poeta...envolta em seda e linho...&lt;br /&gt;Ares de Safo, Cecília e Florbela...&lt;br /&gt;Em devaneios, abri uma janela&lt;br /&gt;E mergulhei em seu mar azul marinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, e agora? Tão pouca coisa aconteceu...&lt;br /&gt;Sem poesia e tão mornos os dias passam&lt;br /&gt;Não eras Julieta nem eu o seu Romeu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde irá levar-nos essa vida louca?&lt;br /&gt;Se meus versos e seus versos não se enlaçam...&lt;br /&gt;Se quero escrever sonetos em tua boca...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8454830068523980392?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8454830068523980392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8454830068523980392' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8454830068523980392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8454830068523980392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/07/era-poeta.html' title='Era Poeta...'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ClM9oCz_d4c/Ti1nVxYAGYI/AAAAAAAACfs/WJo0i6uxFSY/s72-c/Chagall.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-7747537372997412368</id><published>2011-07-04T07:23:00.001-07:00</published><updated>2011-07-04T07:23:53.200-07:00</updated><title type='text'>A Biblioteca Sagrada da Minha Mente</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-LOXlp9Q6_B0/ThHM1XWFRFI/AAAAAAAACfE/XIVWYBn9Kh4/s1600/biblioteca-antiga.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="238" src="http://2.bp.blogspot.com/-LOXlp9Q6_B0/ThHM1XWFRFI/AAAAAAAACfE/XIVWYBn9Kh4/s320/biblioteca-antiga.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por força de circunstancias que não pretendo relevar ao leitor curioso (que leitor não é curioso?) fiquei temporariamente afastado de minha Biblioteca. A princípio a separação dos meus livros me doeu na carne, acostumado que era a qualquer momento consultar algum deles ou simplesmente contemplá-los imperais, harmoniosos, arrumados verticalmente nas estantes de madeira.&lt;br /&gt;Contudo, passados alguns dias longe da minha Biblioteca (sempre com B maiúsculo, como vaticinava mestre Borges, sábio maior desta entidade mágica e sagrada denominada biblioteca) a dor amainou. Não que a paixão (ou amor) pelos meus livros tivesse desaparecido com a, distância (como acorre com tantos amores ditos eternos...) mas sim pela descoberta, ou percepção (talvez revelação) que minha Biblioteca na verdade não é algo apertas físico, mas que existe prioritariamente em minha mente. Ela não precisa estar perto dos meus olhos para existir. Ela existe em mim. Pra levar o raciocínio metafisicamente mais longe, minha Biblioteca só existe porque eu existo; eu morrendo, a Biblioteca também não mais existirá.&lt;br /&gt;De forma que a revelação fez com que eu veja e sinta meus livros a toda hora, estando em num há nova casa ou não. Consigo visualizar cada um dos meus... livros (leitor curioso, não importa o número de livros de uma Biblioteca, oito ou oitenta mil, o que importa é a relação - necessariamente doentia - entre o leitor-dono e a Biblioteca) O raciocínio apresentado entre os parênteses acima leva à constatação de que a minha Biblioteca só existe enquanto minha, posto que foi a aquisição particular de cada dos livros que a compõem que a torna uma Biblioteca. Ou seja, minha Biblioteca mãos alheias não passará de um amontoado de livros. Da mesma maneira que a Biblioteca de Câmara Cascudo só o era enquanto ele estava vivo e tomando viva a sua Biblioteca. Após sua morte, a Biblioteca de Câmara Cascudo passou a ser uma peça de museu, estática, pois que ninguém mais poderá acrescentar um livro nela. Idem com a biblioteca do felizmente ainda vivo José Mindlin. Sua Biblioteca só existe porque ele existe. A morte do primeiro acarretará na morte da Biblioteca enquanto ente sagrado, vivo, dinâmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contemplando com os olhos sempre argutos da mente a minha Biblioteca, evoco livros que só existem como o são para mim. Como o exemplar de "O Jardim do Éden" de Hemingway, comprado em um sebo da avenida Ipiranga, quando eu morava em São Paulo no micro dos anos 90 Como não identificar o triângulo amoroso do livro com aqueles dias chuvosos e com a fumaça paulistana? Cada vez que leio o livro - e o fiz várias vezes - evoco aquele sebo (qual o seu nome? Não lembro...) e aquele período de minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo com minha mente meu exemplar de "OS demônios de Loudun", de Huxley, comprado há meia década no Sebo Vermelho, de Abimael. Capa brega, livro quase caindo aos pedaços, mas cheio de marcações dos antigos donos e lido em uma época admirável da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo ainda outros livros. Possuo - três exemplares de “Dom Casmurro”, um deles, mais recente, de capa dura, mas para mim Capitu é mais Capitu e Bentinho mais Bentinho quando leio a edição da Ática em papel jornal comprada na livraria Universitária ainda nos anos 80, com papai ainda vivo. Salvo engano, compramos o livro, cujo nome me parecia enigmático, lanchamos na finada Lojas Brasileiras, fomos ao Café São Luiz, onde eu podia assistir a papai em ação com suas anedotas e gargalhadas e por fim, fomos para casa onde comecei a ler a obra prima machadiana. Claro que aos onze anos não entendi todas as nuances, mas o livro, de capa preta com um desenho multicolorido, ainda está nas minhas Bibliotecas (a real e a da minha mente).&lt;br /&gt;Nesta Biblioteca da minha mente estão ate mesmo livros que já se foram É o caso de “O homem que olha”, de Moravia, que emprestei para meu amigo Cláudio em 1989 e ele perdeu em um bar durante uma bebedeira. Mas, para mim, o livro continua lá nas estantes ao lado de “1934” A romana e “A ciociara”.  E se tiver que recuperá-lo, quero que seja da mesma edição da Nova Fronteira com a mesma capa azul e branca. Vejo também na minha estante o clássico hardcore “Albertine no inferno”, que está há um par de anos em poder da amiga jornalista Vilma Torres (desculpe a cobrança publica, mas para recuperar livros como no amor e na guerra vale tudo!) Ah, os livros emprestados que jamais voltaram para a Biblioteca... filhos queridos que se foram... que os amigos me perdoem, mas como alertou Cid Augusto em um artigo ladrão de livros vai para inferno...&lt;br /&gt;Continuo de olhos fechados então e navego na minha Biblioteca sagrada, nas marcações que fiz com marca texto (geralmente cor laranja) nos endereços e telefones riscados nas páginas em branco dos livros, nas notas fiscais esquecidas dentro de exemplares. Velejo no mar dos poetas que admiro Pessoa, dos Anjos, Castro Alves... e me afogo nos versos  das poetas por quem sou eternamente apaixonado (Cecília, Florbela, Zila, sempre elas ) e me perco nos braços e olhares de Capitu Oriane deGuermantes, Diadorin Lady Brett Ashley. Por fim me vejo da Biblioteca de Babel, hexagonal, sagrada, labiríntica, como escreveu Borges, que sem ver, a tudo via.&lt;br /&gt;Acordo do sonho então, satisfeito como quem acorda de um noite amor carnal. Minha Biblioteca pode até ser incendiada, como aconteceu com a de Alexandria, mas jamais terá fim, por estar sempre dentro de mim. Em nome de Jorge Luis Borges amém!&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;(Texto publicado originalmente na Revista Papangu em maio de 2006)&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-7747537372997412368?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/7747537372997412368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=7747537372997412368' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7747537372997412368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7747537372997412368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/07/biblioteca-sagrada-da-minha-mente.html' title='A Biblioteca Sagrada da Minha Mente'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-LOXlp9Q6_B0/ThHM1XWFRFI/AAAAAAAACfE/XIVWYBn9Kh4/s72-c/biblioteca-antiga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-9120044599524134014</id><published>2011-06-21T09:36:00.000-07:00</published><updated>2011-06-21T09:36:01.629-07:00</updated><title type='text'>Afrodite</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-vcsE5cf2tIk/TgDIDf2O-iI/AAAAAAAACeI/6bEBwXVK6kY/s1600/siren.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="134" width="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-vcsE5cf2tIk/TgDIDf2O-iI/AAAAAAAACeI/6bEBwXVK6kY/s200/siren.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para meu deleite e minha desgraça, devo dizer que, sim, eu me lembro bem de tudo. Começou em uma tarde cinzenta de agosto, quando, desgostoso com a vida e com mim mesmo, procurei refúgio nas areias da Praia do Meio, sentado próximo à estátua de Iemanjá. Foi quando a percebi, olhar pedido no horizonte, sentada a alguns metros de mim, também na areia.&lt;br /&gt;Estava com os joelhos à barriga e os braços segurando os joelhos. Olhava o horizonte com o mesmo desespero que eu julgava existir no meu olhar. Foi o que me atraiu, a princípio. Segundos depois, percebi o quanto era linda, com os cabelos castanhos, imensos, caindo sobre o rosto de menina em um corpo de mulher, para usar de um clichê. Subitamente, uniu os braços em concha e abaixou a cabeça, como se chorando. Movido tanto por compaixão como pela atração que senti, aproximei-me dela, e, ganhando coragem, perguntei:&lt;br /&gt;- Algum problema?&lt;br /&gt;- Muitos problemas... – respondeu, levantando a cabeça. Não chorava, mas parecia desesperada. Sentei-me ao lado dela.&lt;br /&gt;- Qual o seu nome? – indaguei.&lt;br /&gt;- Não me lembro – respondeu&lt;br /&gt;- Como assim? – estranhei.&lt;br /&gt;- Não lembro meu nome. Não lembro onde moro... não lembro de nada...&lt;br /&gt;Parecia estranho, mas pelo seus olhos percebia-se que ela não estava brincando. Uma linda menina que perdeu a memória, pensei.&lt;br /&gt;- Você não tem uma carteira, identidade, um celular, nada que possa dar uma pista... &lt;br /&gt; - Tenho apenas a roupa do corpo. E não tenho uma só lembrança de absolutamente nada. Não sei se moro com meus pais, se sou casada, menina de rua... É como se eu tivesse acordado aqui na Praia do Meio.&lt;br /&gt;- Vamos brincar de detetives... sorri – Se você sabe o nome desta praia e chegou sem ajuda até aqui é porque mora em Natal. Se você fosse casada, teria uma aliança na mão esquerda ou pelo menos uma marca e não estou vendo nada disso – analisei, pegando suavemente sal mão – Quanto a ser menina de rua, esqueça. Pelas roupas, percebe-se, você é de classe média.&lt;br /&gt;- Você é mesmo um detetive... – divertiu-se, rindo pela primeira vez desde que a abordei. Contudo, a situação não convidava a risos. Urgia decidir o que fazer com aquela menina desmemoriada. Procurar a polícia? Leva-la aos jornais?&lt;br /&gt;- Que tal rodarmos pela cidade para ver se você se lembra de algum lugar. Talvez a visão de um local que lhe seja importante faça sua memória voltar.&lt;br /&gt;Hesitante, mas sem muitas opções, ela aceitou a insólita proposta, que, não nego, também tinha como objetivo, além da ajuda, fazer com que passássemos mais tempo juntos. Desnecessário registrar que eu estava mais que atraído pela bela desconhecida. Estava me apaixonando rapidamente. Olhei o relógio: eram treze e meia, e às catorze horas eu deveria estar na agência de propaganda onde trabalhava como arte-finalista. Não hesitei em tomar uma decisão: telefonei para a agência dizendo que desmaiei na rua e que amigos estavam me levando para um hospital.&lt;br /&gt;- Você não consegue nem lembrar seu nome? Cláudia? Vanda? Tatiana? Maria? Eduarda?&lt;br /&gt;Ela riu, para, segundos depois, deixar uma névoa escura atravessar sua expressão: - parece engraçado, mas não consigo lembrar mesmo... – e começou a chorar. Colhi seu rosto em meu ombro – Tenho que inventar um jeito de te chamar. Enquanto você não lembra seu verdadeiro nome, vou te chamar de Afrodite, está certo?&lt;br /&gt;- Afrodite... – repetiu&lt;br /&gt;- A deusa grega da beleza. Afinal, você parece tão bela quanto ela...&lt;br /&gt;Envergonhada, baixou os olhos. Parecia sorrir, apesar da sua situação. Mas eu não queria que se entristecesse. Puxei-a pela mão.&lt;br /&gt;- Vamos para Ponta Negra. Talvez algo por lá clareie a situação.&lt;br /&gt;Sentados na areia, ficamos conversando horas a fio. Isto é, tentamos um arremedo de conversa, posto ser virtualmente impossível conversar com quem não tem o que contar. Mas ela sabia, sabe-se lá como, algumas piadas sujas, e afirmava amar algumas músicas clássicas, embora não soubesse o nome delas, apenas assobia-las.&lt;br /&gt;Desta forma o tempo foi passando e subitamente, atentei que já anoitecia. - Que tal irmos para o Natal Shopping? – propus.&lt;br /&gt;Pegamos um ônibus e o vento no rosto a fez sorrir melancolicamente.&lt;br /&gt;- Não me lembro de já ter feito este passeio, mas esta sensação de liberdade, me é familiar...&lt;br /&gt;Bebemos alguns chopes. Ela quis uma caipirinha. Quando dei por mim já eram quase dez da noite. O shopping iria fechar e teríamos de fazer alguma coisa.&lt;br /&gt;- Quer recorrer à policia? – perguntei.&lt;br /&gt;- Quero ficar com você... – respondeu – mas sei que você deve ter que ir para casa...&lt;br /&gt;- Eu adoraria leva-Ia para casa, mas meus pais são complicados...&lt;br /&gt;- Não tem problema, eu me viro...&lt;br /&gt;Claro que eu jamais a deixaria sozinha naquelas circunstâncias e armado de toda a coragem, propus passarmos a noite em um hotel na Cidade Alta. Para minha surpresa ela concordou com a idéia. Após telefonar para meus pais e informa-los que eu dormiria na casa de um amigo, rumamos para o centro. Tentei leva-la para o Beco da Lama ou para o bar Amarelinho, para mais uma cerveja, mas ela argumentou que estava cansada. Fomos para o hotel, velho, decadente, mas barato e estranhamente luminoso. &lt;br /&gt;Uma vez no quarto, eu não sabia exatamente o que fazer. Afrodite foi quem quebrou o gelo. - Estou louca para tomar banho... -sorriu. Depois que ela saiu do banheiro, foi minha vez de entrar debaixo do chuveiro. Nervoso, saí de toalha e a flagrei também enrolada na toalha penteando os cabelos.&lt;br /&gt;- Encontrei um pente na escrivaninha...&lt;br /&gt;- Que bom... - comentei, sentando ao lado dela na cama de casal. Preocupado, tentei explicar para ela como seria nossa noite. - Eu posso improvisar estes lençóis no chão para que você durma na cama.&lt;br /&gt;- Por que isso?&lt;br /&gt;- Não quero que você pense que eu me aproveitaria de você.&lt;br /&gt;- E se eu me aproveitar de você?... - riu, encostando os lábios em minha orelha. Fechei os olhos, e senti sua boca na minha, depois sua língua caçando a minha... deitamos, na cama e minha deusa fez jus ao apelido que eu lhe dera...&lt;br /&gt;No dia seguinte, despertamos juntos, e se durante alguns segundos vivi o torpor de quem acredita estar em um sonho - aquela mulher linda e nua deitada ao meu lado – logo me lembrei da situação insólita que vivíamos.&lt;br /&gt;- Lembrou de alguma coisa?&lt;br /&gt;- Só da noite de ontem... - sorriu - E do que fizemos durante o dia. Quanto ao resto, não me lembro nem do meu nome...&lt;br /&gt;Continuávamos na mesma, então e decidi tirar outro dia de folga para curtir à cidade ao lado dela e à noite leva-Ia ou à Polícia ou a algum jornal. Passei no banco, tirei quase todo o dinheiro da minha conta e iniciei nosso programa: Redinha, depois Litoral Sul, Pirangi, Pium... Éramos um casal em lua de mel, enfim. Por volta das cinco da tarde, fomos à última etapa do passeio, o rio Potengi, assistir ao por do sol. Em frente ao espelho d'água, ficamos olhando o horizonte, quando ela confessou que uma tristeza imensa a invadira.&lt;br /&gt;- Por quê? - perguntei&lt;br /&gt;- Não sei, mas é como se não fôssemos nos ver mais... - murmurou.&lt;br /&gt;De repente, um estranho vento se fez presente, nos encharcando de poeira. Tirei os óculos para tentar tirar os ciscos nos olhos, operação que não durou dez segundos, se muito. Quando recoloquei os óculos, percebi que estava só. Olhei para todos os lados, e nada. Onde estava Afrodite? Era como se ninguém tivesse estado comigo. Perplexo, olhei para a lagoa. Sua superfície estava limpa, contudo, bem à frente da margem me pareceu ter visto uma leve movimentação, como se alguém estivesse nadando, suavemente, por baixo da água. Tolice minha, pensei. Procurei Afrodite nas imediações, perguntei por ela em bares e lanchonetes próximas. Inútil. Minha Afrodite havia desaparecido tão misteriosamente quanto havia surgido em minha vida. Teria se jogado, sem barulho, sem alarde, nas águas poéticas do Potengi? Seria uma sereia retomando ao lar? Um anjo que retomara para o firmamento? Ou tudo não passara de minha imaginação? Jamais o saberei. De qualquer maneira, isso aconteceu há anos, e até hoje não se passa um dia em que eu não vá até à margem do rio Potengi na esperança de revê-la...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-9120044599524134014?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/9120044599524134014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=9120044599524134014' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/9120044599524134014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/9120044599524134014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/06/afrodite.html' title='Afrodite'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-vcsE5cf2tIk/TgDIDf2O-iI/AAAAAAAACeI/6bEBwXVK6kY/s72-c/siren.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-6674606207386338137</id><published>2011-06-02T08:37:00.001-07:00</published><updated>2011-06-02T08:37:55.551-07:00</updated><title type='text'>Falas em fantasias</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-KMn2uCrK8g4/TeeuIt-vRMI/AAAAAAAACb4/zynu-uTw9mU/s1600/Marlene_Dumas2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="258" width="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-KMn2uCrK8g4/TeeuIt-vRMI/AAAAAAAACb4/zynu-uTw9mU/s320/Marlene_Dumas2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falas em fantasias...devaneios...&lt;br /&gt;Queres sempre mais...jamais sossegas...&lt;br /&gt;Corres em teus sonhos sempre às cegas...&lt;br /&gt;Não sabes mais onde estão teus freios...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Citas frases feitas sem ser piegas...&lt;br /&gt;Queres que eu declame em teus seios...&lt;br /&gt;Faz joça de todos meus receios...&lt;br /&gt;És louca de pedra... e não negas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltaste às fantasias... adereços...&lt;br /&gt;Trocas de cores... preto... vermelho...&lt;br /&gt;Linhos finos... cetim... véus espessos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais fantasias... outros ambientes...&lt;br /&gt;Velas... acessórios... um espelho...&lt;br /&gt;Meu corpo como alvo de teus dentes...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-6674606207386338137?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/6674606207386338137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=6674606207386338137' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6674606207386338137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6674606207386338137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/06/falas-em-fantasias.html' title='Falas em fantasias'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-KMn2uCrK8g4/TeeuIt-vRMI/AAAAAAAACb4/zynu-uTw9mU/s72-c/Marlene_Dumas2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-7546380522729492390</id><published>2011-05-18T07:42:00.000-07:00</published><updated>2011-05-18T07:42:32.976-07:00</updated><title type='text'>Lázaro</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-u22lhNQl04M/TdPaqQKPsPI/AAAAAAAACaQ/ehIg1sozpd0/s1600/caravaggio.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="167" src="http://2.bp.blogspot.com/-u22lhNQl04M/TdPaqQKPsPI/AAAAAAAACaQ/ehIg1sozpd0/s200/caravaggio.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiraste-me do sepulcro&lt;br /&gt;Levantaste-me das catacumbas&lt;br /&gt;Despertaste-me do sono eterno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ergueste-me de entre os mortos&lt;br /&gt;Fizeste-me retornar à vida&lt;br /&gt;Trouxeste-me de volta à luz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fizeste de mim o teu Lázaro&lt;br /&gt;Forjado para louvar o teu nome&lt;br /&gt;Lapidado para viver por ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquecestes... que eu queria partir&lt;br /&gt;Ignorastes que entre os mortos era meu lar&lt;br /&gt;Não percebestes que morte... Era minha vida!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-7546380522729492390?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/7546380522729492390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=7546380522729492390' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7546380522729492390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7546380522729492390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/05/lazaro.html' title='Lázaro'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-u22lhNQl04M/TdPaqQKPsPI/AAAAAAAACaQ/ehIg1sozpd0/s72-c/caravaggio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-7750260624705027617</id><published>2011-05-11T05:21:00.001-07:00</published><updated>2011-05-11T05:22:01.400-07:00</updated><title type='text'>Armagedom</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-MfuNeYfEGmA/Tcp_LK0QWAI/AAAAAAAACZI/iQ9HqVqg1Qk/s1600/turner.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="240" width="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-MfuNeYfEGmA/Tcp_LK0QWAI/AAAAAAAACZI/iQ9HqVqg1Qk/s320/turner.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o deus colérico a me perseguir&lt;br /&gt;Em meu tortuoso caminho de Damasco?&lt;br /&gt;Ou o demônio, vil, a espargir&lt;br /&gt;Água amaldiçoada com fel e asco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria o Armagedom, a, solene surgir&lt;br /&gt;Em um arrebol de fúria e de som?&lt;br /&gt;Ou o Paraíso de Milton a explodir&lt;br /&gt;Em um surreal arco-iris marrom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o demônio a chegar sorrateiro&lt;br /&gt;Em uma nuvem de enxofre e carbono?&lt;br /&gt;Ou o calor fantasmal do candeeiro&lt;br /&gt;A transformar em inferno o meu sono?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram querubins a, com trombetas, anunciar&lt;br /&gt;O Juízo Final a chegar finalmente?&lt;br /&gt;Ou nada mais que outro dia a raiar&lt;br /&gt;No lirismo banal de um sol nascente?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-7750260624705027617?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/7750260624705027617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=7750260624705027617' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7750260624705027617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7750260624705027617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/05/armagedom.html' title='Armagedom'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-MfuNeYfEGmA/Tcp_LK0QWAI/AAAAAAAACZI/iQ9HqVqg1Qk/s72-c/turner.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-629338728380351092</id><published>2011-05-06T16:01:00.001-07:00</published><updated>2011-05-09T07:46:35.839-07:00</updated><title type='text'>Coração</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-A89HVi0yKeY/TcR9l7ZD78I/AAAAAAAACYo/CHeQ2wi8sEM/s1600/CORA%25C3%2587%25C3%2583O.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-A89HVi0yKeY/TcR9l7ZD78I/AAAAAAAACYo/CHeQ2wi8sEM/s200/CORA%25C3%2587%25C3%2583O.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, apaixonado ao extremo. Passional, verborrágico. Ela, bela e distante, deusa grega em mármore. &lt;i&gt;Eu amo você&lt;/i&gt; - repetia ele – &lt;i&gt;Você manda em meu coração!&lt;/i&gt; Ela resmungava: &lt;i&gt;É mentira sua...&lt;/i&gt; Até o dia em que ela decidiu fazer o teste. Ordenou que o coração dele parasse! Ele sentiu o corpo gelado e, subitamente, caiu morto ao chão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-629338728380351092?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/629338728380351092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=629338728380351092' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/629338728380351092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/629338728380351092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/05/coracao.html' title='Coração'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-A89HVi0yKeY/TcR9l7ZD78I/AAAAAAAACYo/CHeQ2wi8sEM/s72-c/CORA%25C3%2587%25C3%2583O.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-1309647126826976808</id><published>2011-05-04T09:25:00.000-07:00</published><updated>2011-05-04T09:25:15.054-07:00</updated><title type='text'>A Biblioteca de Babel (e de Borges)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-m1tztc9tirc/TcF9xE6MXOI/AAAAAAAACYM/vt76u8CpPNI/s1600/jorge-luis-borges.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="146" src="http://4.bp.blogspot.com/-m1tztc9tirc/TcF9xE6MXOI/AAAAAAAACYM/vt76u8CpPNI/s200/jorge-luis-borges.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma relação obsessiva, doentia mesmo, com os livros e com a entidade sagrada Biblioteca. Como Borges, um dos heróis do meu panteão de ídolos (Hemingway, Maugham, Gide, os franceses....). Borges escreveu um conto maravilhoso chamado “A Biblioteca de Babel” (presente no livro “Ficções”) na qual fala deste febre que algumas pessoas tem em relação aos livros e às Bibliotecas. Tanto quando a leitura em si, gosto da sensação da posse de um livro, de marcá-lo, do momento em que, devidamente lido, ele vai repousar na Biblioteca.. Tenho dificuldade em ler livros emprestados por não antever o momento em que voltarão para as estantes, por não saber com que outros livros se acompanhará. Exceção feita para leitura de livros em Bibliotecas, algo que o pouco tempo e o stress não me deixam mais fazer. Mas, recordo com prazer dos tempos em que eu e amigos como Paulo César, nos anos dourados da adolescência, desbravávamos corajosamente as estantes da Biblioteca Câmara Cascudo, sob a complacência das bibliotecárias. Lembro com maior nitidez de quando encontramos uma raridade, o “Michael Kolhaas”, de Henrich Von Kleist. Também é doce a lembrança das tardes cariocas também adolescentes que passava na Biblioteca do MEC e na mítica Biblioteca Nacional, na Cinelândia. Ah, o gigantismo da Biblioteca... Não que eu tenha uma Biblioteca quantitativamente grande, mas não é isso que importa, como vaticina o mestre argentino, mas a relação que se tem com a Biblioteca. Segundo Borges no citado conto, “ a Biblioteca é interminável...um número indefinido e quiçá infinito de galerias hexagonais...”  Neste texto delicioso, Borges assinala algo que suspeito desde tenra infância: “Nalguma estante de algum hexágono deve existir um livro que seja a cifra e o compêndio perfeito de todos os demais; algum bibliotecário o consultou e é análogo a um deus”. A idéia de um livro que contenha todo o conhecimento humano (A Biblia? O Corão? O Mahabratara? A obra completa de Shakespeare? Dom Quixote? Grande Serão: Veredas?) em um só me fascina até hoje. Este livro estaria guardado na Biblioteca sagrada, que, como escreveu Borges, sempre existirá, pois que “suspeito que a espécie humana – a única – está por extinguir-se e que a Biblioteca permanecerá: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-1309647126826976808?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/1309647126826976808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=1309647126826976808' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1309647126826976808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1309647126826976808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/05/biblioteca-de-babel-e-de-borges.html' title='A Biblioteca de Babel (e de Borges)'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-m1tztc9tirc/TcF9xE6MXOI/AAAAAAAACYM/vt76u8CpPNI/s72-c/jorge-luis-borges.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-3705611762237705450</id><published>2011-04-25T06:45:00.001-07:00</published><updated>2011-04-25T06:45:52.000-07:00</updated><title type='text'>Semana Santa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-70LPHuTs4Ww/TbV62RImiMI/AAAAAAAACWo/5-5IqlKnm_g/s1600/08%2B%25281606%252C%2BEcce%2BHomo%252C%2Bby%2BCaravaggio%2529.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="182" src="http://3.bp.blogspot.com/-70LPHuTs4Ww/TbV62RImiMI/AAAAAAAACWo/5-5IqlKnm_g/s200/08%2B%25281606%252C%2BEcce%2BHomo%252C%2Bby%2BCaravaggio%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta-feira da Paixão&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristo morreu pelos meus pecados. É o que dizem. Sempre detestei esta afirmação, como detesto qualquer coisa que tenha a ver com o não-visível. Não quero que ninguém morra pelos meus pecados. Dos meus pecados cuido eu. E meu pecado maior naquela sexta-feira maldita foi ter deixado Clarissa ir embora. Ou será que eu quem a mandei embora? Talvez as duas coisas. Só recordo que a vi jogando algumas roupas na mochila velha e sair de casa batendo ruidosamente a porta. Ainda pensei em correr atrás dela, mas desisti. Fiquei em casa ouvindo CDs de blues e olhando com cara de idiota para o bacalhau dessalgado em cima da pia. Iríamos fazer um bacalhau a Gomes de Sá. Clarissa não comia carne nos dias da semana santa. Para mim isso era uma besteira, eu teria adorado preparar uma picanha mal passada naquela noite, mas a paixão por Clarissa me fazia respeitar suas opiniões, pelo menos algumas delas.&lt;br /&gt;Pensei que Clarissa voltaria, mas, me enganei. Tomei alguns tranqulizantes para poder dormir, com o coração pesado de tristeza e paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Sábado de Aleluia&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aleluia! Clarissa telefonou. Não falou praticamente nada, balbuciou meia dúvida de palavras. Mas, telefonou. Disse que estava tudo terminado e que na semana seguinte pegaria suas coisas no apartamento. Pensei em implorar para que voltasse, em sugerir que conversássemos, mas nada falei. Escutei o que ela falou até que pareceu que ela fosse chorar e ela então desligou o celular.&lt;br /&gt;Resolvi ir uma igreja católica. Claro, desprezava o catolicismo, como a todas as demais religiões, mas senti vontade de ver os fiéis louvando a um ser superior. Contudo, quando estacionava o carro próximo a uma igreja, mudei de idéia repentinamente e decidi beber algo na praia. Olhar o mar costumava me acalmar. Bebi demais, contudo, e voltei para casa totalmente bêbado, arriscando bater o carro ou ser pego pela polícia dirigindo embriagado. Não aconteceu nem uma coisa nem outra. Talvez fosse melhor se eu tivesse morrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Domingo de Páscoa&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei de ressaca. Bebi quase um litro de água e tive de ver na geladeira os ovos de chocolate que Clarissa havia comprado para a gente. Estávamos juntos havia três anos e todo domingo de Páscoa ela me dava um ovo de chocolate. Como sabia que eu não compraria um para ela, tratava de se presentear com um ovo, quase sempre de chocolate branco. Joguei os dois ovos fora. Também atirei o bacalhau na lata de lixo. Em seguida, vomitei e, me sentindo menos enjoado, decidi recomeçar minha vida. Tomei um bom banho, recorri a um analgésico potente e me resolvi a sair da cidade. Joguei em uma mochila algumas roupas, laptop, escova de dentes e alguns livros. Iria para uma pousada litorânea para pensar na vida nova que teria de levar.&lt;br /&gt;Estava abrindo a porta do carro quando o celular tocou. Clarissa, com voz lacrimosa, disse que queria conversar e retomar nosso casamento. Pediu desculpas e exigiu que eu as pedisse. Perguntou se eu não queria encontrá-la em um bar-restaurante onde costumávamos ir. Concordei. Subi ao apartamento para deixar a mochila e rumei para o supermercado mais próximo, para comprar dois ovos de chocolate...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-3705611762237705450?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/3705611762237705450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=3705611762237705450' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3705611762237705450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3705611762237705450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/04/semana-santa.html' title='Semana Santa'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-70LPHuTs4Ww/TbV62RImiMI/AAAAAAAACWo/5-5IqlKnm_g/s72-c/08%2B%25281606%252C%2BEcce%2BHomo%252C%2Bby%2BCaravaggio%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-1137517564254834503</id><published>2011-04-07T12:21:00.000-07:00</published><updated>2011-04-11T08:43:00.565-07:00</updated><title type='text'>O matador</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-MRwPLN7zWQo/TZ4OLvn0gSI/AAAAAAAACUw/ljlO5C-vnMI/s1600/cangaceiro1951-portinari.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="169" src="http://3.bp.blogspot.com/-MRwPLN7zWQo/TZ4OLvn0gSI/AAAAAAAACUw/ljlO5C-vnMI/s200/cangaceiro1951-portinari.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era magro, mirrado mesmo, baixo, uma coisinha assim de gente. Pálido e com o rosto cheio de cravos e caroços, feio até não poder mais. Tranquilo, bebia seu conhaque de alcatrão com o rosto sereno e compenetrado. Mas, era um matador. Dos melhores. Era conhecido em toda a região, não havia cidade ou vilarejo que não temesse Jão Bicheira, cujo nome ninguém sabia, nem a origem do apelido. O que se sabia era que ele já havia mandado uns dez sertanejos desta para melhor e era conhecido nos beréus e bares mal afamados como “fabricante de viúvas”.&lt;br /&gt;Cá por mim, eu bebia quieto minha cana quando percebi o homem se aproximando. Claro que tremi nas bases. Não era bem medo, afinal, tenho lá minha coragem e sou de família de homens altos e parrudos. Mas Jão Bicheira tinha uma arma - talvez mais de uma  - e eu não. Pois que o cidadão sentou-se no tamborete ao meu lado e perguntou meu nome. Raimundo Nonato, ao seu dispor, respondi. &lt;br /&gt;O homem pegou um palito, limpou os dentes com zelo, tomou um gole do conheque de alcatrão, cuspiu no chão uma saliva preta e voltou-se para mim. &lt;i&gt;Quero te pedir um favor!&lt;/i&gt; Minhas mãos tremeram. O cabra havia matado uns dez homens. Certo que uns não valiam nada, ficaram bem melhores mortos mesmos. Mas, metade deles, eram pais de família. Mas, engrossei a voz e respondi:&lt;i&gt; Se eu puder ajudar...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Jão Bicheira tirou um papel dobrado do bolso. Sabe ler?, perguntou. Respondi que sim. Ele me passou o papel. &lt;i&gt;Leia isso para mim.&lt;/i&gt; Abri o pedaço de folha. Era uma letra infantil, difícil de ler. Mas, de qualquer maneira, li em voz alta o que estava escrito: Papai, quando for trabalhar pense em mim. Assinado, sua filha Rosinha.&lt;br /&gt;Ele respirou pesadamente, Bebeu mais um gole do alcatrão e cuspiu no chão. Devolvi o papel.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Você sabe qual é meus trabalho, não é?&lt;/i&gt; Engoli em seco. Mas, tinha que responder. &lt;i&gt;Sei sim senhor&lt;/i&gt;. Ele pigarreou e suspeirou: &lt;i&gt;É um trabalho enjoado, mas, alguém tem que fazer. Se não fosse eu seria outra pessoa, não é mesmo?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Olhou-me tristemente, pagou a conta, pegou um chapéu meio roto que estava no balcão e passou por mim.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Obrigado, amigo. Tem alguma coisa que queira pedir?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Respondi que não, mas, sei lá que diabo me tomou que disse ao homem que tinha apenas uma curiosidade. Pois pergunte, cabra, que perguntar nunca matou ninguém.&lt;br /&gt;Respirei fundo, como quem vai para uma briga de peixeira, e disparei: O senhor sente alguma raiva das pessoas que mata?&lt;br /&gt;Jão me olhou como se eu fosse louco por fazer aquela pergunta para ele, e a verdade é que era loucura mesmo. Encarou-me, pensei que ia me bater ou me gritar, mas abriu um sorriso triste. &lt;br /&gt;&lt;i&gt;Vou lhe responder. Você fez um favor para mim e merece que eu lhe responda. Rapaz, quando me contratam, não sinto nada não. Mas quando me dão a foto do cabra em questão eu vou olhando a foto e vai me dando um ódio...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Respirou, cuspiu mais uma vez, ajeitou o chapéu na cabeça e com um movimento de mão, despediu-se de mim. Aliviado, fui para o balcão e pedi um copo de cana. Derramei um gole para o santo e bebi o resto de uma lapada só!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-1137517564254834503?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/1137517564254834503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=1137517564254834503' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1137517564254834503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1137517564254834503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/04/o-matador.html' title='O matador'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-MRwPLN7zWQo/TZ4OLvn0gSI/AAAAAAAACUw/ljlO5C-vnMI/s72-c/cangaceiro1951-portinari.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-7157978325300872345</id><published>2011-03-31T07:10:00.001-07:00</published><updated>2011-03-31T07:11:28.604-07:00</updated><title type='text'>Navegar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-7RR0Jf2PtV8/TZSLFXNQ8sI/AAAAAAAACTY/37XsLucA_dk/s1600/12LoneSurv.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="187" width="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-7RR0Jf2PtV8/TZSLFXNQ8sI/AAAAAAAACTY/37XsLucA_dk/s320/12LoneSurv.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Navegar&lt;br /&gt;Não é preciso&lt;br /&gt;Como viver&lt;br /&gt;Não é preciso&lt;br /&gt;Nada neste mundo&lt;br /&gt;É preciso...&lt;br /&gt;Viver, morrer&lt;br /&gt;Tudo impreciso&lt;br /&gt;Ler Pessoa&lt;br /&gt;Não é preciso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Navegar é necessário...&lt;br /&gt;Viver, não...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Velas ao mar, pois então...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-7157978325300872345?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/7157978325300872345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=7157978325300872345' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7157978325300872345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7157978325300872345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/03/navegar.html' title='Navegar'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-7RR0Jf2PtV8/TZSLFXNQ8sI/AAAAAAAACTY/37XsLucA_dk/s72-c/12LoneSurv.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-1266594777499671175</id><published>2011-03-30T09:28:00.000-07:00</published><updated>2011-03-30T09:28:00.533-07:00</updated><title type='text'>Olhos de ressaca</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-xMyPbDzukNQ/TZNZ7-wndZI/AAAAAAAACTI/lEdDIfunoKQ/s1600/Ludivine.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="134" width="200" src="http://4.bp.blogspot.com/-xMyPbDzukNQ/TZNZ7-wndZI/AAAAAAAACTI/lEdDIfunoKQ/s200/Ludivine.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;Cefas Carvalho&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre fui apaixonado pela descrição que Machado de Assis fez de sua Capitu em “Dom Casmurro”, para mim o maior romance já escrito nestas terras brasileiras. A moça em questão – que enlouquece Bentinho de ciúmes e dúvidas – tem “o olhar oblíquo e dissimulado, olhos de ressaca”, segundo o gênio do Cosme Velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais normal que mulheres com este predicado me fascinarem, ainda que platonicamente. E nada ainda mais normal que o cinema – com suas musas – ser o veículo perfeito para este fascínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as paixões cinematográficas, recordo dos olhos de Capitu de Nastassja Kinski em muitos filmes. Também do olhar de Hanna Schygulla, musa de Fassbinder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas poucas atrizes encarnam o conceito “olhar de ressaca” como a francesa Ludvine Sagnier. Em pelo menos dois filmes ela desfila esse olhar “capituniano”: em “Swimming pool” (de Francois Ozon) ela encarna uma Lolita perversa e confronta a musa Charlotte Rampling. Em “Canções de amor”, musical de Christophe Honoré, ela vive uma burguesinha mimada que experimenta um ménage a trois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada fotograma de Sagnier exprime o olhar que Machado descreveu. A personagem Julie é ambígua, estranha, talvez cínica, talvez carente. Canta cinco músicas no filme, todas sobre (des)amor, relacionamento e ciúmes. Todas com o olhar de ressaca que, no filme, fascina homens e mulheres e confunde a própria família.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que o cinema francês sempre foi pródigo em musas. Há algumas décadas, Catherine Deneuve e o mito maior Brigitte Bardot. Nos anos oitenta, Isabelle Adjani e Juliette Binoche. Mais recentemente beldades talentosas como Julie Delpy, Emmanuelle Beart e Sophie Marceau. Sagnier pode ser a estrela da vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-1266594777499671175?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/1266594777499671175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=1266594777499671175' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1266594777499671175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1266594777499671175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/03/olhos-de-ressaca.html' title='Olhos de ressaca'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-xMyPbDzukNQ/TZNZ7-wndZI/AAAAAAAACTI/lEdDIfunoKQ/s72-c/Ludivine.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8207342002066523873</id><published>2011-03-17T11:43:00.000-07:00</published><updated>2011-03-17T15:00:19.852-07:00</updated><title type='text'>Brincadeira de criança</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-lpAYaz6bolA/TYJW05hAXlI/AAAAAAAACQs/M9SRVj2qt2Y/s1600/GATO_desenho_blog.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 158px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-lpAYaz6bolA/TYJW05hAXlI/AAAAAAAACQs/M9SRVj2qt2Y/s200/GATO_desenho_blog.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585121954685279826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cercado então o animalzinho, a brincadeira pode começar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Psss psss psss, vem cá bichano, que ninguém vai te machucar... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco garotos...um gato...o sol quente do verão...&lt;br /&gt;Férias, ócio... &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Que diabos, não temos o que fazer!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mas, há o gato, sim, o gato vira-lata preto e branco, sarnento&lt;br /&gt;Sujo! Quem liga para um gato de merda?&lt;br /&gt;Cercado então o animal...&lt;br /&gt;Um menino, o mais corajoso, o líder, pega o bichano pela cabeça...&lt;br /&gt;Um arranhão, sangue à vista, os meninos gritam...&lt;br /&gt;(eles ainda não sabem, mas sangue excita...)&lt;br /&gt;Por dentro, o sangue ferve...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritos (de guerra)...meninos gostam de brincar de guerra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gato olha em volta, olha...Os meninos riem...&lt;br /&gt;Em breve o gato não mais vai mais olhar para nenhum deles...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem outro menino - bonito, sorridente, sardas – com um canivete...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hesitação... V&lt;span style="font-style:italic;"&gt;ai você!...Eu não!...Mariquinhas!... Mariquinhas é você!&lt;br /&gt;Eu vou mostrar que sou homem, porra!...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um gesto decidido, uma fração de segundo.&lt;br /&gt;Um olho arrancado...um miado lancinante&lt;br /&gt;Risos... Alguns nervosos... Não é fácil mutilar nem mesmo um gato...&lt;br /&gt;(Mas, que merda, o sangue excita...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro olho arrancado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma massa de carne cega, sem direção, rumo à rua, se debatendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Risos, risinhos, tapinhas nas costas, um canivete sujo...&lt;br /&gt;O futuro da nação, senhoras e senhores...&lt;br /&gt;Advogados, médicos, jornalistas, Doutores, enfim!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Afinal, por que tanta confusão, meu caro, são só crianças!...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8207342002066523873?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8207342002066523873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8207342002066523873' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8207342002066523873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8207342002066523873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/03/brincadeira-de-crianca.html' title='Brincadeira de criança'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-lpAYaz6bolA/TYJW05hAXlI/AAAAAAAACQs/M9SRVj2qt2Y/s72-c/GATO_desenho_blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-2395593193673746376</id><published>2011-03-03T05:30:00.000-08:00</published><updated>2011-03-03T05:31:41.375-08:00</updated><title type='text'>O carnaval da minha dor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-1FmL_P-2Yk0/TW-YMM6pIUI/AAAAAAAACPc/hiQObF6f2SA/s1600/nova%2Bcolombina.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-1FmL_P-2Yk0/TW-YMM6pIUI/AAAAAAAACPc/hiQObF6f2SA/s200/nova%2Bcolombina.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579845798728376642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carnaval da minha dor começou em uma sexta-feira ensolarada como têm início os carnavais - sejam dolorosos ou não - em um ano qualquer e em uma cidade igualmente qualquer (o carnaval é igual em qualquer cidade quando o objetivo é sofrer, e não se alegrar. parafraseando Tolstói, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;todos os carnavais infelizes se parecem, os carnavais alegres é que são diferentes...&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;Mas, voltemos à minha dor... toda ela gerada pela Colombina, posto que eu era, novamente, o Pierrô. Há quantos carnavais vivíamos esta história insana, excitante, mal contada?... Havia uma década, suponho. Eu não sabia nada sobre ela, apenas seu nome - Miriam - que ela revelou por um deslize enquanto fazíamos amor embaixo do palco das autoridades que assistiam ao desfile das escolas de samba na cidade de... deixemos para lá. E chamemos minha amada de Colombina, que é como sempre a chamei e como ela gosta de ser chamada (isso a excita, presumo). &lt;br /&gt;O fato era que o que havia começado como uma fantasia (em todos os sentidos) passara a ser –pelo menos para mim – uma obsessão. Primeiro nos conhecemos, entre o confete, a serpentina, o álcool e o loló, como todos se conhecem durante a folia, entre a superficialidade e o desejo... depois o beijo, o desencontro e por fim o reencontro na noite de terça-feira e terminar a noite – e aquele carnaval – entre lençóis no meu quarto de hotel. Trocamos telefone, mas, para quê? Jamais nos telefonamos. A não ser na véspera do carnaval do ano seguinte, quando ela avisou que novamente se fantasiaria de Colombina e que queria me ver outra vez de Pierrô. Passamos o carnaval entre encontros e desencontros, ela com Arlequins, eu com Odaliscas... tentei brigar, mas ela só queria se divertir. Jurei que no carnaval seguinte não passaria mais por aquilo. Tolice. Uma semana antes da festa momesca, a Colombina me ligou dizendo em que cidade passaria o carnaval lá fui eu atrás dela, rumo a prazeres carnais rápidos e uma dose considerável de sofrimento. Identifiquei-me com a música... &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Um pierrô apaixonado, que vivia só chorando, por causa de uma colombina acabou chorando, acabou chorando...” (Pierrô Apaixonado, de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Lá pelo quatro ou quinto carnaval que passávamos da mesma maneira, encontrando e desencontrando entre ladeiras, becos e multidões, tomei coragem e a pedi em casamento. Ela riu, argumentando que eu sequer a conhecia e continuou sua caminhada de Colombina desvairada, à procura de outras bocas, outros braços, outros pierrôs... Mas, na quarta-feira de cinzas lá estava ela em meus braços... E eu tentando fazer com que nos víssemos em outro período que não no carnaval. Inútil. “Eu gosto das coisas assim...”, enfatizou, despindo suas roupas de Colombina. Enquanto ela pegava um táxi rumo ao aeroporto (já morávamos em cidades diferentes) &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"O pierrô apaixonado chora pelo amor da colombina..." (Pierrot, de Marcelo Camelo, da banda Los Hermanos)&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Passam os meses e fevereiro se aproximou, como sempre, trazendo consigo o Carnaval. Não telefonei para a Colombina e tampouco ela me ligou. Fiquei em minha cidade, e vesti-me de Pierrô – pela última vez – para pular sozinho meu carnaval. Eis que então que, entre lágrimas e cerveja, vi a Colombina – sim, só podia ser ela, era seu andar, seu jeito de mover os braços, de balançar os cabelos, de rir ao vento... - aos beijos com um Arlequim. Olhei fixamente para ela. Ela me viu e não esboçou qualquer reação. Era uma Colombina, mas, seria a minha Colombina? Que importava? Que mais havia a fazer? Comprei outra latinha de Skol e me entreguei à multidão que entoava uma marchinha qualquer, que aos meus ouvidos soava como a marcha fúnebre: eu estava condenado a ficar apaixonado pela imagem (literal e simbólica) da Colombina até o fim dos carnavais, ainda que toda Colombina que cruzasse meu infeliz caminho não fosse a minha... “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quanto riso, ó, quanta alegria, mais de mil palhaços no salão... O pierrô está chorando pelo amor da Colombina no meio da multidão...”&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-2395593193673746376?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/2395593193673746376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=2395593193673746376' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2395593193673746376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2395593193673746376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/03/o-carnaval-da-minha-dor.html' title='O carnaval da minha dor'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-1FmL_P-2Yk0/TW-YMM6pIUI/AAAAAAAACPc/hiQObF6f2SA/s72-c/nova%2Bcolombina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-6237755606486839964</id><published>2011-02-22T06:13:00.000-08:00</published><updated>2011-02-22T06:14:53.153-08:00</updated><title type='text'>Sobre “True Grit” ou Os Irmãos Coen nunca erram</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-D99shMJOUng/TWPE0UAyxfI/AAAAAAAACOk/fr_rw_4g1Pw/s1600/True-Grit-image-10392.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 128px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-D99shMJOUng/TWPE0UAyxfI/AAAAAAAACOk/fr_rw_4g1Pw/s200/True-Grit-image-10392.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576517166619084274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti ontem, segunda dia 21, ao filme  “Bravura indômita” e a primeira coisa a dizer sobre o filme é que ele deveria se chamar “Coragem verdadeira” ou “Um homem de caráter”, traduções aceitáveis para o “True grit” orginal. Por definição, “grit” é “firmeza de caráter”, “arrojo”. Também pode significar “brita”, “pedrinha”. Ok, a intenção da distribuidora era registrar que trata-se do remake do clássico de 1969, que deu o Oscar de ator a John Wayne (ele está ótimo naquele filme, mas suplantar Jon Voigt e Dustin Hoffman em “Perdidos da noite” e Richard Burton em “Ana dos mil dias” é brincadeira!).&lt;br /&gt;A consideração inicial me faz lembrar a vocação que as distribuidoras brasileiras tem para “traduzir” títulos de faroestes (geralmente colocando títulos ridículos ou sem-noção). Exemplos são "Shane", que virou “Os brutos também amam” e “My Darling Clementine (Paixão dos fortes). Mas, isso é assunto para outro artigo. Vamos ao “True grit”.&lt;br /&gt;Quase todo cinéfilo que o valha já discutiu a obra de Ethan e Joel, os irmãos Coen. Os fãs registram o óbvio: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;os Coen não erram, não fazem filmes ruins.&lt;/span&gt; Os detratores ou não-encantados com a dupla registram que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;eles podem não fazer maus filmes, mas nunca fazem nenhum filme realmente empolgante, arrebatador&lt;/span&gt;, por mais que ganhem prêmios (Uma palma de ouro em Cannes, Oscar de direção, dois Oscars de roteito, entre muitos outros).&lt;br /&gt;O dramaturgo paulista Mário Bortolotto chegou a ensaiar uma polêmica na rede social Facebook justamente afirmando que jamais se encantou profundamente com nada que os Coen fizeram. Lembraram que, em compensação, os Coen nunca erraram a mão como já o fizeram os mestres Fellini (“Cidade das mulheres”), Bergman (“O ovo da serpente”) e Chaplin (“Monsieur Verdoux”).&lt;br /&gt;Na verdade, na minha ótica os Coen fizeram, sim, um filme superlativo: “Onde os fracos não têm vez”, tradução banal e simplista para o poético “No country for old men”. Tudo ali funciona. Das interpretações magistrais de Javier Bardem e Tommy Lee Jones ao clima “seco” do filme (que sequer tem trilha sonora), passando pelo tema da ambição e estudando a violência dos dias de hoje. Tudo com fotografia e roteiro de primeira e o “estilo Coen” á última potência. Um clássico desde já.&lt;br /&gt;Agora, os Coen conseguem a façanha de produzir outro clássico instantâneo adaptando um romance estilo faroeste apenas razoável da década de 60 e que já tinha sido adaptado com sucesso. Quem leu o livro assinala que a adptação é fiel. Contudo, o filme tem o “estilo Coen”. Humor negro aos borbotões, personagens estranhos, cinismo, violência, a fotografia sempre fantástica de Roger Deakins, ótima direção de atores. Jeff Bridges está fantástico como o beberrão Rooster Cogburn.&lt;br /&gt;A trama é um apanhado de clichês do faroeste: jovem cujo pai foi assssinado contrata um pistoleiro policial federal para apanhar o criminoso. No caminho, problemas, desventuras e violência. Mas, dos clichês, os Coen (como Almodóvar) fazem um filme “deles”. No frigir dos ovos, os fãs dos Coen vão adorar. Os detratores vão encontrar o que criticar (os clichês, o bom mocismo de Cogburn no final, o tema escolhido, o fato de ser um remake). Enfim, mais de uma vez já assinalei que não assisto filmes com olho crítico. Gosto de autores e filmes por empatia e intuição. E os Coen mantiveram – em relação a mim -  a tradição de me fazer esperar o próximo filme deles, seja que tema for, seja com quem for. A esperar. E até lá, rever parte da obra da dupla, como “Barton Fink”, “Fargo” e “Gosto de Sangue”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-6237755606486839964?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/6237755606486839964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=6237755606486839964' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6237755606486839964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6237755606486839964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/02/sobre-true-grit-ou-os-irmaos-coen-nunca.html' title='Sobre “True Grit” ou Os Irmãos Coen nunca erram'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-D99shMJOUng/TWPE0UAyxfI/AAAAAAAACOk/fr_rw_4g1Pw/s72-c/True-Grit-image-10392.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-3607565691164100138</id><published>2011-02-15T06:42:00.001-08:00</published><updated>2011-02-15T06:48:44.836-08:00</updated><title type='text'>As leitoras de Renoir</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-LfKKe8I2p_Y/TVqRNsK_dQI/AAAAAAAACN8/AfelPEQUBxQ/s1600/Renoir.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 163px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-LfKKe8I2p_Y/TVqRNsK_dQI/AAAAAAAACN8/AfelPEQUBxQ/s200/Renoir.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573927153205998850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-ky0-A_0m_Cw/TVqRI8h9NbI/AAAAAAAACN0/Cx7kV5iJMAk/s1600/renoir51.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 263px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-ky0-A_0m_Cw/TVqRI8h9NbI/AAAAAAAACN0/Cx7kV5iJMAk/s320/renoir51.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573927071697941938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devoto que sou da pintura impressionista (como também o sou da literatura francesa do século 19), tenho Gauguin, Manet e Cezanne entre meus favotitos eternos. Mas, de todos os impressionistas, o meu favorito sempre foi Renoir. Não sou estudioso de artes plásticas, portanto, não gosto nem analiso por critérios e padrões técnicos. É gosto e empatia mesmo. Tem muito a ver em ter conhecido a obra de Renoir ainda criança (vale um agradecimento público aos meus pais por terem me comprado a coleção Gênios da Pintura quando eu tinha dez anos de idade) e pela impressão – perdão pelo trocadilho – que ele e os demais impressionistas me causaram. &lt;br /&gt;De Renoir, gosto de quase tudo. Da leveza de “Mulher com sombrinha” ao raios-X social de Paris em “O baile no moulin de La Gallete”. Mas, tenho encantamento mesmo é pelas leitoras de Renoir. Sim, o mestre pintou diversas telas em que jovens se dedicam (às vezes com atenção, às vezes negligentemente) à leitura de livros. Sempre imaginei que livros seriam aqueles. Romances da época? Poesias? Aquelas meninas preferiam Stendhal ou novelinhas água com açúcar?&lt;br /&gt;A devoção das leitoras de Renoir aos livros me remete a um trecho que li em algum livro de Balzac ou Stendhal (ah, maldita memória que me falha!). Dois jovens aristocratas parisienses conversam sobre a beleza e formosura de tal moça, quando um deles critica: “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ela é bela, mas culturalmente deixa a desejar. Tudo bem que sabe tocar piano e canta algumas árias de óperas. Também lê um pouco, pelo menos aqueles romances clássicos históricos que estão fora de moda...&lt;/span&gt;”&lt;br /&gt;Espere aí, então o rapaz considera a moça inculta porque ela &lt;span style="font-style:italic;"&gt;apenas &lt;/span&gt;toca piano, canta trechos de ópera e lia Alexandre Dumas e Walter Scott? Que se dirá das moçoilas de hoje, às voltas com as novidades do BBB, ascenção profissional, mundo fashion e novidades para o cabelo? Daí talvez meu fascínio pelas leitoras da Belle Epoque. O fascínio por uma cultura social – a da leitura – que parace estar morrendo, principalmente no Brasil, triste país dos trópicos em que ler em lugares públicos (praças, recepções de clínicas médicas, filas de banco) é não apenas raro e estranho, como visto com maus olhos. As leitoras, o impressionismo, Renoir, tudo parte de um mundo que parece cada vez mais ultrapassado e condenado ao fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-3607565691164100138?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/3607565691164100138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=3607565691164100138' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3607565691164100138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3607565691164100138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/02/as-leitoras-de-renoir.html' title='As leitoras de Renoir'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-LfKKe8I2p_Y/TVqRNsK_dQI/AAAAAAAACN8/AfelPEQUBxQ/s72-c/Renoir.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-4896334811389571701</id><published>2011-02-02T09:01:00.000-08:00</published><updated>2011-02-03T08:38:40.347-08:00</updated><title type='text'>Cada um vê o que quer</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TUmPCFUfWFI/AAAAAAAACM0/ZeSfFsvnagg/s1600/Fakeface.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 194px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TUmPCFUfWFI/AAAAAAAACM0/ZeSfFsvnagg/s200/Fakeface.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569139680170956882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TUmOek-fLsI/AAAAAAAACMs/X5Hdj1v4KyU/s1600/Relogio%2Btriste%2Bpareidolia.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 161px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TUmOek-fLsI/AAAAAAAACMs/X5Hdj1v4KyU/s200/Relogio%2Btriste%2Bpareidolia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569139070193315522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TUmOa9NXr2I/AAAAAAAACMk/fyZMOJ9REhQ/s1600/Rosto%2Bem%2BMarte.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 175px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TUmOa9NXr2I/AAAAAAAACMk/fyZMOJ9REhQ/s200/Rosto%2Bem%2BMarte.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569139007978712930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O recebimento de um e-mail sobre os supostos milagres contidos no manto de Nossa Senhora de Guadalupe e as posteriores discussões sobre o tema (nas redes sociais e na vida real) me levaram a retornar velhas pesquisas sobre o fenômeno da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;apofenia&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Na definição tradicional, Apofenia explica o fenômeno cognitivo de percepção de padrões ou conexões em dados aleatórios. Termo criado pelo professor alemão Klaus Conrad, em 1959, ele consiste em importante fator na criação de crenças supersticiosas, da crença no paranormal e em ilusão de ótica.&lt;br /&gt;Trocando em miúdos: cada um vê o que quer. De acordo com cada crença, histórico, medos e circunstâncias de vida, claro. Um cristão que vê o rosto de Jesus em uma mancha na janela ou no café derramado no chão, está vivendo o fenômeno da Apofenia. Mais exatamente, um tipo de Apofenia denomonada Pareidolia.&lt;br /&gt;Em definição, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pareidolia &lt;/span&gt;descreve um fenômeno psicológico que envolve um vago e aleatório estímulo (em geral uma imagem ou som) sendo percebido como algo distinto e significativo. Exemplos comuns incluem imagens de animais ou faces em nuvens, em janelas de vidro e em mensagens ocultas em músicas executadas do contrário.&lt;br /&gt;Estudando o tema, leio que “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;ocorrências de apofenia frequentemente são investidas de significado religioso e/ou paranormal ocasionalmente ganhando atenção da mídia”&lt;/span&gt;. Isso explica porque tantas pessoas vêem os rostos e Jesus ou Maria em qualquer coisa: panos velhos, árvores, manchas de óleo, paredes com infiltração. &lt;br /&gt;É famosa a imagem do “rosto em Marte”, que muitos garantem ser a imagem de Cristo. Na verdade, trata-se da foto de uma cratera marciana que, no ângulo que foi tirada e com as devidas sombras, se assemelha a um rosto humano graças justamente à pareidolia.&lt;br /&gt;Antropólogos registram  que, por carga genética, o ser humano procura ver faces humanas em tudo, como uma tentativa instintiva de estar perto da própria espécie. Isso explica porque vemos o “relógio triste” (como na foto acima). E também porque bastam um circulo, dois pontos e uma linha para termos a impressão (ou a certeza) que trata-se de um rosto humano.&lt;br /&gt;Pesquisando mais sobre o tema, leio que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“em situações simples e ordinárias, este fenômeno fornece explicações psicológicas para muitas ilusões da mente como, por exemplo, as visões de OVNI alienígenas, mensagens gravadas ao contrário em músicas, Monstro do Lago Ness, Pé- Grande e a face de Jesus em Marte”&lt;/span&gt;. Ou seja, como o ser humano não consegue viver sem a presença de sobrenatural, da-lhe apofenia e criatividade para cada um ver o que lhe aprouver...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-4896334811389571701?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/4896334811389571701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=4896334811389571701' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4896334811389571701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4896334811389571701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/02/cada-um-ve-o-que-quer.html' title='Cada um vê o que quer'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TUmPCFUfWFI/AAAAAAAACM0/ZeSfFsvnagg/s72-c/Fakeface.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-6270956429304380163</id><published>2011-01-18T06:35:00.000-08:00</published><updated>2011-01-18T06:37:45.835-08:00</updated><title type='text'>Ninho de mafagafos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TTWlmuFFxOI/AAAAAAAACK4/DzGvP4aZS4Y/s1600/image-work-corneille_oiseau-1589-450-450.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TTWlmuFFxOI/AAAAAAAACK4/DzGvP4aZS4Y/s200/image-work-corneille_oiseau-1589-450-450.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563534999309108450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou cedo, antes mesmo de o sol nascer por completo, colocou a mochila nas costas e saiu para a mata, com o objetivo de capturar mafagafos. Pássaro arisco, de vôo curto, mas muita agilidade e percepção aguda do perigo, o mafagafo desafiava caçadores e pesquisadores. A tal ponto que muita gente acredita que ele não passa de uma lenda infantil, um mero trava-língua. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Num ninho de mafagafos/ tinha sete mafagafinhos/quem os desmafagafizar/bom desmafagafizador será...&lt;/span&gt; Quanto a ele, não era nem caçador nem pesquisador. Era um obdecado. Tinha como missão desmafagafizar um mafagafo. Sabia como proceder e tinha, na mochila, os apetrechos necessários para tal. De maneira que saiu confiante em sua empreitada. Enquanto andava, riu baixinho lembrando-se das lendas que cercevam o mafagafo. Incrível que milhões de pessoas não soubessem de sua existência. Acaso seriam o ornitorrinco, o kiwi e o celacanto animais igualmente imaginários? Inclusive, o mito dos mafagafos denotava falta de leitura, desconhecimento mesmo, pensava ele. Tanto Sérgio Buarque de Hollanda como Gilberto Freyre citaram – embora de passagem, reconheça-se – o mafagafo em alguns dos seus escritos (os menos célebres, também era verdade), ele havia lido. Câmara Cascudo cita os mafagafos em seu livro Folclore no Brasil (mas não na 1ª edição pelo Fundo de Cultura, Rio, 1967, mas, sim, em uma reedição revisada de 1976, pela obscura editora Pegasus, onde os mafagafos são citados no capítulo 22, lembrava ele). Também recordou a primeira vez que saíra pelas matas sem fim para caçar mafagafos, anos antes, pouco depois que a esposa o abandonara. A partir daí, não obstante as agruras e surpresas da vida, dedicara-se a pegar mafagafos para os desmafagafizar. Naquela manhã estava disposto a realizar a  maior caçada de mafagafos da sua vida. Procuraria não os mais comuns, de coloração laranja, mas os raros, de coloração acinzentada e bico curvo. Horas após percorrer a mata,  que lhe parecia labiríntica, circular, achou uma árvore com ninhos nos galhos mais altos que pareciam ser de  mafagafos. Tentou subir na árvore, mas o braço machucado não permitiu que o fizesse. Tão perto do ninho de mafagafos e não sabia como subir até o cume da árvore. Observou, próximo à árvore, um machado, milagrosamente esquecido na mata.  Não pensou duas vezes e, com o instrumento nas mãos – mesmo com a dor no braço – iniciou a derrubada da árvore a fim que o ninho dos pássaros caísse ao chão. De súbito. Quando efetuava o corte do tronco, mãos fortes o seguraram por trás. Tentou desvencilhar-se, mas, sentiu uma picada no braço e em seguida, uma dormência seguida de sono, sensação já experimentada tantas outras meses. Descordado, foi conduzido para sua cama no quarto 14 no sanatório municipal. E o ninho de pardais continuou firme entre os galhos da mangueira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-6270956429304380163?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/6270956429304380163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=6270956429304380163' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6270956429304380163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6270956429304380163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/01/ninho-de-mafagafos.html' title='Ninho de mafagafos'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TTWlmuFFxOI/AAAAAAAACK4/DzGvP4aZS4Y/s72-c/image-work-corneille_oiseau-1589-450-450.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-6699937658369811888</id><published>2011-01-11T07:16:00.001-08:00</published><updated>2011-01-11T07:17:29.439-08:00</updated><title type='text'>Ad eternum</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TSx0fOfV6kI/AAAAAAAACKQ/3XuJGS9JAMo/s1600/Schiele34.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 233px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TSx0fOfV6kI/AAAAAAAACKQ/3XuJGS9JAMo/s320/Schiele34.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560947719710042690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Minha receita para a vida eterna é simples:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cicuta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cianureto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estricnina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Queres de mim, o eterno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queres do mundo, o infinito&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, como tudo poderia ser tão simples:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Punhal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Navalha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guilhotina...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-6699937658369811888?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/6699937658369811888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=6699937658369811888' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6699937658369811888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6699937658369811888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2011/01/ad-eternum.html' title='Ad eternum'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TSx0fOfV6kI/AAAAAAAACKQ/3XuJGS9JAMo/s72-c/Schiele34.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-2777376544677384485</id><published>2010-12-21T09:06:00.000-08:00</published><updated>2010-12-21T09:08:19.999-08:00</updated><title type='text'>Morte em vida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TRDe-COI5HI/AAAAAAAACJE/xLpMOl5I3Dk/s1600/Melting.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 174px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TRDe-COI5HI/AAAAAAAACJE/xLpMOl5I3Dk/s200/Melting.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553183497877251186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela chamava-se Eurídice. Isto é, ela se chama Eurídice, afinal, ainda não morreu. Pelo menos não tecnicamente. Mas, e daí? Tantas pessoas parecem mortas em vida, enclausuradas em catacumbas de dor, remorso e solidão. Mas, isso não vem ao caso, pelo menos não as mortes (em vida) alheias. Quero falar de mim e de Eurídice e é isso que farei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci-a em um sarau literário, entre poesias insossas e drinques de maracujá igualmente enjoativos. Ela se aproximou de mim para comentar uma resenha que eu havia escrito sobre um livro de Faulkner. Mas, na verdade, jamais havia lido Faulkner, como vim a descobrir horas depois. Mas, não importava. Eu já estava caído de amores por ela. Era professora de francês e estudava grego, talvez para honrar o próprio nome.&lt;br /&gt;Casamo-nos três meses depois daquele sarau.&lt;br /&gt;Passamos a lua de mel em Petrópolis, mágica e fria cidade do estado do Rio de Janeiro. Na verdade, e lua de mel durou quase meio ano, tempo em que os demônios não tiveram acesso ao nosso mundo.&lt;br /&gt;Contudo, toda Eurídíce deve ter seu quinhão de inferno. Descobri isso quando ela explodiu em ira ao ser demitida da escola de idiomas onde trabalhava. Entre xícaras quebradas, jurou de morte a diretora que a demitira e enfurnou-se em casa. Claro que imaginei que a fúria teria vida breve. Contudo, uniu-se a outro problema: a morte do gato que ela criava, envenenado por algum vizinho sem caráter.&lt;br /&gt;Os dias passavam e o idílio inicial cedia lugar a uma melancolia agressiva por parte de Eurídice. Sugeri uma viagem – mesmo com nossa situação financeira não sendo das melhores – mas, ela recusou. Também não quis tentar outros empregos. Limitava-se a estudar grego e tentar traduzir trechos da Odisséia. Aos poucos, começou a negligenciar a aparência, as roupas, a casa, enfim. &lt;br /&gt;Uma noite, tentou correr para a rua, para recitar versos de Homero para os mendigos, segundo ela. Foi quando percebi que havia enlouquecido. Procurei sua família para me aconselhar. Admitiram que ela já havia sofrido acessos semelhantes na adolescência, mas, imaginaram que já estivesse curada. &lt;br /&gt;Decidimos – aliás, a família decidiu – interná-la em uma clínica séria e moderna, em um município vizinho. Em uma manhã ironicamente bela e ensolarada, foram buscá-la para o tratamento. Ela esperneou, agrediu fisicamente os médicos, teve de ser sedada.&lt;br /&gt;Passei uma semana deprimido, em casa. Depois, tentei voltar a algo que se podia chamar de vida normal. Uma vez por semana visitava Eurídice na clínica. Parecia cada vez pior. Até que uma vez não me reconheceu mais. Um mês depois, um médico disse que ela havia tentado se matar com um pente. Estava morta em vida, na verdade, e talvez um resquício de sanidade tentava terminar de vez com aquela vida sem vida.&lt;br /&gt;Repito, tentei voltar à vida normal. Comecei a ir ao cinema, jantar fora, revi os amigos. Mas, nada era mais a mesma coisa. A imagem de Eurídice me voltava à mente com freqüência. Perdi a vontade de sair. Afastei-me dos amigos. Aos poucos, enfurnei-me em casa – como ela havia feito – e percebi que também não tinha mais vontade de fazer nada. Talvez, nem mesmo de viver.&lt;br /&gt;Em visita a Eurídice, fui informado que ela havia tentado se matar novamente e estava sedada. Seu estado era preeocupante e me explicaram com um emaranhado de palavras a doença dela etc e tal.; Mas, eu já não ouvia nada, já não queria saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que ela está viva? Que o desgraçado leitor deste relato decida-o por si só. Quanto a mim, posso dizer que morri há muito. Ora, mais uma vez ele recorre ao eufemismo da morte em plena vida, haverão de pensar, talvez cvom certo tédio. Não culpo quem pense assim. Eu mesmo cansei desta imagem, desgastada por si só e, em última instância, ilusória, já que o morto em vida come, bebe, por vezes ri, defeca e dorme - ocasionalmente sonha - como qualquer um. Daí minha decisão final, pensada e articulada. escrevo este derradeiro relato em cima de um tamborete de madeira. Com uma corda apertada em laço e nó no pescoço e tranapassada em uma viga de madeira no teto, na granja deserta de um tio, onde eu e Eurídice havíamos passado momentos maravilhosos. Se posso alongar este relato para brincar com a morte e, talvez, esperar que algo aconteça e me salve? Claro. Mas, não o farei. Basta finalizá-lo agora, largar o caderno, chutar o tamborete onde estou e esperar que o impacto e a corda me transportem da morte em vida – onde estou – para a morte real. E ponto final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-2777376544677384485?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/2777376544677384485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=2777376544677384485' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2777376544677384485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2777376544677384485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/12/morte-em-vida.html' title='Morte em vida'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TRDe-COI5HI/AAAAAAAACJE/xLpMOl5I3Dk/s72-c/Melting.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-9038168316522224350</id><published>2010-11-30T04:21:00.000-08:00</published><updated>2010-11-30T04:28:00.140-08:00</updated><title type='text'>Quarteto de degustação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TPTtuzoi0-I/AAAAAAAACGc/TC9lGZ8JWYo/s1600/Goya_War4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 242px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TPTtuzoi0-I/AAAAAAAACGc/TC9lGZ8JWYo/s320/Goya_War4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545318429589951458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me engole e devora&lt;br /&gt;É o súbito, o indigitado&lt;br /&gt;O alimento que me apavora&lt;br /&gt;O vômito regurgitado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me tange e apascenta&lt;br /&gt;É o cajado, adestrado&lt;br /&gt;Cujo golpe me arrebenta&lt;br /&gt;Como o verbo bem amado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me desce à garganta&lt;br /&gt;É a vida, mal mastigada&lt;br /&gt;Que ainda nos espanta&lt;br /&gt;E faz de nós quase nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me sustenta e redime&lt;br /&gt;É o verso em decomposição&lt;br /&gt;Como quem comete um crime&lt;br /&gt;E sonha com a redenção&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-9038168316522224350?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/9038168316522224350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=9038168316522224350' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/9038168316522224350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/9038168316522224350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/11/quarteto-de-degustacao.html' title='Quarteto de degustação'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TPTtuzoi0-I/AAAAAAAACGc/TC9lGZ8JWYo/s72-c/Goya_War4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-3784637159468981092</id><published>2010-11-11T06:31:00.000-08:00</published><updated>2010-11-11T06:32:28.710-08:00</updated><title type='text'>Celluloid &amp; music</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TNv-dDAC7mI/AAAAAAAACEA/ZabpIO6Y700/s1600/casablanca01.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 244px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TNv-dDAC7mI/AAAAAAAACEA/ZabpIO6Y700/s320/casablanca01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5538299941757316706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Take my brath away&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mesmo em ingles, sei!&lt;br /&gt;O que me tira a respiração...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;As time goes by&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E então, amor, vai!&lt;br /&gt;Faz do tempo, ilusão...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-3784637159468981092?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/3784637159468981092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=3784637159468981092' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3784637159468981092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3784637159468981092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/11/celluloid-music.html' title='Celluloid &amp; music'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TNv-dDAC7mI/AAAAAAAACEA/ZabpIO6Y700/s72-c/casablanca01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-4570669625750636769</id><published>2010-11-01T10:07:00.000-07:00</published><updated>2010-11-01T10:08:58.872-07:00</updated><title type='text'>Que os mortos enterrem os mortos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TM70IpJjg8I/AAAAAAAACCw/UML8QAGYFL0/s1600/detailofself-portraitbylucienfreud.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 147px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TM70IpJjg8I/AAAAAAAACCw/UML8QAGYFL0/s200/detailofself-portraitbylucienfreud.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534629421406979010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odiava o Dia de Finados. Aquela data em tudo atrapalhva sua tranqüilidade e seu bem estar, valores que, depois de tudo que passara, ele prezava muito. Por que lembrar os mortos?, ele costumava se perguntar. Lágrimas e recordações nem fariam os mortos retornarem à vida e nem serviriam para coisa alguma no além-vida. Melhor seria que os vivos cuidassem das coisas da vida, como, aliás, preconizava o livro sagrado dos Cristão e o próprio bom senso. Contudo, não poderia se furtar e viver mais aquele Dia de Finados, a se fazer presente no cemitério. Mais quem uma obrigação, mais que uma necessidade, sentia apenas que deveria se fazer presente no cemitério. Talvez por respeito às pessoas, talvez por aquele estranho senso de obrigação que desenvolvemos em relação a alguns aspectos da vida. Diante de tantas reflexões e da celeridade da hora, terminou por se resolver e comparecer ao cemitério. Não lhe agravada estar em meio a túmulos, lápides, cruzes, mármore e flores. Detestava o cheio de flores e na verdade, mal se dava conta que não aspirava mais o cheiro delas, o que sentia era a lembrança do cheiro das flores. Observou sua esposa aos prantos – ela chorava por tudo, afinal – e seus dois filhos simulando tristeza e mal disfarçando a vontade de ir embora. Morrera havia quatro anos e – somente quando evocado no dia 2 de novembro - não conseguia ficar em paz em meio às trevas e ao nada que tanto lhe agradavam. Como odiava o Dia de Finados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-4570669625750636769?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/4570669625750636769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=4570669625750636769' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4570669625750636769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4570669625750636769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/11/que-os-mortos-enterrem-os-mortos.html' title='Que os mortos enterrem os mortos'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TM70IpJjg8I/AAAAAAAACCw/UML8QAGYFL0/s72-c/detailofself-portraitbylucienfreud.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-4467597698164819690</id><published>2010-10-15T08:37:00.000-07:00</published><updated>2010-10-15T08:40:04.686-07:00</updated><title type='text'>O encontro marcado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TLh1x-6I9_I/AAAAAAAACBQ/PzGgBiB-WBI/s1600/lucrezia-borgia.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 163px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TLh1x-6I9_I/AAAAAAAACBQ/PzGgBiB-WBI/s200/lucrezia-borgia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5528298044158179314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia um sonho. Talvez o fosse. O convite para sair – uma cerveja, um jantar, talvez uma pizza – se assemelhava a uma irrealidade. Havia quanto tempo não recebia um convite daquela natureza? &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não, Raquel, você deve estar sonhando&lt;/span&gt;, disse, em voz alta para si mesma, enquanto fazia com o lápis o contorno dos olhos. &lt;br /&gt;Olhando seu reflexo no espelho, sentiu-se aliviada por não estar com olheiras. Dormira cedo na noite anterior, beneficiada por uma leva enxaqueca e pelo movimento fraco na casa. Quando dormia tarde acordava com olheiras imensas que perduravam até a noite, lhe conferindo aparência mais envelhecida que a de seus vinte anos.&lt;br /&gt;Conferiu mais uma vez o bilhete que Rômulo havia lhe escrito no verso de uma comanda de bar. Você é linda. Beijo. Rômulo. Não recebia uma mensagem romântica de verdade, havia quantos anos, meu deus do céu? &lt;br /&gt;Conhecera Rômulo havia dez dias. Tímido, sentou-se sem olhar com atenção à sua volta e pediu uma cerveja. As outras meninas mal o perceberam, mas ela encantou-se com seu embaraço, seu cabelo mal penteado e seus enormes olhos acastanhados. Inventou um pretexto (Você tem cigarro?) para sentar-se à mesa dele. Passada a timidez inicial, a conversa fluiu e ele se mostrou educado, interessado em sua vida e cobriu-lhe de elogios. Teve que ir embora uma hora depois, mas, deixou pagas duas cervejas para ela. Prometeu voltar.&lt;br /&gt;E voltou. Três dias depois, Raquel chegou ao bar e o viu sentado a uma mesa isolada, olhando fixamente para um ponto na parede. Desta feita, não precisou de pretextos e abordou-o como se fossem velhos amigos. Conversaram sobre a vida, riram, ele teve paciência para ouvir seus desabafos. Ele não parecia pertencer àquele ambiente. Por sua vez, sentia que ele pensava o mesmo em relação a ela. Por mais que ela precisasse de dinheiro, por mais que a casa estivesse cheia e ela não pudesse ficar apenas à mesa dele, Raquel sentiu uma festa no coração quando ele a convidou para jantar dali a alguns dias. Sim, um jantar, com direito a pizza, cerveja (ou vinho, que ela adorava), e não um programa, ele deixou bem claro. &lt;br /&gt;No intervalo de dias entre o convite e a noite do jantar, Raquel realizou um inventário sobre sua vida. Entrara naquele estranho universo havia dois anos, incentivada por uma amiga que despertava inveja por ganhar em dois dias o que as vizinhas recebiam por um mês de trabalho. De início, era apenas uma aventura. Ganhara algum dinheiro, não passara por maus bocados, chegara a se divertir um pouco. Depois, venho a segunda vez (“Quem faz uma, faz duas”, ria a amiga) até que, quando percebeu, estava fazendo um programa por semana e com uma espécie de “carteira de clientes”. Pagava as contas e tinha dinheiro para mandar para a mãe, que morava no interior, isso era certo, mas, também gastava mais do que deveria (cigarros, perfumes em excesso, roupas caras, sapatos...) até que, mal sabia como, acabou por estabelecer-se uma casa (com vários nomes, mas, conhecida como “boate”), o que lhe dava – pelo menos aparentemente – mais segurança e possibilidades de ganhar dinheiro. Pensara em passar um mês na boate e lá estava havia quase oito meses, que se passavam sem sobressaltos e sem boas novas. Apenas na rotina de trabalhar até as quatro da manhã (ou até quando houvesse clientes na casa), arrastar-se para a quitinete que chamava de “minha casa” e acordar depois do meio dia para juntar os cacos da sua vida até a hora de reiniciar o trabalho, às sete da noite.&lt;br /&gt;Até que Rômulo surgiu.&lt;br /&gt;Era para ele se pintava – de forma discreta, não exagerada – e imaginava para onde iriam. Ao telefone, ele disse que havia economizado dinheiro e que pensou em um restaurante sofisticado. Falou de dormirem em um hotel, caso ela não quisesse ir à casa dele. &lt;br /&gt;Olhou-se no espelho. Ainda eram dezenove horas. O encontro estava marcado para as vinte e trinta. Como Rômulo não tinha carro, combinaram se encontrar em uma praça, no Centro da cidade, para, de táxi, jantarem, passearem pela orla.&lt;br /&gt;Enfim, sentindo-se linda como nunca, considerou-se arrumada. Pegou a bolsa e saiu. Eram dezenove e dez, havia tempo de sobra, Rômulo talvez ainda estivesse trabalhando. Decidiu passar na boate, para ver as amigas (na verdade, para esfregar sua felicidade incontida nas amigas que teriam de trabalhar no salão naquela noite) e para carregar a bateria do seu celular, antes que descarregasse.&lt;br /&gt;Lá, tratou de espalhar sua alegria como quem atira arroz em recém-casados. Riu, falou sobre Rômulo, ouviu piadas maliciosas das colegas, trocou o sapato por um, de uma amiga, com o salto maior.&lt;br /&gt;Para descontrair (estava nervosa com a proximidade do encontro. Havia quanto tempo não tinha um encontro sem envolvimento financeiro?...), pediu um rum com coca-cola. Sentou-se à mesa com uma colega, que reclamava da falta de dinheiro, quando dois homens entraram no salão, sentaram-se a uma mesa e acenaram com a mão para Raquel e a amiga. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eu tenho um compromisso&lt;/span&gt;, reagiu Raquel. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sente-se comigo só uns vinte minutos para quebrar o gelo. Quero ver se faço um programa com um deles e aí você vai embora&lt;/span&gt;, pediu a amiga. Raquel concordou. Na mesa com os homens, teve de agüentar as perguntas de sempre, os comentários de sempre, a mão na perna, o alisar de cabelos e teve ganas de sumir daquele lugar. Suportou meia hora para ajudar a amiga e preparava-se para sair quando o dono da boate chamou-a ao balcão. Raquel descobriu que um dos seus clientes telefonara para ele para saber se ela estava na casa. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hoje nem é meu dia de trabalho, tenho um compromisso daqui a pouco&lt;/span&gt;, explicou.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sim, minha filha, mas, dinheiro a gente não joga fora não. Deixe-o chegar, peça umas bebidas e tente levar uma menina que o agrade para a mesa, aí depois você vai para seu compromisso&lt;/span&gt;, argumentou.&lt;br /&gt;Sem poder de reação (estava devendo ao dono da boate) concordou e tão logo o cliente chegou, Raquel sentou-o a uma mesa e explicou que teria de ir, mas que o deixaria em boa companhia. Conseguiu fazê-lo, mas, tendo que ouvir antes algumas piadas sem graça e alguns desabafos sobre a vida, perdeu mais tempo que o esperado. Olhou para o relógio:  20h20. Vou pegar um táxi, pensou. Contudo, já na rua – mal iluminada e deserta, como convinha – nenhum táxi. Andou – atrapalhada pelo salto alto com que não estava acostumada – até o posto de táxi mais próximo. Nenhum no ponto. Decidiu andar um quarteirão até a parada de ônibus mais próxima. Eram 20h35. Percebeu que naquele trecho os ônibus para o centro demorariam a passar e começou a se desesperar. Decidiu ir andando até o centro. Já conseguira fazer aquele percurso em vinte minutos, seria melhor que esperar o maldito ônibus! Começou a andar quando se lembrou de passar uma mensagem para Rômulo, avisando que estava a caminho.&lt;br /&gt;O celular desligara, estava descarregado. Esquecera-se de carregar a bateria.&lt;br /&gt;Hesitou entre caminhar rapidamente – se é que isso era possível com aquele salto! – ou parar em algum bar e pedir para carregar o celular durante dez minutos, tempo suficiente para poder ligar para Rômulo ou passar-lhe uma mensagem. &lt;br /&gt;Acabou não fazendo nem uma coisa nem outra. Parou para pensar e desesperou-se ao ver passar um taxi vazio. Então, decidiu tirar os sapatos e caminhar até o centro. Quando chegasse perto da praça, os colocaria nos pés, entraria em um bar nas imediações para olhar-se no espelho (estaria descabelada? A maquiagem estaria desfeita?) e garantir que estaria linda para Rômulo.&lt;br /&gt;Ofegante – o caminho para o centro tinha ladeiras e subidas – Raquel chegou na rua que antecedia a praça. Calçou os sapatos e olhou o relógio, eram 21h20. Mesmo com quase uma hora de atraso, não queria estar feia ao encontrar Rômulo e manteve a decisão de entrar no bar para ver como estava. Ajeitou-se rapidamente, e foi para a praça. Ele não estava lá. Na expectativa que ele tivesse isso comprar cigarros e voltasse, esperou quase meia hora. Um pouco antes das dez da noite, concluiu que ele não voltaria e que o mais sensato a fazer era tentar carregar o maldito celular. Voltou ao bar e conseguiu fazê-lo. Quinze minutos depois, percebeu – com o celular já ligado – que Rômulo fizera quatro ligações para seu número. Teve medo de ligar para ele e preferiu passar uma mensagem: “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Meu amor, me perdoe pelo atraso. Ligue para mim. Beijos&lt;/span&gt;”.&lt;br /&gt;Sentou-se no meio fio, esperando um retorno. Dez minutos depois, ouviu o ruído que indicava a chegada de mensagens. Com o coração aos pulos, leu a mensagem: “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Me esqueça&lt;/span&gt;”. &lt;br /&gt;Raquel pediu um copo d´água no bar e viu um táxi parado em frente ao local. Pagou a corrida até a boate. Lá, pediu um conhaque sem gelo, abriu o botão da blusa para deixar parte de seus seios à mostra e sentou-se a uma mesa, olhando para os clientes que chegavam e pensando na longa e amarga noite que teria pela frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-4467597698164819690?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/4467597698164819690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=4467597698164819690' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4467597698164819690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4467597698164819690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/10/o-encontro-marcado.html' title='O encontro marcado'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TLh1x-6I9_I/AAAAAAAACBQ/PzGgBiB-WBI/s72-c/lucrezia-borgia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-6786315994629542024</id><published>2010-09-13T09:18:00.000-07:00</published><updated>2010-09-13T09:23:51.631-07:00</updated><title type='text'>As nuvens</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TI5PVYKL8EI/AAAAAAAAB84/gNyd5gIvflM/s1600/monet-la-promenade-sur-la-falaise.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TI5PVYKL8EI/AAAAAAAAB84/gNyd5gIvflM/s200/monet-la-promenade-sur-la-falaise.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516433822256459842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amava a esposa. Sabia de suas qualidades e as reconhecia sendo, igualmente, um bom marido. Contudo, aborrecia-se com a falta de memória de Tânia.&lt;br /&gt;Nada grave. Tânia era profissional competente – publicitária de primeiro escalão – com vida social e cultural intensas. Era bela e atraente, dona de olhinhos miúdos que pareciam mudar de cor de acordo com seus humores. Mas, para Augusto, professor universitário dos mais conceituados na cidade, a falta de memória da mulher amada lhe doía como uma ferida não cicatrizada.&lt;br /&gt;Claro que ele, com a sensatez que lhe era peculiar, raciocinava que ninguém tem a obrigação de se lembrar de tudo. Se ele sentia prazer em recordar datas, citações, nomes, números (era professor de filosofia, que fique explicado), não poderia exigir o mesmo da esposa.&lt;br /&gt;Porém, mais que a falta de memória, Augusto reprova em Tânia o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;desrespeito para com a memória&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Posso explicar: em uma reunião social, regada a queijos e bons vinhos, como costumavam, fazer, uma amiga comentava com Tânia sobre um amigo em comum que fora morar em Portugal. A amiga pergunta se Tânia recorda que estudaram juntos os três e que foram juntos a um congresso em Manaus. Tânia responde que sim, se lembra, e registra que naquele congresso um outro amigo em comum passara mal e tivera que ser internado. Imediatamente a amiga responde que não, Tânia está confundindo. O amigo internado o fora em Salvador, em outro congresso anos depois. Tânia insiste. Foi em Salvador, eu me lembro. A amiga pacientemente descreve o hospital e o bairro onde está localizado, e registra que após visitarem o amigo foram para o Pelourinho, provando que, obviamente, ela está com a razão. Tânia ri inocentemente, toma mais um gole de vinho e comenta: Ah, foi em Salvador. Mas, o que se importa? Poderia ter sido em Manaus ou em qualquer outro lugar...&lt;br /&gt;Augusto já fora vitimado pela falta de memória (corrijo-me: pelo desrespeito à memória) da esposa. Em mais de uma ocasião, Tânia trocara datas e locais onde passaram férias. Em certa feita, tendo bebido mais do que devia em uma festa, fincou pé que um determinado momento que haviam vivido em Pipa (e ele tinha certeza disso) na verdade acontecera em Porto de Galinhos. Para não constranger a mulher, Augusto assumiu o engano. Mas – rigoroso que era não apenas com seus conhecimentos, mas, com sua memória – engoliu com dificuldade o fato.&lt;br /&gt;Para ele, a memória (ou melhor, os fatos evocados por esta memória) era como equações matemáticas. Mais que isso: era granito, mármore. &lt;br /&gt;Para ela, os fatos (sinônimo de memória neste texto) eram como nuvens. A cada momento mudavam de posição e formato.&lt;br /&gt;(Abro um parêntese para registrar o desespero que se apossava de Augusto ao ver, com o passar dos anos, as histórias de Tânia se modificarem, tal como acontece naquela brincadeira de infância conhecida como telefone sem-fio. Quando se conheceram, Tânia falava em um ex-namorado com quem tivera um romance durante dois anos e com quem viajara para Porto Seguro. Anos depois, vindo o nome do ex-namorado à tona por uma razão corriqueira qualquer, o namoro com o rapaz tinha durado um ano, segundo Tânia, e depois ela recordou que viajara para Porto Seguro com uma amiga e o namorado desta.&lt;br /&gt;Outro homem poderia se dar por feliz pelo fato da esposa lembrar com tão pouca nitidez dos romances do passado. Mas, não Augusto. Aquilo lhe aborrecia por 1) O amor aos fatos e às datas ser superior ao ciúme, principalmente o retroativo, que ele achava absurdo e infantil. 2) Porque sabia que um dia poderia chegar a vez dele! Afinal, nada garantia que o casamento deles seria eterno. Era tão comum casais se separarem. Contudo, ele próprio sabia que jamais esqueceria os momentos que viveu com Tânia. E a experiência lhe mostrara que, tão logo se recuperasse da dor inicial inerente à qualquer separação, Tânia transformaria toda a bagagem de coisas que viveram em uma massa disforme de lembranças)...&lt;br /&gt;Augusto começou, aos poucos, claro, a perceber que as sensações geradas pela falta de memória/desrespeito à memória da esposa lhe estavam fazendo mal. Não conseguia falar sobre o assunto. Também se espantava com o fato de Tânia não perceber o quanto aquilo o desagradava. Mas, não haveria como perceber nada, afinal, elegantemente Augusto não demonstrava seu descontentamento.&lt;br /&gt;Em uma noite particularmente quente, quando os filhos pré-adolescentes haviam saído, decidiram sentar à varanda com um balde de cervejas e alguns petiscos. Tânia afagou a cabeça do marido e perguntou o que aquilo recordava. Ele não soube dizer e teve medo da resposta da mulher. Tânia então recordou que ele a pedira em noivado na casa dela, justamente com um cenário igual aquele: um balde de cervejas, azeitonas e queijos. Augusto brincou: Você nem lembra a data. Tânia imediatamente disse a data exata do pedido de noivado. Descreveu a roupa que usava na ocasião: um vestido florido que depois do casamento havia virado pano de chão. &lt;br /&gt;Augusto bebeu - no gargalo - um longo gole da cerveja e sorriu para a esposa, achando-a bela como nunca. Em seguida, arrastou-se para o som para colocar um CD de Bille Holiday. Como havia feito naquela noite – do pedido de noivado – catorze anos antes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-6786315994629542024?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/6786315994629542024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=6786315994629542024' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6786315994629542024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6786315994629542024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/09/as-nuvens.html' title='As nuvens'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TI5PVYKL8EI/AAAAAAAAB84/gNyd5gIvflM/s72-c/monet-la-promenade-sur-la-falaise.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8921807965139432024</id><published>2010-09-02T12:17:00.000-07:00</published><updated>2010-09-02T12:20:08.296-07:00</updated><title type='text'>Nem só de Pokemons e Disney vive a animação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TH_43Ej4_oI/AAAAAAAAB7Q/8Vy_TBfs4ds/s1600/mary_and_max1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 128px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TH_43Ej4_oI/AAAAAAAAB7Q/8Vy_TBfs4ds/s200/mary_and_max1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5512398093925547650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TH_4w0JnOEI/AAAAAAAAB7I/V--ToGUlfOI/s1600/persepolis-poster1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TH_4w0JnOEI/AAAAAAAAB7I/V--ToGUlfOI/s200/persepolis-poster1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5512397986441148482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É certo que a Pixar lança animações fantásticas (“Toy Story” e “Procurando Nemo” são meus favoritos) e que de vez em quando um grande estúdio acerta a mão em animações que agradam crianças e não envergonham o cérebro dos adultos que os têm (“Shrek”, claro). Mas, a verdade é que, assim como venho fazendo em relação a filmes há uns bons anos, também em relação a animações venho me afastando dos habituais mega-lançamentos dos estúdios americanos e iniciei um “garimpo” a coisas mais originais, autênticas e, sobretudo, de mais qualidade.&lt;br /&gt;Meus filhos, Pedro (adolescente de 14 anos que ainda adora animação) e Ananda, de 8, vem aprovando minha nova mania cinéfila. E o garimpo vem sendo produtivo e nem tão difícil quanto se poderia esperar. Jóias como “As bicicletas de Belleville” e “Wallace e Gromitt” ganharam fama e prêmios. Uma glória foi descobrir Mizao Miyazaki (de “A viagem de Chiriro” e “O castelo animado”), já idolatrado pelos meus filhos, de quem achei o fantástico “Porco Rosso”, dos anos 80.&lt;br /&gt;Recentemente duas animações recentes me encantaram: “Persepolis” e “Mary &amp; Max”. O primeiro, premiado em Cannes e indicado ao Oscar, trata-se de uma animação francesa basicamente em preto e branco. É a história autobiográfica de Marjane Satrapi, menina iraniana que cresce durante a Revolução Islâmica. A animação fala sobre política, amadurecimento, família e religião. Como a menina Marjane, hiperativa, falante e esperta, lembra minha princesa Ananda, “Persepolis” ainda ganhou pontos comigo.&lt;br /&gt;Já “Mary &amp; Max”, animação australiana á moda antiga, é uma pérola. Estranho, adulto e inquietante, ele fala sobre a amizade à distância de uma menina de 10 anos e um senhor de 44. Ambos solitários e com vidas não convencionais. &lt;br /&gt;O próxima pepita a ser garimpada é “O segredo dos Kells”, animação irlandesa que concorreu ao Oscar e fala sobre mitos celtas. “Madagascar 3 ou 4”, desenhos japoneses ultra-violentos e os xaropes musicais da Disney? Por ora, não, obrigado!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8921807965139432024?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8921807965139432024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8921807965139432024' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8921807965139432024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8921807965139432024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/09/nem-so-de-pokemons-e-disney-vive.html' title='Nem só de Pokemons e Disney vive a animação'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TH_43Ej4_oI/AAAAAAAAB7Q/8Vy_TBfs4ds/s72-c/mary_and_max1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-4749384916276972855</id><published>2010-08-11T16:51:00.000-07:00</published><updated>2010-08-11T17:12:32.483-07:00</updated><title type='text'>Chuva de fogo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_aCfVs1tJBvg/TGM300Wvz2I/AAAAAAAAABc/IwaZasYCIL0/s1600/estatuasal.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 138px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_aCfVs1tJBvg/TGM300Wvz2I/AAAAAAAAABc/IwaZasYCIL0/s200/estatuasal.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5504304550123655010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ruído que vinha de trás era ensurdecedor, mais que isso, espetacular, sedutor. Era absurdo não poder voltar-se e contemplar o espetáculo. Na verdade, pouco ou nada em sua vida de menos de quarenta anos tivera algo que pudesse se chamar de intenso. Casara cedo com um homem mais velho. Engravidara duas vezes, em um par de anos, sem saber o que fosse carinho ou prazer. Ouvira – longe dos homens que tanto a fiscalizavam, claro – as mulheres falar nos gozos escondidos nos meio das pernas das filhas de Eva, mas, aquele era um mundo que não lhe pertencia. O que lhe cabia era a obediência. Desde tenra idade, primeiro ao pai, depois ao marido, e sempre, sempre a deus, aquele ser todo-poderoso que tudo poderia em sua onipotência. Contudo, apesar de boa filha, boa esposa, mãe irrepreensível, guardava desde seu nascimento em meio a vísceras uma rebeldia, uma tendência à desobediência que sempre estivera oculta, embora latente.&lt;br /&gt;Era uma filha de deus, sim, mas era mulher! E como tal, fazia dos seus desejos incompletos, insatisfeitos, uma ponte para um derradeiro e alucinado ato de rebeldia contra tudo e contra deus. O que perderia com a desobediência? Sua vida, um amontoado de gozos não vividos, suor e resignação. O marido  - bom, honesto e temente a deus – não a via como senão uma companheira de luta e abnegação. Sim, nada perderia com um instante de arrebatamento, uma desobediência calculada e que lhe poderia abrir as portas de um outro mundo. Era filha de Eva, e como tal, tinha direito ao seu pecado, a sua traição às leis divinas e humanas em prol da curiosidade inata ao seu sexo e à sua vida sem paixões.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Decidiu olhar para trás – desafiando seu marido, seu deus – quando viu as cidades vizinhas, Sodoma e Gomorra, engolidas por uma chuva de fogo e enxofre. Pareceu-lhe bela a profusão de luzes e fumaças, quando sentiu um formigamento em todo o corpo e a uma estranha sonolência. Ainda teve tempo de pensar no marido, Ló, e nas filhas, que deviam estar longe e que – sabia ela – jamais olhariam para trás. Em poucos segundos estava transformada em uma estátua de sal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-4749384916276972855?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/4749384916276972855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=4749384916276972855' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4749384916276972855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4749384916276972855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/08/chuva-de-fogo.html' title='Chuva de fogo'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_aCfVs1tJBvg/TGM300Wvz2I/AAAAAAAAABc/IwaZasYCIL0/s72-c/estatuasal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-5832033089633137255</id><published>2010-08-09T07:17:00.000-07:00</published><updated>2010-08-09T07:20:35.335-07:00</updated><title type='text'>A tua língua em minha língua</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TGAOpf_cbKI/AAAAAAAAB4A/kXwlbh_6kgA/s1600/Dumas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 166px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TGAOpf_cbKI/AAAAAAAAB4A/kXwlbh_6kgA/s200/Dumas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5503414850771774626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A tua língua em minha língua; eis&lt;br /&gt;Nossas bocas firmando uma aliança...&lt;br /&gt;Corpos entrelaçados em uma dança&lt;br /&gt;Em um palco desnudo de vãs leis...&lt;br /&gt;Da tormenta, fizemos a bonança!&lt;br /&gt;Invertendo os corpos de uma vez...&lt;br /&gt;Peças no tabuleiro de xadrez&lt;br /&gt;Tendo o xeque-mate como herança...&lt;br /&gt;E teus lábios (!), em minha boca, enfim...&lt;br /&gt;Que me cortam, faca de um gume!&lt;br /&gt;E desprendem odor de alecrim...&lt;br /&gt;Se eu teus lábios derramo meu prazer...&lt;br /&gt;Em meu rosto destilas teu perfume&lt;br /&gt;Na madrugada pronta p´ra morrer...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-5832033089633137255?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/5832033089633137255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=5832033089633137255' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/5832033089633137255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/5832033089633137255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/08/tua-lingua-em-minha-lingua.html' title='A tua língua em minha língua'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TGAOpf_cbKI/AAAAAAAAB4A/kXwlbh_6kgA/s72-c/Dumas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8203395534488380909</id><published>2010-07-26T10:02:00.000-07:00</published><updated>2010-07-27T09:39:39.697-07:00</updated><title type='text'>Crime perfeito</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TE2_4jBlHAI/AAAAAAAAB1w/9IRYutwQLQU/s1600/toulouse-lautrec_.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 149px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TE2_4jBlHAI/AAAAAAAAB1w/9IRYutwQLQU/s200/toulouse-lautrec_.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498261698284690434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de borboletearem, indecisos, entre mesas, sentaram-se, à mesa ao meu lado. Eram quatro. O casal - o homem grisalho, a mulher loira e magra, de olhos de hamster - o de bigode felpudo e o mal barbeado, banhado de suor. Formavam uma orquestra de barulhos em tons diferentes, um grupo estranho e heterogêneo. Contudo, sentaram-se na mesa da praça de alimentação do shopping, entreolharam-se e conversaram baixinho entre si.&lt;br /&gt;Bebendo minha cerveja, percebi que eles destoavam do público do shopping: casais sorridentes, crianças alegres com mães estressadas, adolescentes barulhentos. O quarteto parecia ansioso e com ares de sujeira. De repente, o grisalho sussurra algo no ouvido da mulher, que esboça um sorriso falso e se volta para o mal barbeado, que esfrega as mãos nervosamente.&lt;br /&gt;Não, não havia mais dúvidas. Era como se fossem cometer um crime. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Pior; como se já o tivessem cometido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Decidi observá-los com atenção. O homem de bigode, com ar de tédio, olhava o cardápio com ar distraído. O grisalho e a mulher – que pareciam casados, ou fingiam ser um casal – conversaram alternadamente com os outros dois. Deduzi que o crime já havia sido cometido, certamente um roubo. Havia duas ou três agências bancárias naquela área. Além do escritório financeiro do próprio shopping, claro. Deviam ter roubado uma boa quantia, mandado o dinheiro embora pelos cúmplices e ali estavam para disfarçar o crime e combinar os próximos passos.&lt;br /&gt;Bebiam cerveja, os quatro. Barulhenta e sofregamente. Chamaram o garçom por mais duas, três vezes. Até, com dificuldade, se decidirem. Pediram algo caro, pude perceber. Um deles, o suarento, chegou a dizer para os outros que dinheiro não era problema. A mulher, com aqueles olhinhos inquietos de rato, começou a fumar, nervosamente. Trocou três ou quatro frases com o grisalho (seu marido?). O de bigode felpudo percebeu, enfim, o cantor que se apresentava, e bateu palmas, de forma exagerada. Tudo naquele quarteto parecia suspeito. Mais que isso: denunciador.&lt;br /&gt;Quando chegou o pedido, notei que era um imenso prato de carne em tiras com batatas e legumes. Mas, veio também uma tábua de frios, muitos queijos. Ainda que fossem em quatro, parecia um excesso. Dinheiro não era problema, disse (ou teria dito, um deles). Comiam com voracidade, como se o mundo fosse acabar naquele instante. Comiam &lt;span style="font-style:italic;"&gt;como se fossem seus últimos momentos em liberdade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O homem com o bigode felpudo não se cansava de bater palmas, para qualquer tipo de música. Dir-se-ia que desejava chamar atenção. Mas, por que alguém que comete um crime gostaria de chamar a atenção? Como disfarce, talvez. Os seguranças o olhavam como um homem barulhento, não como um criminoso. &lt;br /&gt;De repente, o grisalho sacou do bolso uma caderneta de anotações e uma caneta. Certamente iriam repartir o fruto do roubo. Talvez planejar o próximo crime. O grisalho escreveu algo e entregou o papel para a mulher. Em seguida, o mal barbeado, sempre suando, apesar do ar condicionado, pegou caderneta e caneta e rabiscou algo. Chamaram o garçom, que recebeu da mão suada o papel e o entregou ao músico. Então, pediam músicas ao cantor... certamente para mostrarem normalidade. Ao fim da música, o bigodudo bateu palmas ruidosamente. Tudo muito estranho. A mulher magra acendeu mais dois ou três cigarros, incrível, como não pediam para que parasse de fumar. Talvez ela quisesse justamente isso, que a proibissem de fumar. Para despistar suas verdadeiras atividades nocivas. Contudo, ninguém se dirigiu a ela. O grisalho, pegou na sua mão, como se tentando acalmá-la e me pareceu que iniciaram uma espécie de discussão. Estariam brigando devido à divisão do dinheiro?&lt;br /&gt;Foi quando o cantor anunciou que tocaria a última música da noite. Bateram palmas com mais entusiasmo e barulho do que o normal. Tudo para não despertar suspeitas, certamente. Mas, a mim não enganavam. Terminaram de comer (o suarento chegou a raspar o prato de carne e comer toda a alface, como se precisasse provar que estava faminto) e pediram a conta, com barulho.&lt;br /&gt;Minutos depois, o garçom a trouxe. Deliberaram sobre algo (o pagamento da conta? Como usar o dinheiro do roubo? Novas estratégicas e disfarces?). Até que, os três homens, sacaram cada um das respectivas carteiras uma certa quantia de dinheiro e as depositaram na mão do garçom, sorridente com a possível gorjeta. Típico. Tinham muito dinheiro para gastar.&lt;br /&gt;Em seguida, levantaram-se, despediram-se e foram embora, o suarento e o bigodudo para um lado (o esquerdo, do estacionamento) e o casal para o outro (o direito, onde ficava o posto de táxis). Fiquei na praça de alimentação do shopping ainda uns minutos, terminando minha cerveja e avaliando o que tinha testemunhado. Na verdade, nada tinha acontecido. Na verdade, sempre acontece algo, apenas não queremos admitir. Embora nem sempre as coisas sejam como pensamos que são, confesso.&lt;br /&gt; Penso que tinham cometido um crime. Ou talvez não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8203395534488380909?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8203395534488380909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8203395534488380909' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8203395534488380909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8203395534488380909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/07/crime-perfeito.html' title='Crime perfeito'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TE2_4jBlHAI/AAAAAAAAB1w/9IRYutwQLQU/s72-c/toulouse-lautrec_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-7221418684780089307</id><published>2010-07-15T06:25:00.000-07:00</published><updated>2010-07-15T06:32:02.968-07:00</updated><title type='text'>A velha camisa com estampa da janis Joplin</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TD8NmAbneHI/AAAAAAAAB0g/LwrX1mdx9ZA/s1600/janis-joplin-03.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 156px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TD8NmAbneHI/AAAAAAAAB0g/LwrX1mdx9ZA/s200/janis-joplin-03.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5494125017017317490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adolescente desejoso de rebeldia que eu era nos idos anos oitenta, obviamente construía com régua e compasso meus símbolos desta suposta rebeldia. Posters de filmes e de bandas de rock pregados a durex nas paredes  e camisetas com estampas de astros de rock, palavras de ordem (mas não de progresso) e ídolos juvenis, também faziam parte deste “panteão rebelde”.&lt;br /&gt;Rebeldia em dose dupla, diga-se de passagem. Contra os pais (que por mais amorosos que fossem, simbolizavam “o sistema”) e contra os adolescentes “certinhos”, fossem os CDFs ou os famigerados playboys e suas roupas de “marca”. Então, contra todos e contra ninguém, como diria o Capital Inicial, dá-lhe usar camisetas com estampas de Che Guevara, Legião Urbana, R.E.M, frases de ordem contra  a Rede Globo etc e tal.&lt;br /&gt;Mas, nenhuma camiseta do gênero – nenhuma peça de roupa, na verdade – marcou tanto como aquela com a estampa da Janis Joplin. Sorridente, largada, colares no pescoço, óculos imensos... Como se fosse a qualquer momento fumar unzinho ou soltar uma gargalhada (como no finalzinho de “Mercedes Benz”).&lt;br /&gt;Comprei a supracitada camiseta no início dos anos 90, numa tarde agradável na feirinha hippie de Copacabana. Estava acompanhado da até hoje amiga Gabriela Vilar, que também gostava de camisetas e badulaques do gênero. De início, era apenas uma camiseta como qualquer outra do estilo. Depois me percebi adotando-a como minha roupa oficial de eventos artísticos em geral e roqueiros em especial.&lt;br /&gt;Foi com a camisa da Janis Joplin que assisti ao show do Guns ´n´ Roses no Rock in Rio de 1991, quando a banda ainda era (ou parecia) séria. Com a mesma camisa, um pouco suja, admito, assisti a dias depois aos metaleiros tirarem Lobão do palco a base de garrafadas no mesmo Rock in Rio. A camiseta ainda esteve no meu peito em uns dois shows do Ira! Em mais uns dois dos Titãs, e em mais uma dezena de shows diversos, bandas de amigos, bandas iniciantes, MPB etc e tal.&lt;br /&gt;Também era uma espécie de amuleto para eventos culturais em geral. Com a camisa da Janis, fui a lançamentos literários, flertei com poetas esvoaçantes, chorei mágoas em saraus, freqüentei coquetéis onde passei um pouco do ponto (etilicamente falando, claro) e também com a camisa estava em dezenas de migrações a cinemas e cineclubes. Em suma, a camiseta era minha fiel companheira, a piece of my heart, se me é permitido o questionável trocadilho.&lt;br /&gt;Bem, mas, o tempo passa. A vida adulta bate à porta, vem casamento, filhos, necessidade de batalhar o leite das crianças, etc. Mas, a camiseta ainda resistiu alguns anos, e não me furtei a trabalhar com ela algumas vezes, embora já reconhecesse que estava puída e que milimétricos (mas, visíveis) furos começassem a aparecer.&lt;br /&gt;Decidi guardar a camisa como troféu, como já havia feito com uma do time do São Paulo e com outra verde-limão pavorosa que eu havia ganhado de uma quase-namorada numa viagem tresloucada a Taubaté, interior paulista. Contudo, a série de mudanças (de casa, de cidade, de vida) fez com que a camiseta sumisse. Provavelmente virou pano de chão e nem percebi. Tem nada não. A camiseta original e tudo que passei com ela estão na memória. Dia desses compro outra (ou mando fazer) e volto a estampar no peito a velha Janis de guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(Texto publicado originalmente na revista Salto Agulha- Nº 0, julho de 2010)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-7221418684780089307?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/7221418684780089307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=7221418684780089307' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7221418684780089307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7221418684780089307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/07/velha-camisa-com-estampa-da-janis.html' title='A velha camisa com estampa da janis Joplin'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TD8NmAbneHI/AAAAAAAAB0g/LwrX1mdx9ZA/s72-c/janis-joplin-03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-4751060151502843546</id><published>2010-07-12T07:43:00.000-07:00</published><updated>2010-07-12T07:45:25.289-07:00</updated><title type='text'>Inversão de papéis</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TDsqeJbYyvI/AAAAAAAABzQ/_ddugPTAvPc/s1600/man20ray_erotique_voilee_924.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 227px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TDsqeJbYyvI/AAAAAAAABzQ/_ddugPTAvPc/s320/man20ray_erotique_voilee_924.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493030867923684082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou escravo: admito&lt;br /&gt;Servil vassalo teu&lt;br /&gt;Arremedo de Orfeu&lt;br /&gt;No inferno interdito&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Reverto o jogo: faço&lt;br /&gt;Da senhora, serviçal&lt;br /&gt;Submissa, afinal&lt;br /&gt;No pescoço, um laço&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Alternando escravidão&lt;br /&gt;Um e outro: chicote...&lt;br /&gt;Algemas, lamber o chão...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mestre sou: no teatro&lt;br /&gt;da paz, faço boicote&lt;br /&gt;Imponho: "De quatro!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-4751060151502843546?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/4751060151502843546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=4751060151502843546' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4751060151502843546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4751060151502843546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/07/inversao-de-papeis.html' title='Inversão de papéis'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TDsqeJbYyvI/AAAAAAAABzQ/_ddugPTAvPc/s72-c/man20ray_erotique_voilee_924.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-3385585306936883610</id><published>2010-07-05T11:33:00.000-07:00</published><updated>2010-07-05T11:36:11.602-07:00</updated><title type='text'>Quase-amor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TDImC9J5YjI/AAAAAAAAByI/ZpywiYaEMIs/s1600/photo_man_ray02.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 233px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TDImC9J5YjI/AAAAAAAAByI/ZpywiYaEMIs/s320/photo_man_ray02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490492727935722034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falas de desejo&lt;br /&gt;Como quem arde, carboniza...&lt;br /&gt;Como a louca sacerdotisa&lt;br /&gt;Do culto ao Quase-amor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falas de paixão&lt;br /&gt;Como quem se imola na fogueira...&lt;br /&gt;Como a febril feiticeira&lt;br /&gt;Do templo ao amor partido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falas de loucura&lt;br /&gt;Como quem derrama vinho em vão...&lt;br /&gt;Como a vestal do amor pagão&lt;br /&gt;Da seita do amor proibido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falas de poesia&lt;br /&gt;Como Cecília, como Florbela...&lt;br /&gt;Como a desvairada sentinela&lt;br /&gt;Da catedral do Quase-amor...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-3385585306936883610?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/3385585306936883610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=3385585306936883610' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3385585306936883610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3385585306936883610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/07/quase-amor.html' title='Quase-amor'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TDImC9J5YjI/AAAAAAAAByI/ZpywiYaEMIs/s72-c/photo_man_ray02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-4637279873008735424</id><published>2010-06-15T07:51:00.000-07:00</published><updated>2010-06-15T07:53:02.802-07:00</updated><title type='text'>Vinicius que me perdoe, mas, beleza não é fundamental!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TBeTwdeLx5I/AAAAAAAABu4/h8mTi2PsNnw/s1600/DoveRealWoman.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 152px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TBeTwdeLx5I/AAAAAAAABu4/h8mTi2PsNnw/s200/DoveRealWoman.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483013532101101458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campanha publicitária que mais me encantou nos últimos anos foi aquela "Campanha pela real beleza", realizada pela linha de produtos cosméticos femininos Dove. Não sei se o leitor lembra-se do filme inicial daquela campanha: um grupo de mulheres, todas fora do padrão de beleza atual (gordinhas, magrelas, sem peito, com peito demais, com pernas finas) apenas de calcinha e sutiã brancos, se divertindo e felizes com seus corpos. &lt;br /&gt;A sentença final era o conceito da campanha: os produtos da Dove eram feitos não para modelos perfeitas, mas para mulheres normais. Do ponto de vista publicitário, a campanha foi genial, tanto que ainda está em andamento, foi levada para outros países e aumentou não apenas o faturamento, mas o prestígio da Dove. Do ponto de vista pessoal, a campanha atingiu algo que me é muito caro: meu fascínio por "mulheres normais". Como os amigos – conhecendo minhas predileções e vontades – vaticinaram, apaixonei-me platonicamente por duas ou três mulheres que abrilhantavam aquele comercial de TV. Todas lindas, para meus olhos. &lt;br /&gt;É curioso constatar como nós (homens, mulheres em geral, talvez as mulheres ainda mais que os homens) somos levados a aceitar bovinamente o padrão de beleza que a mídia quer nos impor. Certo, este padrão de beleza mais que midiático, é cultural, também milenar, oriundo dos tempos da Grécia e Roma antigas, passando pela colonização européia. Mas é preciso reagir – ainda que em termos de libido – contra essa cultura e essa imposição. Recordo que numa roda de amigos quase levei uns tapas (mas das gargalhadas não escapei) quando disse que me sentia mais atraído sexualmente por Denise Fraga do que por Gisele Bundchen. Onde está escrito que eu tenho que achar Gisele Bundchen a mulher mais bela e gostosa do Brasil? Onde está meu direito de preferir a beleza de Cláudia Abreu, Dira Paes ou Lorena Calábria em detrimento de modelos curvilíneas e capas de Playboy? Prefiro a beleza madura de Totia Meireles à juventude de Carolina Dickermann e Mariana Ximenes. Assistindo ao filme "Chicago" reconheço os mil e um encantos de Catherine Zeta-Jones, mas minha libido pulsa mesmo é por Renee Zelwegger. &lt;br /&gt;Gosto não se discute. O meu, cansei de discutir com os amigos. Por fim eles se acostumaram com meus gostos digamos normais. Em tom de picardia, eu argumentava que não era dono de agência de modelos, nunca fui obrigado a admirar preferencialmente pernas longas e torneadas, barrigas sem qualquer proeminência, seios exatos (aliás, tenho sérias ressalvas a homens que analisam mulheres por partes ... meus gostos pelas mulheres são pelo todo ...) No frigir dos ovos, admito que não vejo qualquer problema em pequenos supostos defeitos (uma barriguinha a mais, canelas finas etc). Creio mesmo que as mulheres são mais preocupadas com isso de celulite, estrias do que os homens. Meu olhar - que abrange o todo, repito – passa por estas supostas imperfeições sem sequer notar que elas existem. Pensando bem, o assunto sempre fez parte da cultura popular. Vide expressões como "beleza não põe mesa" e "quem ama o feio bonito lhe parece". Recordo agora de Vinicius de Moraes, um dos meus poetas preferidos, quando assinalava sua frase: "As feias que me perdoem, mas, beleza é fundamental". O poetinha que me perdoe, mas a beleza - nos padrões generalizados - não é fundamental. Maior exemplo disso p ode ser visto no filme "A insustentável leveza do ser", do americano Phillip Kaufmann, baseado no livro do tcheco Milan Kundera. A chamada "cena da mulher feia" é uma das mais significativas (e excitantes) tanto do livro como do filme: o protagonista Tomas, médico charmoso que é obrigado pelo regime comunista de então a trabalhar como limpador de vidraças, recebe um chamado profissional de uma mulher que se mostra gritantemente feia, de corpo e rosto, mas que flerta explicitamente com Tomas. As insinuações da mulher feia, suas caras e bocas, suas frases ambíguas e a forma como ela se senta numa cadeira chegam a tal grau de erotismo que não há um homem na platéia que não fique excitado. Nem Tomas consegue escapar de tais encantos. Não é a beleza que põe mesa, mas sim o charme. E este, felizmente, não se encaixa em padrões das revistas de moda e dos programas de TV. Ah, e voltando às lindas gordinhas e magrelas da Dove, quem quiser acessar o site, basta acessar www.campanhapelarealbeleza.com.br. E viva a beleza real! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(Texto publicado na Revista Papangu de junho de 2006)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-4637279873008735424?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/4637279873008735424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=4637279873008735424' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4637279873008735424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4637279873008735424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/06/vinicius-que-me-perdoe-mas-beleza-nao-e.html' title='Vinicius que me perdoe, mas, beleza não é fundamental!'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TBeTwdeLx5I/AAAAAAAABu4/h8mTi2PsNnw/s72-c/DoveRealWoman.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-3006064549847457029</id><published>2010-06-04T11:27:00.000-07:00</published><updated>2010-06-04T17:58:45.590-07:00</updated><title type='text'>O conga e o congresso</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TAlG6ZqSsAI/AAAAAAAABs4/tH_g4m6kvUc/s1600/conga.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 183px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TAlG6ZqSsAI/AAAAAAAABs4/tH_g4m6kvUc/s200/conga.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5478988390807547906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TAlG3qypUzI/AAAAAAAABsw/Q8T8FRObgDI/s1600/congresso_nacional3+site.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TAlG3qypUzI/AAAAAAAABsw/Q8T8FRObgDI/s200/congresso_nacional3+site.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5478988343866381106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada um ouve as palavras como quer. Foi esta a conclusão que dia desses, eu e os amigos petistas Amorim e Fernando Mineiro chegamos, após uma conversa sobre músicas - após a conversa sobre política, claro - e os equívocos que as pessoas cometem em relação às letras. Eu havia recordado como o brasileiro erra a letra do hino nacional. Tudo bem que a letra é por demais pomposa e arcaica, mas, convenhamos, não saber duas frases de uma letra que ouvimos desde a mais tenra infância é dose. Em um artigo na revista Papangu, recordo que Damião Nobre escreveu sobre o tema, registrando que muita gente canta o “Ouviram do Ipiranga” como “Ouvirumdumpiranga”. Dúvidas? Confira quando os jogadores da seleção brasileira cantarem (?) o hino na Copa do Mundo.&lt;br /&gt;Nos divertimos lembrando de equívocos em relação a canções de Fagner, Renato Russo e até Chico Buarque. Foi quando me lembrei da explicação que o zagueiro Odvan, revelado pelo Vasco da Gama e chegou a jogar pela seleção na malfadada era Vanderlei Luxemburgo, deu em uma entrevista ao Esporte Espetacular deu sobre seu nome: sua mãe era fã de Roberto Carlos e quis homenagear “O Rei” dando ao filho o nome de uma de suas canções. Mas, espere aí, Roberto não tem nenhuma canção chamada “Odvan”. Tem sim, segundo a mãe amorosa: “O divã”.&lt;br /&gt;Foi quando Mineiro recordou de caso que ouviu em um programa de rádio do interior. O locutor, todo animado, recebia telefonemas dos ouvintes pedindo músicas. Foi quando uma senhora entrou no ar, feliz e serelepe, mandando beijos para toda a família e pedindo a música “O conga e o congresso”. O locutor estranhou. De quem, a música? Roberto Carlos, claro, disse a senhorinha. O locutor quebrou a cabeça e não conseguiu lembrar que o Rei tivesse escrito alguma canção sobre o Congresso Nacional e sobre um tipo de tênis (lembram-se do bom e velho conga?). Pediu para a mulher cantarolar um trecho da música. Então, ele entendeu. Ela pedia “O côncavo e o convexo”...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-3006064549847457029?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/3006064549847457029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=3006064549847457029' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3006064549847457029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3006064549847457029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/06/conga-e-o-congresso.html' title='O conga e o congresso'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/TAlG6ZqSsAI/AAAAAAAABs4/tH_g4m6kvUc/s72-c/conga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8070826393616105501</id><published>2010-05-25T08:20:00.001-07:00</published><updated>2010-05-25T08:21:06.736-07:00</updated><title type='text'>Despedida de Solteira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S_vq2Yp9-6I/AAAAAAAABow/r55jdc_lhdM/s1600/ismael-nery.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 147px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S_vq2Yp9-6I/AAAAAAAABow/r55jdc_lhdM/s200/ismael-nery.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475227992051284898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreendi-me com o telefonema dela. Havia muito tempo (um ano?) que não me telefonava. Clarissa era sempre surpreendente. Primeiro conversou banalidades, perguntou sobre a vida, a esposa, os filhos, estas coisas... depois adentrou o terreno da malícia – território na qual ela tinha total domínio – relembrando histórias picantes do passado... Por fim, comunicou que iria se casar no mês seguinte. Desejei felicidades, ainda estranhando a conversa e ela comunicou que mandaria convites e fazia questão que eu e minha esposa Raíssa estivéssemos presentes no casamento. “Mas não é para isso que estou telefonando...”, comentou. “E qual a razão do telefonema?”, perguntei. “É que eu pretendo fazer uma despedida de solteira e gostaria de te convidar...”, sussurrou. “Pensei que as despedidas de solteira só envolvessem mulher”, retruquei. “Esta despedida de solteira é especial. Não haverá mulheres, apenas eu”. “Vai convidar apenas homens?”, ri. “Eu não disse isso... o único homem convidado é você...”, respondeu. Compreendi imediatamente. Entrei no jogo de Clarissa e combinamos então o dia, a hora e o local da tal despedida de solteira. &lt;br /&gt;Na quarta-feira ao meio dia, “para evitar suspeitas, afinal, você é casado e eu sou uma noiva fiel e respeitadora...”, riu, debochando de si mesma e da situação. Clarissa continua louca!, Pensei. Mas, e daí? Eu não havia me apaixonado por ela no passado justamente por que era louca? Bem, confesso que esperei com apreensão a quarta-feira, que enfim chegou. Ela ligou para meu celular às onze confirmando tudo e marcou o encontro em um posto de gasolina na BR-101, já em Parnamirim. Lá, ela deixou o carro estacionado discretamente e entrou no meu. Discutimos rapidamente para qual motel iríamos e logo fechamos por um de qualidade que fosse discreto e nas proximidades. Na suíte, percebi logo que o tempo só havia melhorado Clarissa, como um vinho que eu iria começar a degustar. Não estou falando de seu corpo – ainda belo mas com as inevitáveis marcas do tempo e da gravidade – nem de seu rosto – não havia maquiagem que escondessem algumas rugas e um olhar cansado antes impensável – mas de sua personalidade e de seu modus operandi. Os olhos brilhantes, imensos, acastanhados, continuavam insanos... suas mãos estavam ainda mais hábeis, assim como seus lábios... seu corpo correspondia ainda mais ao meu corpo do que antes, como se no máximo de seu potencial. Comentei tudo isso com Clarissa durante o ato... “Você ainda não viu nada...”, sorriu, desvairada. Dito e feito. Eu ainda veria – e sentiria – muito mais coisas nas quatros horas que se seguiram, de um deleite que poucos vezes havia experimentado na minha vida já de tantos prazeres. Às quatro e quinze da tarde começamos a nos arrumar, pois que ela havia marcado com o noivo no Praia Shopping às cinco horas. Deixei-a no posto de gasolina e sem maiores delongas nos despedimos pragmaticamente. “Te vejo no meu casamento”, disparou. Não tivemos oportunidade de conversar sobre isso, mas comecei a me perguntar porque ela iria se casar e o que ela esperava do seu casamento. Tolice. Por que analisar as coisas se é melhor apenas vive-las e pronto? Desta forma, voltei à minha vida, a Raíssa e esqueci-me de Clarissa e de nossa tarde de idílio. Recebi em casa o convite de casamento, mas inventei um trabalho qualquer para não ter que ir. Tampouco Clarissa entrou em contato comigo antes ou depois das núpcias. &lt;br /&gt;O tempo passou. Diria até que havia esquecido a despedida de solteira da qual participei quando, dois anos depois, vejo no visor do celular um telefone estranho. Atendo e eis minha surpresa: era Clarissa. Começou falando banalidades como sempre. Por fim, perguntou como estava meu casamento (muito mal), minha vida profissional (razoável) e falou sobre ela própria... Não apenas estava em crise no casamento como muito próxima da separação... Relatou alguns dos problemas que estava vivendo, choramingou um pouco... Como eu estava prestes a entrar em uma tensa reunião de trabalho e não estava com muita paciência, perguntei logo o que queria. Clarissa então respirou fundo e disparou: “Na verdade, eu queria uma despedida de casada”. “Como assim”, estranhei. “Quero ter certeza que o melhor a fazer é me separar... e só vou ter essa certeza se for para cama com outro homem. Seria então minha despedida de casada...”, assinalou, já com voz mais lasciva do que triste. O que fazer? Bem, se eu participei da despedida de solteira dela, achei que seria uma descortesia não fazer parte da despedida de casada. “Pode marcar dia, hora e local”, respondi. “Lembra-se daquele posto de gasolina?...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8070826393616105501?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8070826393616105501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8070826393616105501' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8070826393616105501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8070826393616105501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/05/despedida-de-solteira.html' title='Despedida de Solteira'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S_vq2Yp9-6I/AAAAAAAABow/r55jdc_lhdM/s72-c/ismael-nery.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-7437343917393203718</id><published>2010-05-19T08:51:00.001-07:00</published><updated>2010-05-19T08:52:17.777-07:00</updated><title type='text'>Como assistir filmes em 3D nos anos 80</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S_QJJvskqbI/AAAAAAAABng/K_luj_jxzdc/s1600/EltonJohn.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 90px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S_QJJvskqbI/AAAAAAAABng/K_luj_jxzdc/s200/EltonJohn.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5473009510188886450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses, conversando on line com minha irmã, a mitológica Rosa Williams, sobre experiências cinematográficas, lembrei com humor que fui pioneiro em assistir filmes em 3D ainda nos anos 80.&lt;br /&gt;Espere aí, tecnologia 3D em uma década que ainda assistíamos filmes em VHS nos velhos e bons (mas nem sempre) videocassetes? Explico.&lt;br /&gt;Ano de 1989. Combino com um amigo roqueiro (guitarrista da banda Facínoras, que marcou época na Zona Sul do Rio de Janeiro sem ter feito sequer um show...) assistirmos a “Tommy” no Cineclube Cândido Mendes. Claro, já havia assistido meia dúzia de vezes a ópera-rock do The Who, mas na telinha na TV. Expectativa em ver o delírio de Ken Russel na tela grande. Chegamos no Centro cultural uma hora antes de começar o filme. “Que tal uma cerveja?”, propôs Breno. Rumamos para um boteco próximo. Contudo, separada a grana para as entradas, constatamos nosso liseu. Cerveja? Melhor não. Pensamos na boa, velha e barata cachaça, mas nem eu nem o amigo éramos chegados à “mardita”. Foi quando ele avistou numa prateleira uma garrafa de Campari. Barata a dose, forte o efeito. Não contamos conversa. Por falar em conversa, eis que conversa vai, conversa vem, entornamos cada um sete doses de Campari. E estava quase na hora de começar o filme.&lt;br /&gt;Cinema quase vazio, apagam-se às luzes e percebo, então, que uma tonteira começa a se apossar de mim. De repente, sem trailler, sem aviso nenhum, começa o filme. Luzes, montagem rápida, um avião em chamas, uma guitarra ensandecida. “It´s a boy, Mrs. Walker, it´s a boy”, canta a enfermeira.&lt;br /&gt;Logo depois, quando termina a cena em que Ann Margaret e Oliver Reed cantam “Christmas”, sinto a cabeça mais pesada e os olhos mais sensíveis à luz. “Acho que estamos um pouco bêbados”, comentou Breno. A partir daí, assisti o filme em terceira dimensão, o 3D. Em “Gypsy Queen” parecia que Tina Turner estava cantando na minha frente. E Elton John em “Pinball Wizzard”, que se abrisse os braços corria o risco de acertar meu rosto? Como confessar que tentei me proteger quando chove champanhe do aparelho de TV? Tudo 3D puro! Claro que na cena final também tentei escalar as montanhas, só que quando acenderam as luzes eu e Breno olhamos um para o outro espantados com a experiência que tivemos. E uma leve vontade de vomitar, claro.&lt;br /&gt;Mas, vive experiência parecida dois anos depois, quando da estréia de “The Doors”, de Oliver Stone, no Cineclube Estação Botafogo. Iniciado que era na obra de Jim Morrison, estava na expectativa que o filme abordasse a relação do roqueiro com xamanismo e drogas. Tendo marcado com dois amigos que não apareciam (na época celulares não existiam, crianças), resolvi tomar umas cervejas no bar ao lado da bilheteria. Eis que três cervejas depois vendo o dinheiro escassear, venci meus pruridos e pedi uma dose de cana. Depois mais duas. E lá fui eu sozinho assistir ao filme.&lt;br /&gt;Novamente, meio grogue na sala de exibição e vivendo meu 3D particular. Particularmente na cena em que Morrison está no palco e delira com índios dançando á sua volta, quase levantei da cadeira para invocar Mr. Mojo. No fim das contas, boas lembranças de anos que não mais voltam. O único problema deste tipo de 3D era a ressaca no dia seguinte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-7437343917393203718?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/7437343917393203718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=7437343917393203718' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7437343917393203718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7437343917393203718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/05/como-assistir-filmes-em-3d-nos-anos-80.html' title='Como assistir filmes em 3D nos anos 80'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S_QJJvskqbI/AAAAAAAABng/K_luj_jxzdc/s72-c/EltonJohn.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-1331181291385631453</id><published>2010-05-10T06:54:00.000-07:00</published><updated>2010-05-10T06:57:34.106-07:00</updated><title type='text'>Exumando cadáveres</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S-gQwjrZAQI/AAAAAAAABlo/0k7ytTStsq4/s1600/man-ray-solarisation-1931.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 155px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S-gQwjrZAQI/AAAAAAAABlo/0k7ytTStsq4/s200/man-ray-solarisation-1931.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469640173838467330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco ou nada eu poderia reclamar da vida. Bem casado com Viviane, pai de dois filhos – Daniel e Jussara – e estabilizado no emprego, como gerente de uma concessionária de veículos, eu tinha virtualmente tudo que um homem poderia querer: uma mulher bonita, filhos saudáveis, um carro, uma moto, estava quitando minha casa e começando a adquirir uma casa de Praia em Tabatinga. De quebra, era ainda jovem – tinha 34 anos – e saudável, a ponto de jogar futebol religiosamente todos os sábados à noite e de quebra não fazer feio no squash. Enfim, eu não tinha o que reclamar da vida, repito.&lt;br /&gt;Contudo, nem toda a felicidade do mundo consegue fazer um homem ficar quieto, e o demônio sempre à espreita da curiosidade acaba por atentar a qualquer um de nós. Não, que não se pense que estou falando de uma traição conjugal. Seria mentira dizer que fui totalmente fiel a Viviane em doze anos de namoro, noivado e casamento, mas tampouco nenhuma destas infidelidades passou de uma noite, com mulheres que mal soube o nome, gerando casos que jamais vieram à tona.&lt;br /&gt;O problema começou quando comecei a usar o tempo ocioso no trabalho não mais na copa, bebendo cafezinho e discutindo futebol com os vendedores, mas sim à frente do computador, na minha sala. Respaldado pela privacidade e pela total confiança que os donos do negócio tinham em mim, comecei a usar este tempo livre para desestressar, como dizem hoje, jogando paciência. &lt;br /&gt;Descobrindo a Internet, providenciei um e-mail para mim. Se no início ela me serviu para assuntos profissionais, logo comecei a me comunicar com amigos e conhecidos e não tardei a adentrar o universo dos bate papos virtuais, tão freqüentados por mulheres aparentemente interessantes. Não, ainda não foi aí que o diabo entrou em meus pensamentos. Contudo, a partir daquele momento, iniciei-me no mundo no MSN. Também nele nada fiz que não pudesse relatar à minha Viviane. &lt;br /&gt;Todavia, um amigo convidou-me a entrar no Orkut. A princípio imaginei que explorar a tal comunidade virtual não me traria qualquer novidade, seria até mesmo tedioso. Ledo engano. Procurando comunidades em comum com pessoas que me eram caras, resgatei velhos amigos e amigas. Reencontrei colegas de trabalho cujo paradeiro que desconhecia havia anos. Viciei-me não em fazer novos amigos, mas procurar e reencontrar velhos conhecidos, enfim.&lt;br /&gt;Em uma tarde monótona, véspera de feriado, eu me encontrava na frente do monitor, cansado do MSN e do Google, quando o diabo me soprou no ouvido o nome de uma antiga namorada de adolescência. Digitei o nome dela para procura no Orkut e eis que tive na minha frente o seu perfil, com foto. Gostei da brincadeira e repeti a operação com mais três ex-namoradas.&lt;br /&gt;Foi quando ganhei coragem de procurar pelo perfil de Bruna, namorada durante um bom par de anos e que cheguei a ensaiar um noivado até que o conflito de nossas personalidades fortes nos levasse ao término do romance. Se digo romance, é porque nosso relacionamento foi marcado por nuances de amor e paixão. Juntos, fizemos viagens, planos, aventuras, realizamos fantasias...Durante algum tempo, mesmo quando já havia iniciado namoro com Viviane, acreditei, como tanta gente faz em relação a alguém, que Bruna, com seus longos cabelos castanhos, suas sardas, seu sorriso quase infernal, sua agitação, euforia e temperamento forte, tivesse sido o amor da minha vida. &lt;br /&gt;Já casado com Viviane, descobri que ela também casara, com um microempresário do ramo de informática e fora morar no interior de Minas Gerais. Logo os amigos em comum perderam contato com ela e o cotidiano me fez com que ela fosse subtraída dos meus pensamentos mais constantes.&lt;br /&gt;Portanto, foi com certa apreensão que iniciei a busca por ela no Orkut, torcendo, no íntimo, que não desse em nada. Pelo que lembro, ela não é chegada nestas coisas de tecnologia, pensei. Tolice. De repente, surgiu na minha frente uma foto dela, com os cabelos pintados de loiro, mas as mesmas sarda. Alguns anos mais velha – fato ratificado por algumas rugas – mas ainda linda e com os olhos em fogo. Li seu perfil. Muito do que estava escrito ali eu conhecia, seus gostos, suas paixões... O que me chamou a atenção foi seu estado civil: solteira. Teria ela se separado do marido? Resisti à tentação de entrar em contato durante alguns dias. &lt;br /&gt;Contudo, em uma bela noite, em casa mesmo, com Viviane e as crianças em casa já dormindo, mandei uma mensagem para ela pelo Orkut. Não me interpretem mal...Fui formal, discreto, quase seco. Mandei lembranças, perguntei pelos filhos, e no final, despedi-me com um abraço. Que besteira, pensei, ela mal deve lembrar-se de mim lá em Minas.&lt;br /&gt;Não era bem assim. No dia seguinte recebi a resposta dela. Dizia que jamais me esqueceram e que estava morando novamente em Natal, divorciada, havia alguns meses. Não tinha vontade de rever os antigos amigos, mas queria me encontrar.&lt;br /&gt;Resolvi deixar o Orkut de lado e mandei uma mensagem para seu e-mail, mais privado. Contudo, eu continuava formal. A resposta de Bruna é que não o foi. Ela se lembrava de momentos ardentes do passado, fazia brincadeiras maliciosas... era a mesma de quinze anos atrás, enfim. Trocamos e-mails durante duas semanas até marcarmos um encontro no Praia Shopping. Abraçamos-nos, conversamos sobre nossas vidas, nossas famílias, ela riu dos cabelos brancos que insistiam em aparecer em meu couro cabeludo, bebemos chope... Ouvi seus desabafos sobre o casamento fracassado, a barra de cuidar dos filhos e de voltar a morar na casa da mãe... Pensei que neste ritmo ficaríamos bons amigos, como tantos ex-namorados o fazem.&lt;br /&gt;Mas, quando estava no caminho natural para levá-la para casa – a Avenida Salgado Filho, já que ela morava em Petrópolis – Bruna murmurou que não queria ir para casa. Para onde quer ir então?, Perguntei tolamente. Para um lugar onde possamos ficar sozinhos e lembrar os velhos tempos, respondeu. Então, os hormônios, somados ao álcool e à memória, falaram mais alto e terminamos a noite na suíte Diamante do Motel Bahamas. Ela queria pernoitar e a muito custo consegui lembra-la que eu era casado e deveria não apenas voltar para casa em horário cabível, como satisfações á minha esposa. A contragosto, ela concordou em sairmos, sob minha jura que repetiríamos a dose. Concordei, claro. Quem não o faria?&lt;br /&gt;Três dias depois repetimos a dose, desta vez iniciando o idílio às sete da noite. Ficamos desta vez no Romangarden, até meia noite. Preocupado, refleti o quanto aquela brincadeira era perigosa. Mas as delícias experimentadas com Bruna eram intensas demais para que eu tivesse forças para parar. Passamos a nos encontrar duas vezes por semana, tanto de tarde como de noite. Eu estava preocupado se Viviane não perceberia a situação, mas ela parecia não desconfiar de nada. Comecei a me sentir culpado, achava que deveria terminar o caso com Bruna, mas, repito, não conseguia parar. Minha vida com Viviane era maravilhosa, mas tranqüila, quase monótona. Com Bruna eu tinha sexo de primeiríssima qualidade, emoção, riscos e de quebra toda uma afinidade do passado.&lt;br /&gt;Todavia, eu deveria ter previsto que Bruna não se contentaria com pouco. Ela queria mais. Passou a exigir mais tempo, mais atenção, mais presentes. No dia de seu aniversário, calhou que eu tinha um compromisso social com Viviane. Essa desfeita custou-me alguns dias sem vê-la. Foram dias pavorosos, admito. Implorei para reatarmos o, digamos, romance. Ela concordou, mas disse com todas as letras que queria me ter por mais tempo.&lt;br /&gt;Que poderia eu fazer? Concordei, iniciando então um período de mentiras em casa e no trabalho para conseguir tempo para Bruna. Eram horas esporádicas, às vezes no intervalo para o almoço, outras no final da tarde, com a desculpa de reuniões... Enfim, passei a levar uma vida dupla, uma existência sobressaltada. Estranhamente, Viviane parecia não perceber nada. Felizmente, ela passava a maior parte do tempo cuidado da casa e das crianças ou trabalhando no computador. Para mim, estes trabalhos de digitação que ela começara a fazer em casa caíram do céu, já que a mantinham ocupada e de certa forma distante. Dediquei-me ainda mais a Bruna. Eram presentes, mimos, agrados, horas fortuitas em diversos motéis, saídas cada vez mais ousadas para barzinhos... Sim, não era mais como se fôssemos meros amantes. Eram como se estivéssemos namorando. Conversávamos longamente sobre o passado, sobre como poderia ter sido a nossa vida se tivéssemos ficado juntos. Comecei a retornar para casa para vez mais tarde, as vezes Viviane estava trabalhando no computador, outras vezes já estava dormindo... Acostumado a ser fiel e caseiro, sentia a consciência amargar. &lt;br /&gt;Por fim, aconteceu o que era previsível. Com sua habitual personalidade forte, Bruna jogou-me contra a parede: estava apaixonada por mim, disse, e queria ficar comigo de vez, sem subterfúgios, sem escapadas. Enfim, queria um relacionamento. Ou então, o rompimento. Tentei contra-argumentar, mas ela se manteve irredutível. E queria a resposta rapidamente.&lt;br /&gt;No caminho para casa, após tal conversa, percebi que, com o auxilio do Orkut, eu havia exumado um cadáver, para usar de uma expressão algo grosseira, mas que se aplicava exatamente ao que estava se passando comigo. Minha vida estava quieta, tranqüila, até que eu resgatara do passado algo que estava morto e enterrado, mas que mantinha imenso potencial de sedução.&lt;br /&gt;Confuso, percebi que não sabia o que queria. Evidentemente, não pensava em terminar um casamento sólido, com filhos e segurança... mas por outro lado, não imaginava mais a minha vida com Bruna. Embora não fosse hábito meu, pensei que uns drinques me fariam raciocinar melhor. Enfurnei-me em um bar decadente na Praia do Meio e bebi o suficiente para embaralhar ainda mais minhas idéias. Por fim, não sabia mais o que queria. &lt;br /&gt;Ao entrar no carro, para voltar para casa, pensei em contar tudo a Viviane e esperar pelo pior. Afinal, ela terminando o casamento eu estaria livre para ficar com Bruna. No meio do caminho raciocinei que seria uma besteira por fim a um casamento de tantos anos por causa de uma paixão... E se eu conseguisse protelar a situação com Bruna? Pouco provável. Eu conhecia seu poder de decisão. Se eu não concordasse com seus termos o mais provável é que ela me esquecesse novamente e fosse à procura de um novo amor, com grandes chances de encontrá-lo rapidamente.&lt;br /&gt;Em suma, não sabia o que fazer. Apenas acreditava que não queria – ou não podia – mais viver sem Bruna. Chegando em casa, abri a porta da sala com todo o peso do mundo nas minhas costas. Minha esposa não merecia isso, pensei. Ao entrar em casa, todavia, tive uma surpresa. Viviane estava sentada no sofá, usando um vestido preto bastante curto, com um copo de uísque na mão direita. Um cigarro aceso crepitava em um cinzeiro ao seu lado. Ela reparou em minha expressão surpresa, afinal, Viviane nem bebia uísque nem fumava, mas não sorriu. Ela descobriu tudo sobre Bruna, pensei. O que deveria fazer? Confessar e pedir perdão? Negar?&lt;br /&gt; - Precisamos conversar... – murmurou, com um fiapo de voz na garganta.&lt;br /&gt;Sim, ela descobriu tudo, concluí. Derrotado, sentei-me no sofá á sua frente. Percebi então que não queria perde-la e decidi lutar com todas as forças para não perde-la por causa de minha infidelidade.&lt;br /&gt; - Pode falar... – respondi. Ela bebeu do uísque, respirou fundo e disparou: - Nos últimos tempos temos andado distantes um do outro. Talvez você esteja trabalhando demais, talvez tenha uma amante, não sei...Mas isso não vem ao caso. O fato é que há alguns meses eu percebi que a vida que eu estava vivendo não era o que eu queria, não me satisfazia mais como antes, se é que algum dia eu me satisfiz com ela. Não estou reclamando de você....sempre te achei um ótimo marido, um ótimo pai, não tenho queixas quanto a você...o problema sou eu mesma. E justamente quando eu estava pensando no que deveria fazer da minha vida reencontrei em um bate papo na Internet um antigo namorado, o André. Você se lembra que eu já falei dele, não? Namoramos uns dois anos antes que eu te conhecesse. Eu era louca por ele, ou pelo menos achava que era. Eu não era mais virgem, mas tampouco sabia o que era prazer. Foi com ele que eu descobri tudo que se poderia fazer na cama...enfim, ele me ensinou muitas coisas. Um dia ele me pediu em noivado, falou em casamento. Como me sentia muito nova para casar, recusei, mas no fundo sentia vontade de dividir uma vida com aquele homem um pouco mais velho que eu, ousado, que tanto falava em viagens e aventuras. Meses após minha recusa, ele foi morar na Austrália. Deduzi que a partir dali ele iria correr pelo mundo e emocionalmente desisti dele. Comecei a namorar Rubinho, um rapaz que estudava no cursinho comigo, ciumento e imaturo como poucos e meses depois conheci você, que me parecia a perfeição: equilibrado, seguro, sem excessos, me apaixonei por você e também por... mas era uma paixão contida, segura, que  até me faz bem, mas não me completa por inteiro...aí em um bate papo na Internet, numa noite dessas, eis que reencontro André em uma sala de bate papo...começamos a nos teclar, falamos sobre a vida, ele falou das viagens que fizera e de como continuava procurando algo mais...enfim, não tardou que trocássemos telefones e nos encontrássemos. Mas, não pense mal de mim, querido, eu estava decida apenas a encontrá-lo como amigo. O problema é que a situação saiu do meu controle. Ficamos juntos, relembramos o passado e o fato, meu querido, é que descobri que estou apaixonada por ele... Acho que eu e você somos maduros o suficiente para negociamos uma separação tranqüila e amigável... Por que está fazendo essa cara? Não fique assim, meu amor, eu só estou dizendo que quero morar e viver com André... Tenho certeza que você vai me compreender...&lt;br /&gt;Claro que eu compreendera. Viviane também exumara um maldito cadáver. Deveríamos ter deixado os mortos sepultados, mas, eis que agora era tarde demais. Sorri, passei a mão suavemente em seus cabelos e fui para o quarto arrumar minhas malas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-1331181291385631453?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/1331181291385631453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=1331181291385631453' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1331181291385631453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1331181291385631453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/05/exumando-cadaveres.html' title='Exumando cadáveres'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S-gQwjrZAQI/AAAAAAAABlo/0k7ytTStsq4/s72-c/man-ray-solarisation-1931.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-5451522809406661267</id><published>2010-04-26T12:48:00.001-07:00</published><updated>2010-04-26T12:50:33.710-07:00</updated><title type='text'>Cachorro quente ou hot dog?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S9XuNBrbesI/AAAAAAAABjI/i9IoaTQSUNw/s1600/hotdog.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S9XuNBrbesI/AAAAAAAABjI/i9IoaTQSUNw/s200/hotdog.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464535630440266434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receoso de ferir os brios patrióticos dos amigos e amigas do país de Mossoró, resisti bravamente a escrever o texto que se seguirá. Temia que ele colocasse mais lenha na centenária rixa entre natalenses e mossroenses, com os primeiros geralmente tecendo piadas ferinas e comentários maldosos a respeito do comportamento das gentes de Mossoró.&lt;br /&gt;Contudo, durante recente confraternização cultural (e etílica) na 1ª Feirinha de Livros de Currais Novos, o comandante em chefe da Revista Papangu, Tulio Ratto, garantiu não somente a publicação de tal texto sem censuras como minha integridade física (tendo em vista a pouco hercúlea compleição física de Tulio, não estou certo que sua garantia de segurança me valerá de muita coisa...). Ainda assim ganhei coragem para escrever sobre uma aventura gastronômica que vivi na terra de Santa Luzia. Que os amigos Cid Augusto e Kydelmir Dantas, pacatos e bons companheiros, que viram gladiadores na hora de defender Mossoró, me perdoem.&lt;br /&gt;Bem, vamos à história. O episódio aconteceu nos idos de 1992, quando eu acabava de ter o prazer de entrar na redação da Gazeta do Oeste, nos bons tempos em que Canindé Queiroz comandava uma equipe de até hoje bons amigos como Carlos Santos, Cesar Santos, Gutemberg Moura, Augusto Paiva, Emerson Linhares, e outros. Mas, deixemos de nostalgia. O fato é que eu acabava de chegar a Mossoró, cidade que conhecia apenas superficialmente, e ainda não havia me detido na vida cotidiana e nas particularidades mossoroenmses.&lt;br /&gt;Na minha primeira semana, lanchava (e almoçava, diga-se) baurus no treiller de Titi, ao lado da Gazeta. Em uma bela tarde, o trailler se encontrava fechado e resolvi sair a esmo pelo centro à procura de uma lanchonete. Numa rua, cujo nome não recordo, lá perto do legendário Restaurante do Mathu, descobri uma lanchonetezinha. Estava vazia e parecia agradável, apesar de simples. Senti ao balcão caçando o cardápio ou coisa que o valasse. Inútil.&lt;br /&gt;Por fim, surgiu da cozinha um rapaz resmungando um boa noite que mais parecia um convite para me retirar. Resolvi ficar, e perguntei se tinha algum salgado, tipo pastel ou empada. Secamente, ele respondeu que não. Perguntei então se tinha cachorro quente... O cidadão coçou a barba por fazer e disparou: “Amigo, você quer cachorro quente ou hot dog?”. Senti no momento um vazio mental, tal a irrealidade da pergunta.&lt;br /&gt;“Mas, qual a diferença entre um e outro?”, perguntei, inocentemente. O cara me olhou como se eu fosse imbecil – talvez o fosse, naquele instante – e respondeu, todo senhor de sua secura: “Cachorro quente é com carne moída, hot dog é com salsicha!”. “Ah, é claro...”, concordei, como se respaldando uma verdade absoluta. Acostumado que era a comer os tradicionais cachorros-quentes com salsicha, à moda americana, lá no jurássico Passport, na Praça Cívica, em Natal, desde a mais tenra infância, deveria ter optado pelo que conhecia. Mas, a vontade de desbravar culinárias estrangeiras falou mais alto. “Me veja um cachorro quente aí”, pedi.&lt;br /&gt;O camarada foi para a cozinha. Retornou logo trazendo em um prato azul, um pão cheio de carne e verduras, fumegante e cheiroso. Contudo, um detalhe: no prato, garfo e faca! Educadamente, peguei os talheres e coloquei-os no balcão. “Obrigado, mas não vou precisar”. O rapaz nada falou. Empolgado, com o aroma, puxei dois guardanapos de papel e avancei as mãos para o prato, dando início à minha tragédia. Mal levantei o pão á boca, o bicho começou a se liquefazer. Nervoso, inclinei o pão, derramando um caldo marrom em minha calça jeans. Ainda mais nervoso, coloquei o pão no prato e ele – já mais liquido do que sólido – praticamente se desmanchou. Olhei para a calça e parte da camisa, todas sujas e pensei em protestar, quando reparei na expressão impassível do cidadão, me olhando com a superioridade natural que um nativo de Mossoró encara forasteiros de culturas primitivas. Concluí que era inútil reclamar. O culpado, afinal de contas, era eu. Olhei para o cachorro quente que havia pedido, na verdade quase uma sopa, e não um sanduíche. Não havia como resistir àquele caldo onde boiavam pão molhado, carne, cebola, tomate e pimentão. Recolhido à minha insignificância, olhei com humildade para o sujeito, que esboçava um sutil sorriso nos cantos da boca e pedi: “Amigo, por favor, me veja garfo, faca e uma colher...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(Publicado originalmente na Revista Papangu de 31 de agosto de 2006)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-5451522809406661267?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/5451522809406661267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=5451522809406661267' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/5451522809406661267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/5451522809406661267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/04/cachorro-quente-ou-hot-dog.html' title='Cachorro quente ou hot dog?'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S9XuNBrbesI/AAAAAAAABjI/i9IoaTQSUNw/s72-c/hotdog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-3559901322588228447</id><published>2010-04-05T09:09:00.001-07:00</published><updated>2010-04-05T09:11:07.553-07:00</updated><title type='text'>"Para o inferno"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S7oLagts8GI/AAAAAAAABfo/52hrfQgoV8Q/s1600/el_greco_laocoon.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 162px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S7oLagts8GI/AAAAAAAABfo/52hrfQgoV8Q/s200/el_greco_laocoon.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456686448598904930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Entrou no táxi apressado – os olhos injetados e doentios - e instalou-se no banco traseiro. O taxista, envolto em suor e tédio perguntou: “O senhor quer ir para onde?” "Para o inferno", respondeu o passageiro. O taxista virou-se. Percebeu no olhar do estranho passageiro - um homem maduro, corpulento e de modos sombrios - um desespero mesclado com uma inusitada serenidade. O homem sustentou o olhar do taxista e implorou: "Por favor, siga em frente". O taxista suspirou e obedeceu. Esperou que alguns segundos se passassem para perguntar novamente: "Para onde o senhor vai?". "Se eu soubesse...", suspirou o passageiro, para completar: "Quem sabe para onde vai? Você sabe para onde vai?". O taxista hesitou: "Eu vou para onde o senhor disser que iremos". "Se eu não sei para onde vou, como pode dizer isso?". "Preciso que o senhor diga para onde quer ir, ou vou ter que parar o carro para não gastar gasolina". "Eu entrei no seu táxi dizendo para onde queria ir: para o inferno.". "Não posso te levar para o inferno". "Então me leve para algum lugar parecido". O taxista hesitou novamente. Que lugar lhe assemelharia mais aos mundos infernais? Sua própria casa, com sua esposa que mal lhe dirigia a palavra havia anos e os filhos adolescentes que não o respeitavam? O clube no domingo com os amigos interesseiros e as brigas que fatalmente aconteciam? Os encontros semanais com o dono do táxi, que lhe cobrava impiedosamente o aluguel do veículo e sempre reclamava de alguma coisa? De repente todos os aspectos de sua vida lhe pareceram infernais, e em uma questão de segundos se perguntou se valia a pena estar vivo. Mais: se queria ainda continuar vivendo. Realmente vivera ao longo daqueles anos todos de necessidades e humilhações. Freou o carro, subitamente. "O que houve?", perguntou o passageiro. "Que houve?". "Não posso te levar para o inferno. Descobri que já vivo nele". "Então, faça o que tem que fazer". "É o que o senhor quer?". "Com certeza. Vamos, homem, resolva tudo por nós dois". O taxista então deu partida e rumou para a ponte quebrada e abandonada na zona noroeste da cidade. Sempre quis passar direto pelos cones que alertavam os motoristas do perigo. Sempre quis saber se a água do rio era realmente gelada e lodosa, como diziam. Sempre quis descansar de sua própria vida. Ainda que fosse no inferno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-3559901322588228447?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/3559901322588228447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=3559901322588228447' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3559901322588228447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3559901322588228447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/04/para-o-inferno.html' title='&quot;Para o inferno&quot;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S7oLagts8GI/AAAAAAAABfo/52hrfQgoV8Q/s72-c/el_greco_laocoon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-2503016860668677408</id><published>2010-03-19T10:10:00.000-07:00</published><updated>2010-03-19T10:11:03.061-07:00</updated><title type='text'>Noite passada sonhei que alguém me amava</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S6OwF6p227I/AAAAAAAABc4/GaXgB7H05PQ/s1600-h/hopper-edward-automat.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 154px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S6OwF6p227I/AAAAAAAABc4/GaXgB7H05PQ/s200/hopper-edward-automat.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450393589739084722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela olha para a taça de vinho como quem observa uma escultura de Rodin, entre a contemplação e o espanto. Olhos fixos na bebida, mas como se nem ela - a mulher – nem o vinho estivessem ali, mas, muito longe. É estranho que esteja bebendo vinho. Normalmente bebemos vinho quando acompanhados, não sozinhos. A solidão é mais convidativa para uísque, aperitivos, coquetéis. Mas, ela bebe vinho tinto e isso torna a solidão dela mais extensa, como se fosse crescer e engolir todo o bar, todo o mundo.&lt;br /&gt;O nome dela é Luiza. Tem trinta anos. Talvez durante o dia pareça ter menos e seja mais bonita, mas, sentada à mesa com os olhos fixos na bebida, parece carregar todo o peso e a tristeza do universo. Rugas e olheiras despontam de seu rosto como plantas. Mas, nada disso importa.&lt;br /&gt;Quanto a mim, me chamo Carlos, trabalho como barman neste local há seis meses e estou completamente apaixonado por ela.&lt;br /&gt;Ela jamais me olhou, isto é, jamais me viu como um ser humano. Sou apenas o barman a quem ela pede vinho, cigarros e isqueiro. Depois paga a conta, desfralda um sorriso amargo e vai embora. Mas, repito, não importa. Eu a considero a mulher mais linda do mundo e se ela me dignasse a trocar três frases comigo, eu iria para casa feliz, sozinho, mas feliz.&lt;br /&gt;Sei que se chama Luiza porque, uma noite, ela pagou a conta com cheque. Chama-se Luiza Nunes dos Santos. Pela tonalidade mais clara no dedo anelar da mão, deduzo que usava aliança até pouco tempo. Era casada, portanto.&lt;br /&gt;Que mais sei sobre ela? Que quando gosta da música ambiente tamborila na madeira do balcão, como se acompanhando a melodia. Por vezes, sua tristeza parece ceder espaço a um encantamento produzido pela música. Recordo de uma noite, antevéspera de natal, quando coloquei no som uma canção antiga do The Smiths: &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Last night I dreamt that somebody Love me&lt;br /&gt;No hope, but no harm, just another false alarm&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ela olhou para o teto como se esperando algo – uma revelação, um manual de instruções – cair do céu. Em seguida, roeu as unhas, o que fazia quando estava mais tensa que o habitual, eu o percebia, e pediu outra taça de vinho.&lt;br /&gt;Jamais se embriagava. Jamais perdia a compostura. Apenas bebia vinho e respirava seu próprio desespero. Quantas noites não pensei em tirá-la do seu transe e dialogar com ela. Saber se tinha filhos, o que fazia durante o dia, onde trabalhava, do que gostava de comer. Mas, como resgatá-la do poço onde ela se jogara com sua solidão?&lt;br /&gt;Hoje, ela se foi mais cedo. Com mais tristeza no olhar do que o habitual. Também bebeu mais vinho que de costume. Usava um vestido preto com manchas esbranquiçadas. Sem maquiagem, seu rosto parecia precocemente envelhecido. Não importa, eu continuo apaixonado por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela olha para o copo de uísque com amargura milenar, como se o peso de séculos tivessem caído sobre sua cabeça. Ela tem cabelos loiros amarrados com negligência. Usa batom e tem os olhos moldurados por rímel preto. Termina a dose com rapidez pede outro uísque. Reclama que a dose poderia ser maior e que coloquei gelo em excesso no copo. Depois reclama que está calor no bar. Em seguida pede o isqueiro e comenta sobre as chuvas que caíram na cidade na noite anterior.&lt;br /&gt;Não, a mulher sentada ao balcão não é Luiza. Chama-se Julia, e sei disso porque ela se apresentou tão logo servi a segunda dose. Sorri para mim, depois diz que está sem cigarros. Pergunta se eu fumo e respondo que não. Ela está sentada onde Luiza costumava sentar, para beber vinho tinto em lentas taças, tamborilar ao som de velhas canções e exalar toda a tristeza que uma pessoa pode sentir.&lt;br /&gt;Sirvo mais uma dose para Julia. Em seguida, atendo a outros clientes. Tenho dificuldade para olhar em direção onde ela está sentada. Onde Luiza costumava ficar.&lt;br /&gt;Luiza tirou a própria vida na noite de ontem. Tomou dezenas de anfetaminas com vodca. Não houve dúvida que foi suicídio. A polícia encontrou junto ao corpo um breve bilhete dela despedindo-se da vida. O dono do bar, passando pelo prédio onde morava, testemunhou o corpo, embalsamado em plástico preto, ser retirado do local.&lt;br /&gt;Descobri, então, que morava duas rias depois do bar. Nada mais sei sobre ela. Nem quero saber mais nada. Sei que eu a amava, por estranho que possa parecer.&lt;br /&gt;Julia pede uma porção de azeitonas e sorri para mim. Com uma súbita dor nas costas e na cabeça, sirvo-a com educação e me volto para colocar um CD:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Last night I felt real arms around me &lt;br /&gt;No hope, no harm, just another false alarm…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Espero agora o expediente terminar para recolher os cacos de mim no bar e me arrastar até meu apartamento, desejando ardentemente que o teto caia sobre minha cabeça. Desejando morrer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-2503016860668677408?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/2503016860668677408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=2503016860668677408' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2503016860668677408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2503016860668677408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/03/noite-passada-sonhei-que-alguem-me.html' title='Noite passada sonhei que alguém me amava'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S6OwF6p227I/AAAAAAAABc4/GaXgB7H05PQ/s72-c/hopper-edward-automat.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-1058890843304605236</id><published>2010-03-12T08:57:00.000-08:00</published><updated>2010-03-12T09:07:10.303-08:00</updated><title type='text'>Uma ciranda ao redor da fonte</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S5p0dVocuaI/AAAAAAAABbw/PwbZ3UxjDas/s1600-h/munch_vampire.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 155px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S5p0dVocuaI/AAAAAAAABbw/PwbZ3UxjDas/s200/munch_vampire.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447794746629863842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, era chegada a hora da revelação sobre como envelheceste uma criança tomando-a pela mão... Dançamos uma ciranda em volta da fonte e lá recebo tua mão rude em meu rosto e  aceito isso neste instante!&lt;br /&gt;Quinze minutos ao teu lado... bem sabes que eu jamais diria “não”. Todos diziam que estavas virtualmente morto. E como estavam todos tão errados... Apenas quinze minutos ao teu lado, mas, sabes que eu jamais diria “não”. Todos diziam que eras maria-vai-com-as-outras. E não estavam de todo errados...&lt;br /&gt;Chegou a hora da revelação. Contemos como envelheceste uma criança tomando-a pela mão... Quinze minutos ao seu lado... Sabes que eu jamais diria “não”. Ninguém reconhece teu valor. Apenas eu, meu amor!&lt;br /&gt;Sonhei contigo noite passada e por duas vezes caí da cama gelada. Portanto, se desejar, me pregue com um alfinete em sua coleção de insetos... Mas, “leve-me para o abrigo de tua cama”, tu nunca disseste a quem tanto te chama. Apenas duas colheres de açúcar, por favor. Podes até bancar a mais fina flor, pois também eu, o farei...&lt;br /&gt;E então, mais um encontro lá na fonte. Um empurrão bem no meio do pátio... Também isso aceitarei com devoção... Quinze minutos ao seu lado, bem sabes que eu jamais diria “não”. Ninguém reconhece teu valor, apenas eu, meu amor!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(Conto experimental baseado na tradução livre-poética que fiz da canção “Reel around the fountain”, letra de Morrissey e música de Johnny Marr, da banda inglesa The Smiths, gravada para o álbum “The Smiths”/1984)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-1058890843304605236?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/1058890843304605236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=1058890843304605236' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1058890843304605236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1058890843304605236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/03/uma-ciranda-ao-redor-da-fonte.html' title='Uma ciranda ao redor da fonte'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S5p0dVocuaI/AAAAAAAABbw/PwbZ3UxjDas/s72-c/munch_vampire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8872484972369008343</id><published>2010-02-24T09:21:00.000-08:00</published><updated>2010-02-24T09:25:05.788-08:00</updated><title type='text'>O túmulo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S4VgkCG0XpI/AAAAAAAABZA/K0ndygkDwFE/s1600-h/porquegritara.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 158px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S4VgkCG0XpI/AAAAAAAABZA/K0ndygkDwFE/s200/porquegritara.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5441861896904138386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos todos que as coisas sobrenaturais existem com tanta intensidade quanto as naturais, apenas não se oferecendo à vista humana as primeiras tanto como as segundas, com as quais nossos olhos já estão acostumados. Dito isso e com a certeza que o mundo invisível &lt;span style="font-style:italic;"&gt;é tão ou mais real que o visível&lt;/span&gt;, inicio meu relato sobre os fatos que aconteceram naquela malfadada noite de agosto.&lt;br /&gt;Éramos quatro; eu, Borba, Bento e Machado, que, de tanto beber e contar vantagens tornamo-nos corajosos de súbito. Ainda no bar, um de nós pensou em subirmos a estrutura metálica da ponte velha. Outro cogitou jogarmos estrume à porta de igreja. Até que Bento foi enfático: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sejamos homens e hereges de verdade! Violemos um túmulo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O medo de ter medo e o grau etílico que estávamos nos impulsionaram para o cemitério. Uma vez entre as tumbas, munidos apenas de uma lanterna velha e ajudados pela lua cheia, procuramos um Túmulo ideal para profanarmos. Até que Bento, como se tomado por um espírito, gritou: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;É esse o túmulo!&lt;/span&gt;, e apontou para uma cova cuja terra – recém cavada – ainda estava fresca. Por alguma razão, evitam os ler o nome na lápide, e, com as pequenas pás que carregamos, começamos a cavar. Não tardou para que chagássemos ao caixão, de madeira ordinária e gelada. &lt;br /&gt;Com certo temor – admito, com desespero – olhamos um para o outro na expectativa de levantar a tampa e concluir a profanação do  túmulo, nosso terrível objetivo. Decidido, Machado segurou com força a tampa e puxou-a, conseguindo abri-la com  ajuda de Borba. Tenso, olhei para dentro, curioso em ver o corpo frio de alguém que outrora fora um  ser humano.&lt;br /&gt;Qual não foi nossa surpresa! O caixão estava vazio. Será alguma brincadeira de mau gosto?, sussurrou Machado, mandando Bento ler o nome escrito na lápide. Nosso infeliz amigo iluminou a placa e lemos a inscrição: “Aqui jaz Bento Araújo Alencar, profanador de túmulos. Que o inferno o leve!”.&lt;br /&gt;Sem acreditar, olhamo-nos novamente. Bento leu a data de nascimento. Era exatamente o dia em que nascera. Quanto a data de morte? Aquele mesmo dia: 13 de agosto daquele ano amaldiçoado.&lt;br /&gt;Entre o horror e o desejo de sair dali, vimos nosso amigo Bento desmaiar e cair deitado dentro do caixão. Paralisados pelo medo, demos um passo para trás. A tampa do caixão fechou-se sozinha e saímos então daquele lugar maldito. Para nunca mais voltar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8872484972369008343?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8872484972369008343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8872484972369008343' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8872484972369008343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8872484972369008343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/02/o-tumulo.html' title='O túmulo'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S4VgkCG0XpI/AAAAAAAABZA/K0ndygkDwFE/s72-c/porquegritara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-6586509693909013958</id><published>2010-01-26T11:03:00.000-08:00</published><updated>2010-01-27T05:13:41.748-08:00</updated><title type='text'>Sete vidas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S2A7-xZotvI/AAAAAAAABWg/428RCsHlvfU/s1600-h/picasso-wounded-bird-and-cat.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 162px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S2A7-xZotvI/AAAAAAAABWg/428RCsHlvfU/s200/picasso-wounded-bird-and-cat.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431407100207609586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela resolvera criar um gato. Ou melhor, nada resolvera, tudo não passou de um acaso. Andava pela calçada entretida com sua própria solidão quando se deparou com um filhote de gato no meio-fio. Jamais gostara de gatos. Quando muito, sua afeição por animais limitara-se a um poodle que tivera quando adolescente e um trio de peixes beta que morreram por excesso de alimentação.&lt;br /&gt;Portanto, surpreendeu-se interrompendo a caminhada para olhar o felino: era cinza, completamente cinza, o que conferia a seus olhos azulados uma tristeza infinita. Emitiu um miado indicando fome, certamente. Quase reiniciara a caminhada quando olhou novamente para o gato; teria sido abandonado, com o ela mesma o fora? Talvez por essa associação de idéias, somada à compaixão, resolveu, com alguma repulsa, pegar o animal e levá-lo para casa.&lt;br /&gt;Uma vez em seu apartamento, arrependeu-se do que fizera. O felino miava com desespero e tremia de fome. Pensou em ligar para uma miga que criava um par de gatos persas, mas, desistiu. Cortou em pedaços pequenos um peito de frango esquecido na geladeira e colocou em um pires no chão da área de serviço. O animal devorou a comida rapidamente e continuou miando. Ela lembrou-se que ele teria de beber água e colocou uma vasilha ao lado do pires. Tendo bebido a água, o gato encolheu-se em um canto perto da máquina de lavar e dormiu como guerreiro que sobrevive a uma encarniçada batalha.&lt;br /&gt;Igualmente cansada e também sobrevivente, ela olhou o gato insone e teve vontade de chorar. Conseguiu controlar-se, tomou um banho e deitou no sofá tentando entender porque Roberto a deixara. Era certo que estavam brigando quase diariamente e também era certo que ela mesma pensava em separação. O que ela não conseguia aceitar era que ele tivesse feito as malas e partido, quase na calada da noite, sem uma conversa a mais, sem uma despedida, sem deixar que ela desabafasse tudo que lhe envenenava e sufocava. &lt;br /&gt;Acordou no dia seguinte, molhada de suor e torta da noite no sofá, com o gato lambendo seu tornozelo. Seu primeiro impulso foi de chutar o animal, mas, controlou-se e terminou comovida com os olhos tristes que a fitavam, a pedir comida, água e, talvez, um pouco de carinho. Não sabia como alimentá-lo. Durante dois dias dividiu com o bichano os restos de hambúrgueres e enlatados. Nas compras semanais incluiu ração para gatos. Percebeu que estava se afeiçoando ao pequeno animal, que cada vez mais mostrava menos melancolia nos olhos. Superou a repulsa inicial e passou a segurá-lo, descobrindo que se tratava de um macho. Já que não vou conseguir me livrar dele e vou mantê-lo aqui, é melhor que lhe dê um nome., pensou. Resolveu chamá-lo de Victor, em homenagem ao compositor chileno assassinado pela ditadura. Com o passar dos dias passou a chamá-lo de Vitinho, mas, por aquela razão enigmática pela qual surgem os apelidos, começou a tratá-lo como Zequinha. Gato tranqüilo e silencioso – quando bem alimentado – pouco ou nada alterou a vida da nova dona, salvo, talvez, a caixa de areia que tivera de providenciar, ajudada pelo zelador do prédio.&lt;br /&gt;Zequinha passou a ser a única companhia na solidão de sua dona, que, por mais que passarem os dias, semanas, esperava que Roberto entrasse pela porta adentro. Desejava mostrar ao ex-marido o gato, por quem aprendera a nutrir carinho e respeito. Até que um dia Roberto ligou, mas, não para comunicar a volta para casa. Queria o divórcio, pois pensava em se casar novamente. Ela mergulhou em pranto e vodca, naquela noite em que sua alma parecia querer sair do corpo. No dia seguinte, ressacada, tentou se recompor para tomar decisões. Ainda enjoada, saiu do banheiro e viu Zequinha na mureta da varanda. Não acostumada ao equilíbrio inerente aos gatos, desesperou-se e correu na direção dele, que, por precaução ou susto, pulou para baixo, caindo do terceiro andar. Não teve coragem de olhar para baixo, imaginando o bicho de estimação em uma poça de sangue. Sentou-se ao sofá chorando, quando ouviu a campainha. Era o zelador com o gato, vivo, inteiro, na mão. Gato tem sete vidas, dona, sorriu.&lt;br /&gt;Passou a amar Zequinha. Comprou-lhe uma cesta para dormir, rações mais saborosas, brinquedos. Dormia sentada no sofá acariciando a cabeça ou o pescoço do gato, que dormia junto com ela. Sentia-se mais sozinha do que nunca, sem família, sem amigos, sem Roberto. Tinha apenas o bichano, com nome de poeta e apelido carinhoso.&lt;br /&gt;Até que um dia aconteceu tudo ao mesmo tempo. Roberto ligou comunicando que se casaria em breve e os papeis do divórcio estariam prestes e sair. Foi quando ela saboreava sorvete de nata na mesa da sala e viu Zequinha saltar pela janela. Nada demais, ele retornaria em breve, guiado pelo instinto e pela afeição, ou o zelador o traria de volta. Nada disso aconteceu. Passaram os dias e o gato não retornava. Primeiro ela se desesperou, depois procurou-o na rua, na vizinhança, e, por fim, se confirmou. Não nasci para ter nada nem ninguém, pensou. Alternava sorvete, comida enlatada e uísque barato em dias mortos, até que tomou a decisão, de forma serena e natural. Comprou, com a ajuda de uma amiga farmacêutica e uma desculpa esfarrapada, duas cartelas de Drazil. À noite, juntou os comprimidos todos – dezesseis – em um pires, armou-se de um copo d´água e outro de uísque, à espera da coragem necessária para a decisão final. Bebeu duas doses de uísque e sentiu o sangue se aquecer. Em seguida, lembrou de Zequinha, do aia em que, seduzida pelo olhar triste do gato, acolheu-o em sua casa. Ele poderia ter morrido na rua, atropelado, envenenado, mas, conseguiu sobreviver. Ele tinha sete vidas, divertiu-se. Porém, eu não tenho sete vidas, mas, apenas uma!, pensou Ficou um longo tempo imóvel, ouvindo o som desconexo dos apresentadores do telejornal. Em seguida levantou-se, foi até o banheiro, onde jogou os remédios no vaso sanitário e deu descarga. Suspirou e entrou no banho tentando lembrar se o restaurante oriental da esquina ainda estaria aberto àquela hora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-6586509693909013958?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/6586509693909013958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=6586509693909013958' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6586509693909013958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6586509693909013958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/01/sete-vidas.html' title='Sete vidas'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S2A7-xZotvI/AAAAAAAABWg/428RCsHlvfU/s72-c/picasso-wounded-bird-and-cat.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-5344635761491915088</id><published>2010-01-06T10:42:00.000-08:00</published><updated>2010-01-06T10:43:39.271-08:00</updated><title type='text'>Perdendo a cabeça</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S0TZ0b-b-7I/AAAAAAAABSg/v1QGLwuBhgY/s1600-h/marlene_dumas.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 198px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S0TZ0b-b-7I/AAAAAAAABSg/v1QGLwuBhgY/s200/marlene_dumas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423699346146982834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amava revoltas, revoluções, turbas e tumultos. Barulho e agitação o faziam perder a cabeça. Violento, sangue quente; perdia a cabeça com freqüência, agrediu os irmãos, e a família o mandou para a Capital, onde fez amizade com os revolucionários. Gritava nas tabernas e nas ruas parisienses, tanto o vinho como a política o faziam perder a cabeça.  Decidiu fazer a revolução e depor a família real. Conseguiu. Contudo, escolheu o lado errado. Traiu amigos. Foi condenado. Olhando a multidão aos gritos à sua frente, ouviu o barulho do metal e a guilhotina se aproximando do seu pescoço. Perdeu a cabeça pela última vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-5344635761491915088?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/5344635761491915088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=5344635761491915088' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/5344635761491915088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/5344635761491915088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2010/01/perdendo-cabeca.html' title='Perdendo a cabeça'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/S0TZ0b-b-7I/AAAAAAAABSg/v1QGLwuBhgY/s72-c/marlene_dumas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-3957756566092775976</id><published>2009-12-01T08:40:00.000-08:00</published><updated>2009-12-01T08:43:16.885-08:00</updated><title type='text'>Desabrochando</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SxVHXHKU5RI/AAAAAAAABOM/h3Pi8Q-l25o/s1600/renoir_1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SxVHXHKU5RI/AAAAAAAABOM/h3Pi8Q-l25o/s200/renoir_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410308989740442898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que não fosse religioso, lembrei do Eclesiastes naquela manhã chuvosa de agosto: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de abraçar e tempo de afastar-se&lt;/span&gt;. Na verdade, eu começara a refletir sobre a questão desde que os cabelos insistiam em partir e as dores nas pernas e nas costas ficavam mais constantes. Mas, o passar dos anos não me assustava: realizado profissionalmente, bem casado com Helena, pai de Amanda, uma filha linda e saudável, eu fizera do tempo um bom amigo.&lt;br /&gt;Às voltas com a administração da minha empresa de informática, recebi – naquela manhã de forte chuva – um telefonema de Helena. Disse que tinha algo importante a me comunicar. Imaginei tratar-se de contas a pagar ou o pedido para levar algo para casa. Nada disso. Entre a satisfação e indisfarçável constrangimento, ela disse que Amanda menstruara pela primeira vez. &lt;br /&gt;A primeira sensação foi de uma estranha angústia. Claro que eu sabia – posto que ela tinha treze anos – que tal dia chegaria. Contudo, uma vez acontecido o fato temos uma estranha sensação de surpresa, como se tal coisa jamais fosse acontecer. Tolice. Claro que aconteceria, e naquele instante eu percebia que o fato provocaria mudanças na vida de Amanda e, certamente, na minha.&lt;br /&gt;O pensamento que me invadiu foi o óbvio: a minha menina estava se transformando em mulher. Não sem certa melancolia, lembrei de quando ela era um bebê, ninada em meus braços sob o encanto de velhas cantigas. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta...&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Recordei das fraldas sujas que troquei nela e das vezes que a levantei do chão, quando caía, no exercício penoso – e por fim bem sucedido – de andar sozinha. Como um filme, todas as cenas da menina que vi nascer e crescer passaram por mim como se em despedida. Afinal, a menina não existiria mais. Daria lugar a uma mulher – antes disso a uma adolescente, com suas espinhas, neuras, chiliques e caprichos - que teria de encontrar seu espaço em meio a um mundo de homens, como se diz.&lt;br /&gt;Outra recordação: das aulas de biologia. Menarca era o nome da primeira menstruação, sim, o termo me vinha à cabeça como um chicote, a lembrar de tecnicidades, de ações hormonais, do sangue, enfim. Um sangue simbólico que levaria minha menina para sempre para as terras da memória e me daria alguém diferente em troca.&lt;br /&gt;Fui tomar um café na copa enquanto meu cérebro funcionava febrilmente. Pouco ou nada eu havia conversado com Amanda, embora fôssemos tão próximos, sobre menstruação e a passagem da infância para a adolescência. Talvez eu acreditasse que era um assunto para ser trado com a mãe delas, em uma conversa de mulheres. Quem sabe meu subconsciente não quisesse esconder dela própria que minha menininha um dia cresceria. De qualquer maneira eu estava arrependido de jamais ter explorando o tema. Como fazê-lo a partir dali? Como adentrar no mundo secreto que Amanda e Helena viveriam a partir de então, um mundo feito de absorventes íntimos, olhares cúmplices, alterações de humor. Era como se Amanda estivesse definitivamente abandonando o universo que eu construíra para nós dois e adentrasse em um mundo onde qualquer coleguinha de colégio teria mais peso do que eu. Recordei dos estudos que fizera nos tempos de universidade, sobre como a sociedade ocidental estigmatiza a menstruação, principalmente a menarca. Tudo tratado com segredos, olhares fortuitos, termos grosseiros. Nada da suavidade de povos ditos selvagens, mas, que celebravam a passagem de fase da menina com dignidade e alegria. &lt;br /&gt;Em seguida, comecei a me sentir ridículo. Claro que Amanda continuaria sendo a filha que sempre foi, com a diferença que estava crescendo. Comecei a imaginá-la como uma flor. Era uma flor, uma flor desabrochando: uma flor que, mais tarde, possibilitaria o nascimento dos frutos, frutos que seriam meus netos e então fui inebriado pela imagem de mim mesmo correndo no jardim com os netos.&lt;br /&gt;Tomei, então, uma decisão. Saí do trabalho mais cedo, passei em um shopping e comprei uma caixa de bombons com licor e um buquê de rosas brancas. Celebraria com minha filha e com minha esposa a nova fase que aguardava a todos nós. Daria adeus a menina e daria um abraço na mulher que eu teria o prazer de ver surgir aos poucos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-3957756566092775976?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/3957756566092775976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=3957756566092775976' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3957756566092775976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3957756566092775976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/12/desabrochando.html' title='Desabrochando'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SxVHXHKU5RI/AAAAAAAABOM/h3Pi8Q-l25o/s72-c/renoir_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-4379462864665554888</id><published>2009-10-26T05:04:00.000-07:00</published><updated>2009-10-26T05:08:18.955-07:00</updated><title type='text'>O dia em que Jesus não foi crucificado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SuWQ6HBmxpI/AAAAAAAABJc/9KKtXbblzTE/s1600-h/jesus.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SuWQ6HBmxpI/AAAAAAAABJc/9KKtXbblzTE/s200/jesus.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396879056466003602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por pura coincidência, na semana passada acabei tendo como tema, em três conversas distintas, a encenação na Paixão de Cristo em Nova Jerusalém. Todas sobre como o espetáculo perdeu seu encanto com a modernidade e a “invasão” de atores globais nos papéis principais. Nada mais a ver com a coisa rústica que, dizem, existia nos anos oitenta. Hoje, me relataram, as fãs dão gritinhos enquanto Thiago Lacerda está sendo crucificado como Jesus e, sem resistir aos apupos, chega a sorrir e piscar o olho para as moçoilas em vez de sofrer e gritar &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Pai, por que me abandonaste?&lt;/span&gt;! Deve ser coisa do mundo globalizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses papos me recordaram histórias outras envolvendo encenações da paixão de Cristo. Uma delas, salvo engano, me foi relatada pelo amigo jornalista Rômulo Estânrley e ganhou manchetes de jornais à época, anos noventa. Macaíba realizava sua Paixão de Cristo habitual, os atores se empenhavam nos seus santos papéis, quando, re repente, o centurião começa a flagelar Cristo que segurava a pesada – mas de isopor, na peça, claro – cruz às costas. Eis que um sujeito que bebia suas canas desde manhã cedinho e já estava meio triscado, se emociona mais do que deveria e pula no meio dos atores com a peixeira levantada para o centurião: Aqui em Macaíba você não vai bater em Jesus, não, seu cabra safado!, e foi um tal de gente correr para todo lado. No frigir dos ovos, a intenção do bebum acabou se realizando: naquele ano, pelo menos em Macaíba, Jesus foi salvo da cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra anedota do gênero, me foi contada há anos por uma amigo e teria acontecido num município da região Oeste deste Rio Grande do Norte. O dono de um circo mambembe resolveu montar uma paixão de Cristo no período de Páscoa. Colocou sua mulher como Maria Madalena, ele próprio no papel de Centurião e escolheu para Jesus o trapezista cabeludo que era o bonitão do circo. Pois, com o circo lotado, a trupe começou a encenar a paixão, quando, numa breve pausa, o dono do circo flagrou num canto escondido sua mulher aos beijos com o Jesus pé de lã. Possesso, resolveu se controlar e continuar o espetáculo. Contudo, quando chegou a cena de Jesus carregar a cruz sob o flagelo dos soldados romanos, a raiva bateu mais forte no marido traído e lapt lapt com o chicote nas costas do Jesus bonitão. Na terceira chibatada o Jesus olhou para trás nervoso, foi quando o cornudo não agüentou mais e gritou: Gosta de pegar mulher dos outros não, é, felá da puta, pois tome mais essa e essa!, e novamente foi gente para tudo que é lado com a confusão. Também neste espetáculo Jesus escapou da crucificação...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-4379462864665554888?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/4379462864665554888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=4379462864665554888' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4379462864665554888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4379462864665554888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/10/o-dia-em-que-jesus-nao-foi-crucificado.html' title='O dia em que Jesus não foi crucificado'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SuWQ6HBmxpI/AAAAAAAABJc/9KKtXbblzTE/s72-c/jesus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-6683447897549869456</id><published>2009-10-15T10:45:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T10:48:17.175-07:00</updated><title type='text'>A barata</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cefas Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/StdgRfnCJSI/AAAAAAAABGg/HtZj1PzXmbM/s1600-h/barata.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 178px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/StdgRfnCJSI/AAAAAAAABGg/HtZj1PzXmbM/s200/barata.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392884932458718498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O bicho, enorme, asqueroso, entre o preto e o marrom, passeava pela casa, imponente, como se fosse seu dono. Para não confessar a minha filha o medo que tenho de barata, disse a Sofia que a barata se chamava Kafka e que estava nos fazendo uma visita. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Besteira, mamãe, você está falando isso para disfarçar seu medo!&lt;/span&gt;, respondeu, do alto da sabedoria  que seus seis anos lhe davam. Irritada, decidi pegar a vassoura para matar a intrusa, mas, quando ela atravessou a sala rapidamente, pelo tapete, dei dois passos para trás e quase tropecei na mesa de jantar. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Viu, mãe, você está morrendo de medo!&lt;/span&gt;, zombou Sofia. Desafiada e já nervosa – com a barata e com a petulância da menina – perguntei se ela não tinha medo. Respondeu que não. Então por que não mata você a barata?, provoquei. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Primeiro porque matar insetos é tarefa das mães, não das filhas. Segundo, porque você disse que era uma visitante&lt;/span&gt;. Desisti da vassoura e bebi um copo d´água para me acalmar. Não sabia se repreendia minha filha ou se tentava achar a barata debaixo do sofá. Decidi pela segunda opção, mas, após afastar o sofá, virar o tapete e quase derrubar a cortina, não tive sucesso. Sentei no sofá, fora do lugar, e comecei a chorar, baixinho. Sofia veio em minha direção e me abraçou. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mamãe, eu retiro o que disse. Matar baratas não é tarefa para as mães, mas para os pais!&lt;/span&gt;, sorriu. Não segurei o choro e desabei a cabeça entre as mãos. Sofia alisou delicadamente meus cabelos. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mamãe, o papai vai voltar?&lt;/span&gt; Não, minha filha, ele foi de vez. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tem certeza, mãe?&lt;/span&gt; Tenho sim, filhinha. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Então vamos nós duas matar esta barata, mãe. Como é mesmo o nome dela?&lt;/span&gt; Kafka!, sorri. P&lt;span style="font-style:italic;"&gt;or que este nome estranho? &lt;/span&gt;É uma brincadeira com o escritor muito famoso que escreveu um livro sobre um homem que se transformava em uma barata gigante. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Que coisa estranha, mãe! Um dia você me conta essa história?&lt;/span&gt; Conto sim, juro!, sorri, voltando a sentir a alma tranqüila. Neste momento, a barata saiu de trás da cortina, parando como que para nos olhar. Sofia correu para ela pelo lado esquerdo e ela, Kafka, sem alternativas, correu para a minha direção. Golpeei-a com a vassoura, uma, duas, três vezes até que vimos, eu e Sofia, os restos do inseto esmagado e um líquido esbranquiçado no tapete. Nojo? Que nada! Nos abraçamos, morrendo de rir de nós mesmas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-6683447897549869456?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/6683447897549869456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=6683447897549869456' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6683447897549869456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6683447897549869456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/10/barata.html' title='A barata'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/StdgRfnCJSI/AAAAAAAABGg/HtZj1PzXmbM/s72-c/barata.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-501895240530064156</id><published>2009-09-14T08:39:00.000-07:00</published><updated>2010-11-12T06:05:49.508-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ue'/><title type='text'>Eu não danço</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/Sq5kpd01krI/AAAAAAAABBI/gZLRLxmpTOs/s1600-h/Chagall-4933-H_vignette.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/Sq5kpd01krI/AAAAAAAABBI/gZLRLxmpTOs/s200/Chagall-4933-H_vignette.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381349268297978546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa estava um tédio, como era de se prever. Aniversário de uma prima distante, chata e prepotente. Eu me perguntava, enquanto bebia mais um uísque, porque não ia embora, quando a vi, sentada à mesa, próxima de mim, com duas amigas de cada lado. Como eu não a vira antes? Não era a mulher mais linda da festa, mas, ao contrário das outras, parecia brilhar, como as madonas das pinturas renascentistas, ofuscando quem lhe circundava. Mas, que fique registrado, seu brilho era sereno e discreto. Ela olhava como se, na verdade, não estivesse ali, mas eu algum lugar longínquo. Quando percebeu que eu a olhava, sorriu rapidamente e voltou a cabeça para o lado. Voltei à minha mesa, mas não desisti de encará-la, até que, munido com a coragem dos que sentem o coração acelerar, esperei que estivesse sozinha e a abordei:&lt;br /&gt;- Boa noite. Quer dançar?&lt;br /&gt;- Obrigada. Eu não danço.&lt;br /&gt;- Não gosta de dançar?&lt;br /&gt;- Eu disse que não danço... – sorriu.&lt;br /&gt;- Se não sabe dançar, eu te ensino...&lt;br /&gt;Ela lançou um olhar de carinhosa reprovação que me inibiu, e parei com a insistência. Perguntei seu nome, Laura, e disse o meu, Ricardo. Ela convidou-me para sentar a seu lado.&lt;br /&gt; - Há algo em você que me encanta. Não me olhe como se eu fosse um conquistador barato. Estou falando a verdade. Talvez sejam seus olhos alheios a tudo...&lt;br /&gt; - Eu não sou uma mulher comum&lt;br /&gt; - Eu sei disso.&lt;br /&gt; - Não, você não sabe de nada – sorriu. Conversamos sobre banalidades – o tempo chuvoso, o trânsito caótico da cidade – e sobre nossos gostos – cinema europeu, literatura, poesia. Recitei trechos de Zila Mamede e Florbela Espanca para ela, que cantarolou, com uma linda voz de soprano, pérolas de Janis Joplin. &lt;br /&gt;Sim, eu estava encantado por ela e as horas se passaram sem que eu sentisse, até que a festa foi chegando ao fim. Convidei-a para bebermos um último drinque no balcão, mas ela recusou. Não posso sair daqui, sorriu.&lt;br /&gt; - Mas, sua família pode nos observar daqui mesmo. Aceite meu convite.&lt;br /&gt;Ela sorriu, passou a mão em meu rosto suavemente e virou a cabeça para o outro lado, onde sua irmã – a quem eu já tinha sido apresentado – olhou-a com um sorriso enigmático.&lt;br /&gt; - Ricardo, eu tenho que ir...&lt;br /&gt; - Podemos nos ver amanhã? Dê-me seu número de celular...&lt;br /&gt; - Ricardo, há coisas que você tem que saber...&lt;br /&gt; - Você é casada? Noiva? Tem namorado? Seu pai é violento? Ora, se não acontece nada disso e nem eu sou um Montecchio e nem você uma Capuletto, o que mais eu preciso saber? – brinquei. Ela riu, mas amargamente e baixou a cabeça.&lt;br /&gt; - Margarete está chegando. Terei que ir... –suspirou. Olhei para o lado e vi a irmã empurrando uma cadeira de rodas e a colocando ao lado de Laura.&lt;br /&gt; - Ricardo, você pode ajudar minha irmã a me colocar aqui.&lt;br /&gt;Compreendi tudo em um instante. Também em um instante eu teria que tomar a minha decisão. Pedi licença para tomá-la no colo e colocá-la na cadeira de rodas.&lt;br /&gt; - Agora eu poderia beber o drinque com você no balcão, se não fosse hora de ir, mas infelizmente, não dançaria.&lt;br /&gt; - Pois eu dançaria com você assim mesmo.&lt;br /&gt; - Vamos lá, seja um cavalheiro e empurre minha cadeira até o nosso carro.&lt;br /&gt;Obedeci a ordem e fomos conversando até o estacionamento. Enquanto a mãe e a irmã se despediam da minha prima chata e família, ficamos fumando e conversando besteiras.&lt;br /&gt; - Posso te deixar em casa – disse.&lt;br /&gt; - Você não iria querer isso.&lt;br /&gt; - Eu quero isso, sim.&lt;br /&gt; - Você me deixaria por pena.&lt;br /&gt; - Negativo. Farei isso porque estou me apaixonando por você.&lt;br /&gt;Laura me olhou e ficou em silêncio. Quando a mãe a Margarete voltaram e a família se preparava para entrar no carro, notei que Laura conversava algo com elas. Após alguns segundos de visível tensão, percebi as três mulheres me olhando e me avaliando. Por fim, Margarete veio até mim.&lt;br /&gt; - Laura quer que você a deixe em casa.  Nós concordamos, embora isso não seja muito comum. Podem esticar a saída, claro, beber alguma coisa, jantar, mas tenha cuidado com ela, por favor...&lt;br /&gt; - Pode ter certeza que cuidarei bem dela. E agradeço a confiança – respondi. Coloquei Laura no banco do passageiro, dobrei a cadeira de rodas para que coubesse no banco de trás e saímos.&lt;br /&gt; - Viu como sou diferente das outras mulheres?...&lt;br /&gt; - É sim, mas não pelas razões que está pensando.&lt;br /&gt;Perguntei a ela onde queria ir, propus uma volta pela praia ou comermos uma massa em algum restaurante.&lt;br /&gt; - Ricardo, se eu não fosse deficiente você me faria essas mesmas propostas?&lt;br /&gt; - Claro – respondi.&lt;br /&gt; - Então vamos fazer as duas coisas.&lt;br /&gt;Passeamos pela orla, vimos a lua cheia e seu efeito na maré e depois comemos, não a massa, mas camarão em um restaurante simples e discreto.&lt;br /&gt; Já rumo a casa dela, percebi uma névoa em seu olhar.&lt;br /&gt; - Se eu não fosse deficiente, você me deixaria em casa agora?&lt;br /&gt;Hesitei. Como não soubesse o que dizer, ela continuou:&lt;br /&gt; - Esta noite está maravilhosa. Gostaria que continuasse assim.&lt;br /&gt; - Qual a sua sugestão?&lt;br /&gt; - Sou uma mulher adulta e sadia, com exceção das pernas, que não me mexem, tenho meus desejos e vontades. Você é um homem aparentemente adulto e sadio – riu – estamos nos conhecendo e temos a noite pela frente.&lt;br /&gt;Não foi necessária mais nenhuma palavra. Conduzi o carro a um motel que havia ali perto.&lt;br /&gt;Também não foram necessárias palavras de explicação. Claro que eu estava um pouco tenso, mas nada que o carinho e a excitação não suplantassem com sobras. Como se por instinto, como se tivesse feito tais coisas a vida inteira, levei-a de colo para a cama, depois a ajudei a tomar banho, abri um vinho e conversamos um pouco.&lt;br /&gt; - Ricardo, me beije como nunca beijou mulher alguma em sua vida – pediu, de repente, deitando-se. Comecei beijando as pontas dos pés. Mandei às favas a razão, que insistia em me lembrar que ela nada sentia naquela parte do corpo. Afastei delicadamente suas pernas e mergulhei na flor cravada entre elas. Senti suas unhas em meus cabelos, primeiro afagando o couro cabeludo levemente... Depois senti os dedos com mais força, e, então, as horas viraram uma sucessão de prazeres. Desnecessário registrar que em nenhum momento ela me pareceu diferente de qualquer outra mulher. Minto. Na verdade ela era diferente das outras sim, de uma maneira que me seria difícil explicar, mas que meu coração já começava a compreender.&lt;br /&gt;Acordamos às sete da manhã, tomamos café, um banho rápido e deixei-a em casa. &lt;br /&gt; - Eu te vejo hoje?&lt;br /&gt; - Com uma condição.&lt;br /&gt; - Qual?&lt;br /&gt; - Se você me levar em algum lugar para dançar.&lt;br /&gt; - Pensei que não dançasse.&lt;br /&gt; - Com você eu dançarei.&lt;br /&gt;Beijei-a e empurrei a cadeira até o hall da casa, onde Margarete nos recebeu com um sorriso aliviado. Despedi-me delas e rumei para casa. Pensei que estaria cansado, mas não consegui dormir. Coloquei uma música animada no som – What a wonderful world, cantada por Sam Cooke – e comecei a dançar sozinho. Pensando em Laura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-501895240530064156?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/501895240530064156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=501895240530064156' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/501895240530064156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/501895240530064156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/09/eu-nao-danco.html' title='&lt;strong&gt;Eu não danço&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/Sq5kpd01krI/AAAAAAAABBI/gZLRLxmpTOs/s72-c/Chagall-4933-H_vignette.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-6712938415649512108</id><published>2009-08-10T12:14:00.000-07:00</published><updated>2009-08-10T12:17:31.534-07:00</updated><title type='text'>O verbo se fez carne</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SoByPWHS5JI/AAAAAAAAA7E/bkjEFxNN3Go/s1600-h/cz-dialogue.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 118px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SoByPWHS5JI/AAAAAAAAA7E/bkjEFxNN3Go/s200/cz-dialogue.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368416363785413778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tenho medo de objetos cortantes&lt;br /&gt;Principalmente palavras&lt;br /&gt;(Carito)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esses olhos negros de desespero você me olha como se eu fosse um objeto, não um pedaço de carne – o que seria vulgar, mas, instigante, afinal, sou mulher e mulheres gostam de olhos cobiçosos, meu bem – mas, pior, bem pior, como se eu fizesse parte da mobília – que você escolheu e comprou sozinho – desta maldita mobília escura e pesada, que não parece em nada comigo, com minha alegria, minha vontade de viver. Talvez os móveis pareçam com você, aliás, com sua alma, negra e cheia de poeira. Pensando bem, você me olha como se eu fosse uma louca, sim, eu sou louca, enlouquecida que fui pelas suas promessas, suas juras, pelos laços que você inventou para me amarrar, como um belo caçador que joga frutas no chão para atrair e aprisionar um pássaro raro. Sim, meu bem, eu era um pássaro, livre, liberta, com capacidade para voar, até que, de repente me vi presa em seus rancores, seus ciúmes, seus ódios... Por deus, não me olhe assim, odeio este olhar vazio... Mas, não quero recordar nossa triste história. Basta lembrar que, por você, abandonei meu trabalho, minha família, negligenciei meus amigos, amofinei meus gostos. Tive de guardar meus prazeres em uma gaveta e trancá-la, definitivamente. Minha vida passou a ser a sua vida. Meus prazeres, os seus. Eu ouvi a sua música, assisti os filmes que você amava, passei a comer - e a preparar – as comidas que você gostava. Não fale nada, não fale, sei que você vai dizer que não me pediu nada disso. Talvez não verbalmente, mas eu sentia em seus olhos – pesados, intensos - a pressão sobre mim, me induzindo a mudar, a deixar de ser eu mesma e me tornar algo como um fantoche. Não abra a boca, por todos os demônios, sei que você vai insistir que nunca me olhou desta forma, e que em seu olhar havia apenas admiração, contemplação e desejo. Você seria até capaz de dizer que fui eu quem insistiu na mudança, talvez para me aproximar do seu mundo, para mostrar que merecia sua companhia. Por que está se aproximando de mim, não chegue perto, não me toque. Eu sei que você não me toca há anos, provavelmente você não me ama mais. Como poderia? E quanto a mim? Você tem vontade de saber se ainda te amo? A resposta deveria ser um sonoro e poderoso não. Como eu poderia amá-lo? Talvez eu o amasse quando o via escrevendo seus livros, concentrado na escrivaninha, com a xícara de café ao lado e o cigarro repousado no cinzeiro exalando fumaça como um incenso... Sim, eu te amava então. E você, me amava naquela época? Por que não dizia que me amava? Por que ficava mudo, às vezes tão mudo quando hoje? Por que não me enlaçava – eu que achava seus braços tão fortes – e dizia que eu era a coisa mais importante de sua vida, mais que seus livros, suas músicas, seus projetos? Era só insegurança, meu bem, era só aquela bobagem de não se sentir amada, de pensar, tolamente, sei, que você não pensava mais em mim quando seus amigos e editores vinham para cá debater seus projetos e livros. Enquanto vocês fumavam e discutiam o futuro da arte, eu me trancava no banheiro para chorar, Primeiro passava um batom bem vermelho, que você odiava, depois maquiava os olhos e me punha a chorar, assistindo pelo espelho as lágrimas pintarem meu rosto de um preto meio aguado que lembra tristeza e decadência. Por deus, como eu te admirava, meu bem... Tenho que te dizer, mais uma vez, que eu menti, menti, sim, quando disse que não te amava, que tinha nojo de você e queria terminar tudo. E menti quando disse que sairia para me entregar ao primeiro homem que encontrasse na rua. Na verdade, fui para um bar, chorar e beber uma dose de uísque com vontade de morrer... depois fui para a casa da minha irmã e choramos juntas lembrando dos sonhos que tínhamos quando éramos crianças. Quando voltei para casa no dia seguinte, era para te abraçar, te pedir perdão e dizer que te amava. Não imaginei nunca que você estaria jogado no chão, imóvel, como morto. Primeiro achei que era uma brincadeira. Depois, que você tentou se matar por minha causa – é mesquinho dizer isso, mas uma parte de mim exultou, ficou lisonjeada – até que o médico explicou que você, ao subir a escada, escorregou no café que deve ter derramado – sempre desastrado... – e rolou degraus abaixo, quebrando a espinha dorsal em três pedaços. E como explicar a névoa que me passou pela mente quando ouvi que meu marido ficaria tetraplégico e mudo para sempre? Como saber se você ouve o que eu digo? Vamos, meu bem, fale alguma coisa... Vou limpar a baba que escorre de sua boca, não me olhe desse jeito. Um dia eu te amei. Talvez ainda te ame. Vamos, vou passar a toalha em você, pois a fisioterapeuta vai chegar em meia hora...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-6712938415649512108?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/6712938415649512108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=6712938415649512108' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6712938415649512108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6712938415649512108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/08/o-verbo-se-fez-carne.html' title='O verbo se fez carne'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SoByPWHS5JI/AAAAAAAAA7E/bkjEFxNN3Go/s72-c/cz-dialogue.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-2158725175992315839</id><published>2009-07-29T08:36:00.000-07:00</published><updated>2009-07-29T08:41:08.173-07:00</updated><title type='text'>Beleza não põe mesa</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SnBtM_CdowI/AAAAAAAAA5U/7CBOBJu5iec/s1600-h/58f59114d664.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 196px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SnBtM_CdowI/AAAAAAAAA5U/7CBOBJu5iec/s200/58f59114d664.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363907226045883138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, a estética convencional não me agrada e não pretendo ser escrava da beleza tradicional, esta beleza das estátuas gregas e dos astros e estrelas de cinema. Por esta razão, arranquei as unhas, sim, uma por uma, com uma tesourinha afiada... depois foram os dedos, não todos, claro, mas, arranquei fora o dedo mindinho da mão esquerda... Ora, por que se precisa do dedo mindinho, para quê ele é necessário. Cabelos? Arranquei os fios, primeiro um por um, depois, sem paciência, em chumaços, em tufos, mas ainda sobraram alguns fios desconectados entre si... Já disse que a beleza convencional não me atrai, e, por mim, pode ser destruída, como fiz com os lábios, primeiro, enchi-os de batom, depois com uma chave de fenda, despedacei-os, quero ver eles se abrirem para um sorriso sedutor, pois sim... Bem, depois lanhei as pernas, com a mesma chave de fenda, sim, passei a chave nas pernas como quem passa um giz em um quadro negro, com conhecimento e decisão. Para completar a obra, rasguei as roupas, fúteis, banais, tecido em farrapos... Repito que a beleza não me interessa, gosto do feio – que para mim é belo - do destroçado, do imperfeito, sempre fui assim, fazer o quê? Ora, mãe, não faça essa cara! Eu digo há anos que detesto bonecas, odeio bonecas!, e você ainda me compra esta Barbie!... Sinceramente, mãe! No ano que vem posso ganhar de presente de aniversário um Banco Imobiliário?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-2158725175992315839?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/2158725175992315839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=2158725175992315839' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2158725175992315839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2158725175992315839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/07/beleza-nao-poe-mesa.html' title='Beleza não põe mesa'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SnBtM_CdowI/AAAAAAAAA5U/7CBOBJu5iec/s72-c/58f59114d664.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-1017328528764555693</id><published>2009-07-14T12:26:00.000-07:00</published><updated>2009-07-14T12:30:41.043-07:00</updated><title type='text'>Ícaro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SlzcitFC9yI/AAAAAAAAA2M/uXaz8wFQhR4/s1600-h/marc-chagall-cantiques-iv.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 142px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SlzcitFC9yI/AAAAAAAAA2M/uXaz8wFQhR4/s200/marc-chagall-cantiques-iv.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358400145438471970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“One day I am going grow wings/ a chemical reaction”&lt;br /&gt;(Thom Yorke, da banda Radiohead)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era como um inseto, uma formiga, um besouro, andando pelas suas costas, na altura das costelas e subindo para os ombros. Pelo menos começou assim. Uma comichão nas costas, às vezes na pele, outras vezes como se fosse um formigamento nos ossos. No início desprezou a coceira, mas ela se tornou forte, imperiosa, quase insuportável. Desprezou o conselho da namorada - procure um médico, ela disse - e resolveu ignorar o desconforto, até que em uma tarde tediosa de julho, enquanto caminhava pela avenida principal da cidade, sentiu a dor nas costelas de forma lancinante. Contorcendo-se de joelhos, percebeu que as pessoas o olhavam com medo e fascínio, e em meio a tanta dor – como um punhal cravado em sua carne – sentiu que algo lhe brotava da pele. Olhou, aturdido, para trás e viu o imenso par de asas, viscosas e sangrentas, que lhe nascera. Percebeu tudo, então, e, entre as lágrimas da dor que não mais sentia, e uma saudade que já se anunciava, levantou vôo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-1017328528764555693?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/1017328528764555693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=1017328528764555693' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1017328528764555693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1017328528764555693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/07/icaro.html' title='Ícaro'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SlzcitFC9yI/AAAAAAAAA2M/uXaz8wFQhR4/s72-c/marc-chagall-cantiques-iv.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8586485959213812290</id><published>2009-06-23T06:12:00.000-07:00</published><updated>2009-06-23T06:15:59.036-07:00</updated><title type='text'>Quando Piaf ressurgir das cinzas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SkDVgv0hruI/AAAAAAAAAlE/RVB1sWRXUm0/s1600-h/piaf.bmp"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 172px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SkDVgv0hruI/AAAAAAAAAlE/RVB1sWRXUm0/s200/piaf.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350511115885457122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Merda, borrei o olho!&lt;/em&gt;, murmurou, sentindo o lápis escorregar para a direita. Rápida e habilmente, consertou o traço preto embaixo da pálpebra. Terminado o desenho dos olhos, parte da maquiagem que mais lhe dava prazer, cuidou de passar o batom. Adorava o cheiro exalado pelos batons, principalmente os vermelhos, mas, não gostava do efeito que produziam em seus lábios. De batom, não se sentia uma mulher, ou mais mulher, ao contrário das amigas, mas, sim, como um palhaço triste que representa uma tragédia com ares de comédia. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Minha tragédia não é ter o corpo de um homem, mas, a alma de uma mulher&lt;/em&gt;, pensou.  Talvez por esta razão, sentia-se sempre estranha com aquele vestido, os seios postiços – incômodos, pavorosos – a peruca ruiva, os olhos pintados, o batom ultrajante... Por mais de uma ocasião implorou para fazer seu show sem aquela fantasia. Mas, era inútil.&lt;br /&gt;Jorge pensava que a insistência em se apresentar era pelo cachê. Que ele pensasse assim, afinal, o dinheiro quase sempre ia parar nas mãos dele. Mas, ela concordava em se fantasiar de mulher – mesmo sendo, em alma, uma mulher verdadeira – para poder cantar. Mais exatamente para poder interpretar as canções de Piaf.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ele se apaixonou por mim quando me viu em uma boate cantando Je ne regrette rien&lt;/em&gt;, pensou, retocando o batom.  Isso acontecera seis meses antes. A partir dali, mergulhou – com Jorge – em um universo de amor, sexo, bebida, drogas, violência física e humilhações, em doses cavalares. Já expulsara Jorge do apartamento milhares de vezes e, outras mil vezes telefonaram, em prantos, para que ele voltasse. Com Jorge, vivera céu e inferno, som e fúria, como jamais havia experimentado com homem algum.&lt;br /&gt;Pensando nisso, estremeceu levemente e sorriu para si mesmo no espelho. Seu corpo soltava choques elétricos quando pensava em Jorge. E a lembrança dele se unia ao amor por Piaf... Cantarolou sua música preferida...&lt;br /&gt;&lt;em&gt;C'est sûr que j'en mourrais&lt;br /&gt;Que j'en mourrais d'amour,&lt;br /&gt;Mon amour, mon amour...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Assim como Piaf, se eu tivesse que morrer, seria de amor. Ela está enterrada em um cemitério chamado Pére Lachaise, em Paris, Recordou.  Havia lido isso em alguma revista, e desde então, economizava dinheiro para ir à capital francesa e visitar o túmulo da cantora.&lt;br /&gt;Foi quando lembrou - como uma pedra que lhe golpeasse a cabeça – que Jorge não estaria no apartamento quando retornasse. Havia ido embora, e, daquela vez, definitivamente, como mostrava a carta que mandara de muito longe. Voltara para a mulher e os três filhos, no interior onde nascera. Não iria mais a Paris, não conseguiria viajar sem ele.&lt;br /&gt;Mas, não, não se arrependia de nada. Segurou a lágrima que iria, mais uma vez borrar a maquiagem, sorriu para sua face no espelho, levantou-se e foi para o lar onde não existia nenhum Jorge, onde não existia ninguém além dela mesma e de Piaf: o palco.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Si jamais tu partais,&lt;br /&gt;Partais et me quittais&lt;br /&gt;Me quittais pour toujours...&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8586485959213812290?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8586485959213812290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8586485959213812290' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8586485959213812290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8586485959213812290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/06/quando-piaf-ressurgir-das-cinzas.html' title='Quando Piaf ressurgir das cinzas'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SkDVgv0hruI/AAAAAAAAAlE/RVB1sWRXUm0/s72-c/piaf.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-7792733696323239475</id><published>2009-06-15T08:56:00.001-07:00</published><updated>2009-06-15T08:59:54.656-07:00</updated><title type='text'>Loteria</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SjZv8HqjtHI/AAAAAAAAAh8/7gDN1CAXCSc/s1600-h/Bacon.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 162px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SjZv8HqjtHI/AAAAAAAAAh8/7gDN1CAXCSc/s200/Bacon.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347584686189425778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem alto, corpulento, pesado como o tempo e levemente encurvado, pediu licença à senhora miúda que tentava - em vão – fechar uma sombrinha velha e postou-se na bancada lateral da casa lotérica. Tirou no bolso o papel da aposta e tentou se posicionar de forma que conseguisse enxergar o quadro de resultados. Estava ficando velho e seus olhos mais cansados. &lt;br /&gt;Pediu licença ao homem – também corpulento, mas, baixo e com uns olhinhos de ave de rapina – que estava riscando um bilhete no balcão. O sujeito afastou, dando espaço, olhou para o outro e disparou:&lt;br /&gt; - Vai conferir a posta, amigo? Fez uma fezinha, não? Eu também fiz a minha, está aqui, ó, na minha mão. Toda semana faço três apostas, sei que um dia vou ganhar. Quem espera sempre alcança. Não é assim que diz a Bíblia? E Deus sempre premia os persistentes. Por isso eu persisto, amigão. Já pensou se a gente ganha. A primeira coisa que faço é mandar meu chefe para o inferno... Isso para não dizer pior... Aí pego o dinheirão todo e compro uma ruma de mansões, umas coberturas... Podíamos fazer umas festas de arromba, já pensou, amigão... Tudo do bom e do melhor, churrasco, carne de primeira, caviar... Não sei nem qual é o gosto, mas faço questão de caviar... E enchemos a festa de mulheres, rapaz, porque, você sabe, mulher gosta de homem estribado, com dinheiro, aí começa a chover mulher...  Já pensou uma piscina cheia de mulheres e um garçom servindo uísque para a gente... Rapaz, e podemos comprar um jatinho particular, já imaginou, viajar para todo canto na hora que a gente quer?... bla blá blá...&lt;br /&gt;Enquanto o homem de olhos de ave de rapina falava sem parar, o outro conferiu rapidamente sua aposta e viu que não tinha vencido. Na verdade, não acertara nenhum dos cinco números sorteados. Murmurou um até logo para o outro, que não parava de falar e voltou para casa com a cabeça tonta... Mulheres, carros, piscinas, coberturas...&lt;br /&gt;Entrou em casa e, de olhos baixos, aproximou-se da esposa.&lt;br /&gt; - Então, homem. Conseguiu o dinheiro e comprou o leite?&lt;br /&gt;Ele não respondeu. A mulher percebeu o peso que caía sobre ele e foi para a cozinha preparar a papa de farinha para os gêmeos, que logo iriam chorar de fome. Ele foi até o quarto, olhou os bebês no berço improvisado, lamentou não ter conseguido nem o emprego desejado e nem o empréstimo com o amigo e tirou o bolso o bilhete de loteria, amassando-o e jogando no chão, ao lado do berço. Sentindo o cheiro da papa quente de farinha, tentou não chorar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-7792733696323239475?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/7792733696323239475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=7792733696323239475' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7792733696323239475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7792733696323239475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/06/loteria.html' title='Loteria'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SjZv8HqjtHI/AAAAAAAAAh8/7gDN1CAXCSc/s72-c/Bacon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-2940204695784474004</id><published>2009-06-03T08:31:00.000-07:00</published><updated>2009-06-03T08:36:26.759-07:00</updated><title type='text'>Uma nação de cuspidores</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SiaXp5v1emI/AAAAAAAAAew/sLluoD9hho8/s1600-h/bukowski.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 158px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SiaXp5v1emI/AAAAAAAAAew/sLluoD9hho8/s200/bukowski.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343124754053560930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Otorrinos e gastroenterogistas do Brasil, atenção! O brasileiro em geral tem seriíssimos problemas de salivação e glândulas! Pelo menos é minha humilde opinião, afinal, isso poderia explicar a paixão que o brasileiro tem pela cuspideira. É incrível como o brasileiro cospe! Em qualquer lugar que se vá, sempre vemos alguém pigarrear e, tchan!, cuspir no chão. O curioso é que os cuspidores não estão nem aí com a presença de testemunhas. Já presenciei sujeito abraçado à namorada virar a cabeça e, zás, cusparada no chão. Ela deve ter achado tão romântico... Mas, o pior é o cuspe a distância. O sujeito sequer observa se alguém está passando e puf! Lá vai o jato de cuspe meio metro à frente! Os passantes que se desviem do “atleta” (afinal, cuspe a distância é um esporte nacional). E que não se pense que cuspideira é questão de classe social. Vá em eventos sociais de “gente chique”, com “partidóns” e endinheirados... no estacionamento ou antes de entrar é a mesma cusparada. Deve ser, realmente, algo no metabolismo do brasileiro. Este escrevinhador já andou nas ruas de cidades como Londres, Paris e Lisboa e não viu ninguém cuspindo na rua.  O europeu não junta saliva na boca? Não tem vontade/necessidade de cuspir? Não sei. O fato é que lá, no chamado Primeiro Mundo, não se cospe em público. Há quem diga que a questão é simples, sinal de falta de educação. Neste caso, somos uma nação de mal-educados incorrigíveis. Tanto que, em outro texto, já externei minha revolta em freqüentar banheiros químicos em eventos festivos realizados em Natal. Poucas horas após instalados, eles – pelo menos os masculinos – se tornam um amálgama de fezes, urina e papéis colocados estrategicamente para entupir o escoamento. Amigos garantem que trata-se de uma questão de Educação, um retrato do (baixo) nível do ensino nacional (seja público ou privado). Outros garantem que este tipo de educação começa em casa. Este escrevinhador não sabe e confessa já estar cansado de pensar sobre o tema. E, preciso pedir licença para cuspir. Na pia do banheiro do trabalho. Afinal, mesmo com um cesto de lixo a centímetros no meu pé direito, não preciso obrigar os colegas de redação a testemunharem minhas secreções. Com licença, e até a próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;PS: A foto que ilustra este post mostra o escritor marginal americano Charles Bukowski, mestre em produzir contos sobre excreções. Se não leu nada dele, sugiro começar pelos sensacionais "Crônica do amor louco" e "Mulheres".&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-2940204695784474004?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/2940204695784474004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=2940204695784474004' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2940204695784474004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2940204695784474004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/06/uma-nacao-de-cuspidores.html' title='Uma nação de cuspidores'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SiaXp5v1emI/AAAAAAAAAew/sLluoD9hho8/s72-c/bukowski.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8424358335740151846</id><published>2009-05-20T06:40:00.000-07:00</published><updated>2009-05-20T06:46:57.641-07:00</updated><title type='text'>A vida é doce</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/ShQJyohJOKI/AAAAAAAAAcg/R9Omz60We_w/s1600-h/toulouse_lautrec.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 163px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/ShQJyohJOKI/AAAAAAAAAcg/R9Omz60We_w/s200/toulouse_lautrec.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337902223815424162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprou uma bala para a noiva. Era pródigo em presentes para Cândida. Desde o início do namoro, a mimava com bombons, chocolates recheados, trufas... Ela adorava profiteroles. Ele a levava para bomboniéres e cafés finos, onde se fartavam com guloseimas. Com a amada, a vida era doce. Estava apaixonado por ela, queria casar, ter filhos. Ela concordava, mas nunca com muito ânimo. Ele achava que era uma questão de tempo, e continuou a fartá-la com doces, biscoitos. Até que recebeu um envelope anônimo contendo fotos de Cândida aos beijos e abraços com um homem. A foto era recente, não havia dúvida. Ela usava um vestido que ela havia lhe dado semanas antes. Chegou sorrindo ao apartamento da noiva. Ela também o recebeu sorrindo. Ele anunciou que tinha um presente para ela. Quero agora, pediu Cândida. Ele o deu. Uma bala certeira bem no meio da testa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8424358335740151846?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8424358335740151846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8424358335740151846' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8424358335740151846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8424358335740151846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/05/vida-e-doce.html' title='A vida é doce'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/ShQJyohJOKI/AAAAAAAAAcg/R9Omz60We_w/s72-c/toulouse_lautrec.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-7114700745390822278</id><published>2009-05-11T06:24:00.000-07:00</published><updated>2009-05-11T06:26:20.379-07:00</updated><title type='text'>O rio</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SggnddJjCCI/AAAAAAAAAbo/WG4lXFLDsqg/s1600-h/monet_seine_vetheuil_1880.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 146px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SggnddJjCCI/AAAAAAAAAbo/WG4lXFLDsqg/s200/monet_seine_vetheuil_1880.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334557145614714914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Baseado em história relatada por Victor Hugo Zamora)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rio há  adormecido em cada infância, &lt;br /&gt;rio seco ou de enchente, intempestivo &lt;br /&gt;rio que não cresceu&lt;br /&gt;(Zila Mamede&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nuvens anunciavam chuva, mas isso em nada abalava a felicidade do menino, que, de mão dada ao pai, chegava à margem do rio. Esperava o sol, mas, a verdade era que, estando ao lado do pai em um passeio como aquele, poderia desabar uma tempestade que não teria importância. Talvez seja até mais divertido se chover, pensou. Mas foi o sol quem deu as caras quando, enfim, chegaram à beira do rio.&lt;br /&gt;Aos dez anos de idade, começava a descobrir o mundo. Pelo menos o mundo de verdade, não aquele de contos de fadas em que a mãe o trancafiava na mansão onde moravam. Começava a sentir-se um rapaz. Vontade de usar calças compridas. Uma colega de classe - Amélia – o olhava de forma estranha e pedia para lhe ensinar equações matemáticas...&lt;br /&gt;Mas, nada em sua vida se comparava a um convite do pai para um passeio. Sentia o coração bater mais rápido quando o pai, com a voz grave, coçava barba e bigode e propunha saírem para algum lugar. Corria para o quarto, colocava um calção, uma camiseta branca, as sandálias de couro e se postava na porta de casa, à espera da figura grande e pesada que vestia o casaco, beijava a esposa – sua mãe – e oferecia a mão pesada para iniciarem o passeio.&lt;br /&gt;Amava o pai. Mais que isso, o admirava, tanto pela sua proximidade como pela sua distância. O pai era escritor, militante cultural. Ensinava filosofia em diversas universidades, viajava muito, dando palestras. O filho sofria com os muitos dias de ausência do pai, mas ardia de orgulho em ver os livros com o nome do pai na lombada.&lt;br /&gt;Naquela manhã de domingo, não havia mais distância. Apenas o sol perfeito, moderado, e o rio à frente dos dois. Sacaram do protetor as varas de pescar e após terem fixado os insetos mortos – coletados na véspera – nos anzóis, se posicionaram à beira de uma imensa árvore para esperar os peixes. Conversaram. O pai falava muito durante os passeios. Sobre tudo, sobre o céu e terra, sobre deus (ou a inexistência dele) e sobre os dinossauros (igualmente inexistentes, pelo menos na atualidade). &lt;br /&gt;Contudo, naquela manhã o pai se mostrava mais silencioso, lacônico até. Certo, estava acostumado aos silêncios dele, do seu olhar distante, como se estivesse mentalmente escrevendo um livro ou formulando no espírito uma nova teoria filosófica. Mas, dificilmente o pai mantinha tanto silêncio durante um passeio. Por fim, pescaram um peixe, como sempre, no anzol do pai, como se os peixes adivinhassem... celebraram o feito e, como sempre faziam, o menino media com uma fita métrica, o tamanho do pescado. Vamos colocá-lo no cesto e levá-lo para a mãe?, perguntou o menino. Não. Este, vamos devolvê-lo ao rio, afirmou pesadamente o pai, atirando o peixe à água.&lt;br /&gt;Resolveram mudar de posição e foram para outro lado do rio, de águas mais profundas e quentes. Antes disso, comeram sanduíches de frango e beberam suco de uva. O pai continuava estranhamente silencioso, embora perguntasse de quando em quando sobre seu desempenho na escola e suas leituras.&lt;br /&gt;Uma leve chuva caiu, pintando o rio de borbulhas e atiçando os peixes, que fugiam dos anzóis. Quando a chuva se foi e o sol lentamente voltou, o pai propôs deixarem as varas de pesca à margem e entrar mais um pouco na água morna. Entraram no rio até a altura dos joelhos, e o menino podia sentir os peixes miúdos passando por entre suas pernas. O menino, olhava encantado para o horizonte e o pai, por trás dele, colocou a mão carinhosa e pesada em seu ombro.&lt;br /&gt; - Meu filho, quando eu tinha a sua idade, pensava que o mundo era belo e grande. Sonhava em viajar, em conhecer pessoas e lugares, em aproveitar a vida. Não posso dizer que não fiz nada disso, mas, descobri que o mundo é o contrário do que eu pensava. O mundo é um lugar feio e sujo, meu filho. Sim, não faça esta cara. O mundo é governado por pessoas sem caráter, e são justamente elas que fazem as leis, que julgam as pessoas e que tem o poder de prender e soltar. O mundo é injusto, meu filho, não importa o que você faça, outras pessoas terão mais vantagens que você por relações familiares, de poder ou ainda mais espúrias. Sei que você não está entendendo muito do que digo, filho querido, mas, saiba que é verdade: este mundo não presta. Você pode passar uma vida lendo, obtendo conhecimentos, lutado para ser um humano em essência, mas de que vale isso em um mundo onde o ter vale mais que o ser. As pessoas te julgarão, como me julgam, pelo que tenho e pelo que conquistei de material. Sou um bom professor? Sou um homem inteligente? Talvez, mas só me aceitam em sociedade porque temos uma bela casa, porque temos um carro com motorista. A vida é assim, meu filho... isso porque ainda nem falei das infidelidades, das traições, das culpas, das omissões, dos interesses, das ganâncias, da estupidez, da sede de sangue que marca do gênero humano, da rede de intrigas e mentiras que rege este mundo... sim, meu filho, por que viver em um mundo como este? Que pai que ama o filho pode deixar que ele viva em um mundo como este? Um pai amoroso pode deixar que um filho querido enfrente tanta maldade, tanta dor?... É por esta razão que faço isso, meu filho, por amor demais a você, amor demais...&lt;br /&gt;O menino parou de se debater e sua cabeça pendeu de vez. O pai pegou o corpo do menino no colo e, saindo da água, repousou-o na terra úmida perto de uma árvore. Sabia que tinha feito a coisa certa. Guardou as varas de pesca e olhou para o rio, tristemente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-7114700745390822278?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/7114700745390822278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=7114700745390822278' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7114700745390822278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7114700745390822278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/05/o-rio.html' title='&lt;strong&gt;O rio&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SggnddJjCCI/AAAAAAAAAbo/WG4lXFLDsqg/s72-c/monet_seine_vetheuil_1880.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-7450620965301102710</id><published>2009-05-05T09:10:00.000-07:00</published><updated>2009-05-05T09:17:11.351-07:00</updated><title type='text'>A ressurreição do mestre Coppola</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SgBlgwzADNI/AAAAAAAAAag/yLHzvA2iJdQ/s1600-h/Coppola3.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SgBlgwzADNI/AAAAAAAAAag/yLHzvA2iJdQ/s200/Coppola3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332373572335701202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SgBlbaMSveI/AAAAAAAAAaY/nn0g_HjlSek/s1600-h/Copola2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SgBlbaMSveI/AAAAAAAAAaY/nn0g_HjlSek/s200/Copola2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332373480368422370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SgBlW47XP1I/AAAAAAAAAaQ/Lxrnpi1xl8c/s1600-h/Copola1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 141px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SgBlW47XP1I/AAAAAAAAAaQ/Lxrnpi1xl8c/s200/Copola1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332373402719567698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tempos, vinha lendo nos blogs e sites especializados sobre o novo filme de Francis Ford Coppola, “Tetro”, que em breve chegará aos cinemas. Eis que dando uma espiada no blog Bazar, do amigo Alex de Souza, jornalista bom pra danado, deparo com o trailler do novo Coppola que o cidadão botou no seu blog. Após os dois minutos de cenas em p&amp;b, cenografia caprichada, um clima nostálgico e as presenças de gente como o esquisito Vincent Gallo e a musa Maribel Verdu, fui tomado pela emoção. Será a ressurreição do velho Coppola? Sim, porque quando o vírus da cinefilia se apossou de mim nos anos 80, o homem era um mito. Havia feito “O poderoso chefão 1 e 2” (na época não havia o 3, que é de 1990) e “Apocalypse now”, filme que arrebatou minh´alma e, presumo eu, toda uma geração de cinéfilos. Ainda realizou uma obra como “A conversação”, filme denso e misterioso. Fez filmes de baixo orçamento que amo até hoje, como “Rumble fish” e “Outsiders”, além do lindo e pouco visto “No fundo do coração”. Mas aí veio a decadência: o irregular “Jardins de pedra”, o mediano “Cotton club” e o sofrível “Jack”. Certo, mesmo decadente, o homem realizou “Dracula de Bram Stoker”, um das coisas mais sensacionais que assisti numa sala de cinema, mas também cometeu um clipe imenso - e chato- para Michael Jackson. O horror, o horror... Mas eis que com “Tetro”, que conta a história de um rapaz que viaja para Buenos Aires para resgatar a história de sua família e a própria história, o Coppola dos velhos tempos pode renascer. Se até Mickey Rourke – deformado e ex-alcóolatra – tal qual fênix ressurgiu das cinzas com “O lutador”, porque não o bom e velho Coppola. Que os deuses do cinema abençoem a nova obra do velho mestre, que chega aos setenta anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-7450620965301102710?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/7450620965301102710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=7450620965301102710' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7450620965301102710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/7450620965301102710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/05/ressurreicao-do-mestre-coppola.html' title='&lt;strong&gt;A ressurreição do mestre Coppola&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SgBlgwzADNI/AAAAAAAAAag/yLHzvA2iJdQ/s72-c/Coppola3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-3504022168362699953</id><published>2009-04-13T08:38:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T08:50:02.232-07:00</updated><title type='text'>Semana Santa</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SeNfIeM2ciI/AAAAAAAAAWw/9fxH_IjbYSQ/s1600-h/Jesus.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 164px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SeNfIeM2ciI/AAAAAAAAAWw/9fxH_IjbYSQ/s200/Jesus.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324203783632613922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sexta-feira da Paixão&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristo morreu pelos meus pecados. É o que dizem. Sempre detestei esta afirmação, como detesto qualquer coisa que tenha a ver com o não-visível. Não quero que ninguém morra pelos meus pecados. Dos meus pecados cuido eu. E meu pecado maior naquela sexta-feira maldita foi ter deixado Clarissa ir embora. Ou será que eu quem a mandei embora? Talvez as duas coisas. Só recordo que a vi jogando algumas roupas na mochila velha e sair de casa batendo ruidosamente a porta. Ainda pensei em correr atrás dela, mas desisti. Fiquei em casa ouvindo CDs de blues e olhando com cara de idiota para o bacalhau dessalgado em cima da pia. Iríamos fazer um bacalhau a Gomes de Sá. Clarissa não comia carne nos dias da semana santa. Para mim isso era uma besteira, eu teria adorado preparar uma picanha mal passada naquela noite, mas a paixão por Clarissa me fazia respeitar suas opiniões, pelo menos algumas delas.&lt;br /&gt;Pensei que Clarissa voltaria, mas, me enganei. Tomei alguns tranqulizantes para poder dormir, com o coração pesado de tristeza e paixão.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sábado de Aleluia&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aleluia! Clarissa telefonou. Não falou praticamente nada, balbuciou meia dúvida de palavras. Mas, telefonou. Disse que estava tudo terminado e que na semana seguinte pegaria suas coisas no apartamento. Pensei em implorar para que voltasse, em sugerir que conversássemos, mas nada falei. Escutei o que ela falou até que pareceu que ela fosse chorar e ela então desligou o celular.&lt;br /&gt;Resolvi ir uma igreja católica. Claro, desprezava o catolicismo, como a todas as demais religiões, mas senti vontade de ver os fiéis louvando a um ser superior. Contudo, quando estacionava o carro próximo a uma igreja, mudei de idéia repentinamente e decidi beber algo na praia. Olhar o mar costumava me acalmar. Bebi demais, contudo, e voltei para casa totalmente bêbado, arriscando bater o carro ou ser pego pela polícia dirigindo embriagado. Não aconteceu nem uma coisa nem outra. Talvez fosse melhor se eu tivesse morrido.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Domingo de Páscoa&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei de ressaca. Bebi quase um litro de água e tive de ver na geladeira os ovos de chocolate que Clarissa havia comprado para a gente. Estávamos juntos havia três anos e todo domingo de Páscoa ela me dava um ovo de chocolate. Como sabia que eu não compraria um para ela, tratava de se presentear com um ovo, quase sempre de chocolate branco. Joguei os dois ovos fora. Também atirei o bacalhau na lata de lixo. Em seguida, vomitei e, me sentindo menos enjoado, decidi recomeçar minha vida. Tomei um bom banho, recorri a um analgésico potente e me resolvi a sair da cidade. Joguei em uma mochila algumas roupas, laptop, escova de dentes e alguns livros. Iria para uma pousada litorânea para pensar na vida nova que teria de levar.&lt;br /&gt;Estava abrindo a porta do carro quando o celular tocou. Clarissa, com voz lacrimosa, disse que queria conversar e retomar nosso casamento. Pediu desculpas e exigiu que eu as pedisse. Perguntou se eu não queria encontrá-la em um bar-restaurante onde costumávamos ir. Concordei. Subi ao apartamento para deixar a mochila e rumei para o supermercado mais próximo, para comprar dois ovos de chocolate...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-3504022168362699953?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/3504022168362699953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=3504022168362699953' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3504022168362699953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3504022168362699953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/04/semana-santa.html' title='Semana Santa'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SeNfIeM2ciI/AAAAAAAAAWw/9fxH_IjbYSQ/s72-c/Jesus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-1311637212270601056</id><published>2009-03-31T05:11:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T08:41:50.128-07:00</updated><title type='text'>Homem que é homem mata pela honra</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SdIIpgGGo7I/AAAAAAAAAUI/z-plLCqGs9A/s1600-h/BLANCO-CANGACEIRO-2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 141px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SdIIpgGGo7I/AAAAAAAAAUI/z-plLCqGs9A/s200/BLANCO-CANGACEIRO-2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319323618961171378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol castiga sem dó nem piedade minha carne durante esta jornada maldita que eu faço. De Santo Antão para Cruzeiro do Norte são três léguas, como bem sabe todo sertanejo que mora por estas bandas. De cavalo, a trote lento, dá coisa de uma hora de viagem. Tempo mais que suficiente para pensar. No bem e no mal. Quanto a mim, pois nesta vida que Deus me deu só posso responder por mim, só pensava no mal. Não poderia ser diferente, depois do que Tonha me fez. E do que Lázaro me fez também, verdade seja dita. Que o Cão leve os dois. Mas, entre o sim e o não, decidi não esperar nem o Cão nem Deus – amém – fazer justiça. Vou fazer justiça eu mesmo. Pois homem que é homem mata ou morre pela honra, como dizia meu pai, que foi morto por dois policiais em tocaia por causa de uma briga de bar. Perdeu a vida, mas não a honra. Homem é assim, e Tonha sabia que estava com um homem quando começou a namorar comigo naquela quermesse de São João, há uns dois anos. Ou três, não lembro. Quem lembra estas coisas de data é mulher. O que sei é que Tonha vai pagar com a vida o que fez comigo. Com homem, ainda mais sertanejo e filho de Chico Bebé, cabra macho morto na traição por polícia, como relatei, não se brinca. Muito menos um sujeito frouxo como Lázaro, que com aqueles óculos enormes na cara e aquele cabelo abestado repartido ao meio, nunca bebeu uma cana com a gente no bar de Biduca e nem vai com a macharada para a casa de Francisquinha, para o chamego com as meninas. Lázaro talvez nem homem macho seja, como diz Zé Amorim. Mas, me disseram que ele, há muito tempo, já se chegou em Tonha. Ela é que não quis. Não consigo tirar da cabeça o que o sarnento do Lázaro disse sobre minha Tonha. O que foi que ele disse mesmo? O difícil do lembrar é porque eu tinha bebido umas canas lá em Biduca. Mas, sei que Lázaro disse alguma coisa sobre minha Tonha. Que eu tinha que cuidar dela. Por que eu tinha que cuidar dela? O que ela estava fazendo para que eu cuidasse mais? Lázaro disse mais uma ruma de coisas, mas eu não lembro. Só recordo que não gostei e que saí de Biduca disposto a fazer justiça com minhas mãos. Com sangue. Repito: o sol me castiga e me faz suar feito um porco, mas não descanso nesta jornada rumo à casa de Tonha. Ela vai pagar pelo que me fez. Nem sei direito o que ela me fez, mas Lázaro disse. O que aquele excomungado havia dito? O ruim de beber cana e conversar é isso, que depois a gente não lembra direito o que os cabras falaram. E diziam que Lázaro nem macho é. Não sei e nem sei que quero saber. Só sei que nesta vida a honra vale mais que a vida. Lázaro vai pagar também. Ele e Tonha vão pagar pelo que fizeram a um cabra macho de verdade. Lázaro disse alguma coisa sobre Tonha precisar de mais atenção. Quem é aquele diabo para saber do que minha Tonha precisa ou não? Não sei porque não sangrei aquele afrescalhado na hora. Acho que levantei, dei boa noite e saí do bar de Biduca. Como bebi muito não lembro de tudo, mas penso que foi assim. E depois acordei na rede, na casa de mainha, com vontade de botar tudo para fora. Foi quando decidi ir a Cruzeiro do Norte para justiçar Tonha. Minha Tonha, de cabelos pretos feito a asa da graúna e pele cor de melaço de cana. Eu devia ter sangrado Lázaro. Homem que é homem mata pela honra. Chego, então a Cruzeiro do Norte, apeio do cavalo e passo no bar de seu Noronha. Ele oferece uma cana, mas eu peço só água bem gelada. Que eu tenho de ter com Tonha e quero estar bom para fazer o que tem de ser feito. Bebo a água, chupo umas siriguelas, vomito um pouco no banheiro e tomo o caminho da casa onde Tonha mora com os pais. Bato na porta. Dona Mariinha atende e sorri para mim, gritando Tonha, Tonha, seu noivo está aqui! Percebo que esqueci minha peixeira em Santo Antão. Esqueci também o que Lázaro disse de Tonha. Uns dizem que ele nem é macho. Tonha vem até a sala, com seu sorriso luminoso feito vaga lume, eu sorrio, pois não tem como não se abrir em riso vendo uma coisa mimosa e linda daquelas, e eu abro os braços para aconchegar minha Tonha em meu peito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-1311637212270601056?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/1311637212270601056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=1311637212270601056' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1311637212270601056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1311637212270601056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/03/homem-que-e-homem-mata-pela-honra.html' title='&lt;strong&gt;Homem que é homem mata pela honra&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SdIIpgGGo7I/AAAAAAAAAUI/z-plLCqGs9A/s72-c/BLANCO-CANGACEIRO-2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-1917140553001763381</id><published>2009-03-27T09:47:00.000-07:00</published><updated>2009-03-27T10:04:01.365-07:00</updated><title type='text'>O mundo é grande</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/Sc0G9gSik7I/AAAAAAAAATw/cFeL_ENv-6w/s1600-h/Van+Gogh.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 164px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/Sc0G9gSik7I/AAAAAAAAATw/cFeL_ENv-6w/s200/Van+Gogh.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317914388703908786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era necessário acreditar nela – na amada – como em um deus. Munido de fé, e sem qualquer evidência de que esta fé tornaria sua vida melhor ou mais feliz. Na verdade, sempre fora assim, desde os primórdios da relação, quando ela entrou em sua vida e ele permitiu que a amada – com sua beleza, sua paixão e sua fome de viver – lhe guiasse a vida como quem cede o leme de um navio em meio a uma tempestade.&lt;br /&gt;Contudo, como todo cristão-novo, como todo convertido após certo tempo sem milagres, ansiava por provas, por sinais. Sabia que não conseguiria mais acreditar nela – e nem na relação – sem evidências, ainda que fossem tênues como pistas de um crime quase perfeito. Mas, necessitava de material palpável para trabalhar. Cansara dos êxtases, das orações, das promessas de fé que não se transubstanciavam em pão e vinho.&lt;br /&gt;Acordaram conversar em um restaurante discreto próximo a praia, onde já haviam trocado juras de amor eterno e também destilado ódio um pelo outro. Ele chegou primeiro, pontual que era, o que lhe deu tempo para rabiscar pensamentos em um guardanapo de papel. Estava convicto do que queria – o fim da relação – mas conhecia a si mesmo, ou passara a conhecer naqueles últimos três anos, para saber que bastaria a amada caminhar pelo corredor do restaurante em sua direção, para sua alma estremecer e ele não saber mais o que desejava da vida.&lt;br /&gt;Era justamente esse o problema. Acreditava na amada como quem acredita em um deus – com fé, e somente – e amava aquela mulher como a um ídolo sagrado. A imagem dela o hipnotizava, sentia-se um seguidor de seus rituais, da seita que era inventara unicamente para os dois... contudo, sabia que era impossível viver assim. Mesmo os fiéis mais fanáticos, enfurnam-se na igreja, oram de joelhos, mas depois se recolhem ao cotidiano, dormir, comer, criar os filhos, colocar a comida do cachorro...&lt;br /&gt;Sabia – com a consciência dos que já passaram pela roda da tortura – que quando a amada chegasse, as palavras duras morreriam ainda em sua garganta e que o perfume dela dissolveria no ar todo o fel que destilara. Terminariam a noite entre lençóis, envolvidos em batalhas de carne, e ela juraria amor eterno, para recomeçarem, então, o circulo de agonia e êxtase que viviam.&lt;br /&gt;Olhou, pela janela do restaurante, para o céu lá fora, de um azul quase absurdo e cheio de nuvens, e suspirou, imaginando como o mundo era grande. Não com ela. Ao lado da amada o mundo era só os dois, como convém aos amores loucos e às paixões suicidas. Queria a paixão, queria o amor, mas também queria o mundo real, grande, difuso, incerto...&lt;br /&gt;Pagou a água mineral, desligou o celular e saiu do restaurante, rumo ao mundo, que era grande e que estava à sua espera...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-1917140553001763381?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/1917140553001763381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=1917140553001763381' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1917140553001763381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1917140553001763381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/03/o-mundo-e-grande.html' title='O mundo é grande'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/Sc0G9gSik7I/AAAAAAAAATw/cFeL_ENv-6w/s72-c/Van+Gogh.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8729932380780464161</id><published>2009-03-23T07:58:00.000-07:00</published><updated>2009-03-25T09:24:03.365-07:00</updated><title type='text'>A Biblia deveria ser proibida para menores</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/ScelAwLfxJI/AAAAAAAAAS0/XiYi2CN8hO0/s1600-h/Caravaggio.bmp"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/ScelAwLfxJI/AAAAAAAAAS0/XiYi2CN8hO0/s200/Caravaggio.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316399317485864082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz algum tempo, escrevi crônica sobre as diferenças cerebrais entre homens e mulheres, fazendo uma analogia bem humorada entre humanos e primatas. Recebi críticas de um cidadão registrando que não existem comparações entre humanos – filhos de deus, disse ele – e animais irracionais. E recomendou que eu lesse a Bíblia. Dias depois, ao ler uma crônica erótica de minha autoria e saber que eu lancei uma plaquete intitulada “Sonetos eróticos e/ou pornográficos” uma amiga lamentou que eu gastasse tempo e energia louvando a devassidão e também recomendou que eu lesse mais a Bíblia.&lt;br /&gt;Bem, resolvi seguir o conselho dos críticos. Não que eu não tivesse lido a Bíblia. Já a devorei de cabo a rabo por duas vezes (pulando os livros técnicos como Números, Deuteronômio), cada uma com um espírito diferente: na primeira vez, ainda crente na existência de um ser superior, li para ratificar essa certeza. Na segunda, já desconfiado que tal idéia poderia ser tão irreal como Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, ETs e Smurfs, li com olhos mais críticos, pinçando contradições e absurdos. Decidi nesta terceira lida, algo superficial e sem rigor cronológico, atentar para o pitoresco, o insólito, ou para ser mais grosseiro e exato, para a parte barra-pesada do livro sagrado do cristianismo.&lt;br /&gt;Ou o leitor ainda acha que a Bíblia tem apenas ensinamentos edificantes e parábolas de Jesus? O livro está coalhado de episódios que nada ficam a dever ao Decamerão, de Boccaccio ou aos romances picantes de Fielding e Cleveland. Vamos, pois, aos trechos da Bíblia que poderiam – sob uma ótica moralista bem afeita aos cristãos – ser proibidos para menores de 18 anos. E que o leitor nem imagine Maria Madalena aqui. Ela é light para o padrão do Antigo Testamento.&lt;br /&gt;Há alcoolismo: “Bebendo do vinho (Noé) embriagou-se e se pôs nu dentro de sua tenda” (Gênesis 9, 21). Há coito interrompido: “Sabia Onã que o filho não teria tido por seu e todas as vezes que possuía a mulher do seu irmão, deixava o sêmen cair na terra para não dar descendência a seu irmão” (Gênesis).&lt;br /&gt;Bizarrices sexuais temos aos montes; adultério, incesto, ninfomania, satiríase, estupro etc. Quando Ló fugiu de Sodoma e Gomorra com as filhas para uma caverna, elas concluíram que não havia nenhum homem naquela terra com quem se unirem e continuarem a linhagem do pai. Decidiram digamos, deitar com o próprio pai para conservar sua descendência. Primeiro uma o embriagou com vinho e deitou-se com ele e na noite seguinte a irmã fez o mesmo. “E assim as duas filhas de Ló conceberam do próprio pai” (Gênesis 19, 30-35).&lt;br /&gt;Mas, poucas histórias são tão insólitas (e lascivas) como a de Jacó, filho renegado de Isaac, que trabalhando com seu tio Labão resolveu casar-se com a prima Raquel, a quem amava. Contudo, na noite de núpcias, Labão entregou a Jacó não Raquel, mas sua outra filha, Lia. Jacó só percebeu a “pequena” diferença do dia seguinte, quando o casamento estava consumado. Labão concordou em também lhe entregar Raquel por esposa em troca de mais sete anos de trabalho. Assim foi feito e Jacó casou com a amada Raquel. Acontece que Raquel não engravidava, e Lia sim, de forma que Raquel deu sua escrava Bila para Jacó coabitar e ter um filho como se de Raquel. Mas, quando Lia pára de engravidar, recorre ao mesmo expediente e entrega sua escrava Zilpa para Jacó. Em suma: em uma década, Jacó teve 12 filhos com quatro mulheres diferentes e na mais perfeita harmonia (Gênesis caps 29 e 30).&lt;br /&gt;Outro manancial de histórias eróticas e a do rei Davi e de seu filho Salomão. Que Davi era uma predador sexual parece evidente, tanto que apesar de já casado com Mical e Abigail, “tomou Davi mais concubinas e mulheres de Jerusalém, depois que veio de Hebron e nasceram mais filhos e filhas” (2º Samuel 5,13).&lt;br /&gt;A epopéia erótica mais conhecida de Davi foi quando à noite, passeando pelo terraço do palácio, viu uma mulher tomando banho nua em outro terraço. Era Bate-Seba (Betesabá). Davi ordenou que a levassem ao palácio e a possui naquela mesma noite. Ela engravidou. O problema é que era casada com um bom soldado, Urias. Como solução para o problema, Davi mandou chamar Urias da guerra para que dormisse com a mulher e o filho passasse como do marido. Urias, em fidelidade à pátria e aos soldados que estava na batalha, recusou dormir com Bate-seba. Davi encontrou solução mais prática para o problema: manbdou Urias para a frente de batalha para deixar que fosse morto. Urias morreu em combate e Davi casou com a viúva (2º Samuel 11).&lt;br /&gt;Antes de Salomão chegar ao poder, o filho rebelde de Davi, Absalão, proporcionou outra história picante: “Armaram para Abasalão uma tenda no eirado e ali, à vista de todo Israel, ele coabitou com as concubinas de seu pai” (2º Samuel 16,22). Cena de filme pornô...&lt;br /&gt;Mas, vamos a Salomão, que no quesito se cercar de mulheres, dava de capote nos milionários e playboys de hoje. Diz 1º Reis, capítulo 11: “Ora, além da filha de faraó, amou Salomão muitas mulheres estrangeiras; moabitas, amonitas, edonitas, sidônias e hetéias. A estas, se apegou Salomão pelo amor. Tinha setecentas mulheres, princesas e trezentas concubinas...”&lt;br /&gt;Mesmo com tanto tempo dedicado a mulheres ainda lhe sobravam algum para reinar e também para escrever. Foi Salomão o autor dos Salmos e do Eclesiastes, talvez os mais belos livros bíblicos. Ele também escreveu os “Cantares”, poema erótico encravado no meio da Bíblia. “Beija-me com os beijos de tua boca que melhor é teu amor do que o vinho”. “Leva-me à sala do banquete e o teu estandarte sobre mim é o amor”. “Já despi a minha túnica, hei de vesti-la outra vez?” e por aí vai.&lt;br /&gt;Ah, e para finalizar este texto, uma curiosidade algo GLS, bem à moda do revisionismo feito pelos grupos gays (que sustentam que Zumbi e Shakespeare eram gays. Talvez o fossem, mas ter certeza, quem há de?). A relação do rei Davi, ainda guerreiro com Jônatas, filho do então rei Saul, era curiosa. Trechos suspeitos: “Acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi e Jônatas o amou como à sua própria alma” (1º Samuel 18, 1). “Jônatas fez jurar a Davi de novo pelo amor que este lhe tinha, porque Jônatas o amava com todo o amor da sua alma” (1º Samuel 20, 17). Quando Jônatas morreu, Davi se lamentou assim: “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas, tu era amabilíssimo para comigo, excepcional era teu amor, ultrapassando o amor de mulheres” (2º Samuel 1, 26). "Brokeback mountain" perde para isso. Pensando bem, vou a ler a Biblia com mais assiduidade, como querem os críticos citados no primeiro parágrafo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8729932380780464161?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8729932380780464161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8729932380780464161' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8729932380780464161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8729932380780464161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/03/biblia-deveria-ser-proibida-para.html' title='A Biblia deveria ser proibida para menores'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/ScelAwLfxJI/AAAAAAAAAS0/XiYi2CN8hO0/s72-c/Caravaggio.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-1128808015245815843</id><published>2009-03-02T04:16:00.001-08:00</published><updated>2009-03-02T04:31:45.609-08:00</updated><title type='text'>O carnaval da minha dor</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SavRhxKHsOI/AAAAAAAAAOs/COYBpMNMu0I/s1600-h/pierrot-400.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 170px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SavRhxKHsOI/AAAAAAAAAOs/COYBpMNMu0I/s200/pierrot-400.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308566963847934178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carnaval da minha dor começou em uma sexta-feira ensolarada como têm início os  carnavais - sejam dolorosos ou não - em um ano qualquer e em uma cidade igualmente qualquer (o carnaval é igual em qualquer cidade quando o objetivo é sofrer, e não se alegrar. parafraseando Tolstói, todos os carnavais infelizes se parecem, os carnavais alegres é que são diferentes...)&lt;br /&gt;Mas, voltemos à minha dor... toda ela gerada pela Colombina, posto que eu era, novamente, o Pierrô. Há quantos carnavais vivíamos esta história insana, excitante, mal contada?... Havia uma década, suponho. Eu não  sabia nada sobre ela, apenas seu nome - Miriam - que ela revelou por um deslize enquanto fazíamos amor embaixo do palco das autoridades que assistiam ao desfile das escolas de samba na cidade de... deixemos para lá. E chamemos minha amada de Colombina, que é como sempre a chamei e como ela gosta de ser chamada (isso a excita, presumo). &lt;br /&gt;O fato era que o que havia começado como uma fantasia (em todos os sentidos) passara a ser –pelo menos para mim – uma obsessão. Primeiro nos conhecemos, entre o confete, a serpentina, o álcool e o loló, como todos se conhecem durante a folia, entre a superficialidade e o desejo... depois o beijo, o desencontro e por fim o reencontro na noite de terça-feira e terminar a noite – e aquele carnaval – entre lençóis no meu quarto de hotel. Trocamos telefone, mas, para quê? Jamais nos telefonamos. A não ser na véspera do carnaval do ano seguinte, quando ela avisou que novamente se fantasiaria de Colombina e que queria me ver outra vez de Pierrô. Passamos o carnaval entre encontros e desencontros, ela com Arlequins, eu com Odaliscas... tentei brigar, mas ela só queria se divertir. Jurei que no carnaval seguinte não passaria mais por aquilo. Tolice. Uma semana antes da festa momesca, a Colombina me ligou dizendo em que cidade passaria o carnaval lá fui eu atrás dela, rumo a prazeres carnais rápidos e uma dose considerável de sofrimento. Identifiquei-me com a música...  &lt;em&gt;"Um pierrô apaixonado, que vivia só chorando, por causa de uma colombina acabou chorando, acabou chorando...” (Pierrô Apaixonado, de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; Lá pelo quatro ou quinto carnaval que passávamos da mesma maneira, encontrando e desencontrando entre ladeiras, becos e multidões, tomei coragem e a pedi em casamento. Ela riu, argumentando que eu sequer a conhecia e continuou sua caminhada de Colombina desvairada, à procura de outras bocas, outros braços, outros pierrôs... Mas, na quarta-feira de cinzas lá estava ela em meus braços... E eu tentando fazer com que nos víssemos em outro período que não no carnaval. Inútil. “Eu gosto das coisas assim...”, enfatizou, despindo suas roupas de Colombina. Enquanto ela pegava um táxi rumo ao aeroporto (já morávamos em cidades diferentes) &lt;em&gt;"O pierrô apaixonado chora pelo amor da colombina..." (Pierrot, de Marcelo Camelo, da banda Los Hermanos&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;Passam os meses e fevereiro se aproximou, como sempre, trazendo consigo o Carnaval. Não telefonei para a Colombina e tampouco ela me ligou. Fiquei em minha cidade, e vesti-me de Pierrô – pela última vez – para pular sozinho meu carnaval. Eis que então que, entre lágrimas e cerveja, vi a Colombina – sim, só podia ser ela, era seu andar, seu jeito de mover os braços, de balançar os cabelos, de rir ao vento... - aos beijos com um Arlequim. Olhei fixamente para ela. Ela me viu e não esboçou qualquer reação. Era uma Colombina, mas, seria a minha Colombina? Que importava? Que mais havia a fazer? Comprei outra latinha de Skol e me entreguei à multidão que entoava uma marchinha qualquer, que aos meus ouvidos soava como a marcha fúnebre: eu estava condenado a ficar apaixonado pela imagem (literal e simbólica) da Colombina até o fim dos carnavais, ainda que toda Colombina que cruzasse meu infeliz caminho não fosse a minha... “&lt;em&gt;Quanto riso, ó, quanta alegria, mais de mil palhaços no salão... O pierrô está chorando pelo amor da Colombina no meio da multidão...”&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-1128808015245815843?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/1128808015245815843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=1128808015245815843' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1128808015245815843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1128808015245815843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/03/o-carnaval-da-minha-dor.html' title='O carnaval da minha dor'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SavRhxKHsOI/AAAAAAAAAOs/COYBpMNMu0I/s72-c/pierrot-400.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-2925386907655178968</id><published>2009-02-18T09:19:00.000-08:00</published><updated>2009-02-18T09:26:59.478-08:00</updated><title type='text'>A fonte dos desejos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SZxE1Be0PJI/AAAAAAAAAOk/ikYFuOLDQrw/s1600-h/Fonte.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 143px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SZxE1Be0PJI/AAAAAAAAAOk/ikYFuOLDQrw/s200/Fonte.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304190138857045138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oscilando entre a incredulidade e a fé, ele chegou, após longa e tortuosa caminhada, à fonte dos desejos. Passara anos ouvindo falar da fonte milagrosa ao pé da montanha sagrada de M., da cidade igualmente mística de S. Homens enriqueceram após uma visita à fonte e molharem o rosto com sua água cristalina. Outros obtiveram sucesso profissional. Mulheres estéreis tiveram filhos. Dizem que um cego retomou a visão; um surdo ganhava a voz. Claro, como em toda questão de fé, não se tinha certeza em nada. Acreditar era tudo.&lt;br /&gt;Suando, apesar do frio que fazia, entrou na fila para se molhar com a água sagrada. Chegada a sua vez, olhou para a pequena fonte circular, como um poço, e contemplou a água esverdeada que – diziam – obrava milagres. Com a mão em concha, apanhou uma porção d´água e molhou o rosto lentamente, como se fazendo uma oração. Fez o seu pedido. &lt;br /&gt;Terminado o ritual, afastou-se da fonte, dando espaço para outros romeiros e caminhou a esmo, contemplando a beleza da montanha. Havia de esperar que seu desejo fosse realizado. Não sabia quando. Talvez a fonte não passasse de uma lenda, de mais uma ilusão dos crentes em algo além do visível.&lt;br /&gt;Retornou a pousada e comeu um sanduíche de frango com cerveja. Voltaria para casa no dia seguinte e decidiu passar o restante da tarde caminhando pelos morros em volta da montanha. &lt;br /&gt;Olhando o céu, de um azul desbotado, andou por uma trilha adornada por pedras cor de rosa, escorregadias. Subitamente, ao observar com atenção uma nuvem amarelada, escorregou em um punhado de folhas úmidas e despencou morro abaixo, caindo pesadamente em um emaranhado de raízes pontudas. A dor foi quem o avisou que uma delas transpassara sua carne - na altura do estômago – de um lado para outro. Cuspindo sangue e com a respiração ofegante, percebeu que estava morrendo, que não viveria mais sequer dez minutos e ardeu em felicidade em saber que seu desejo fora atendido: que alegria, vou morrer!, pensou. Desde tenra idade, queria morrer. Pensara em suicídio – lâmina nos pulsos, cabeça no forno, arma de fogo – mas a covardia era mais forte que a vontade de morrer. Queria um acidente, um acaso. Soube da fonte dos desejos e resolveu recorrer à sua suposta magia. Sorriu em sangue e morreu tranquilamente, lembrando da água esverdeada da fonte dos desejos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-2925386907655178968?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/2925386907655178968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=2925386907655178968' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2925386907655178968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2925386907655178968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/02/fonte-dos-desejos.html' title='&lt;strong&gt;A fonte dos desejos&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SZxE1Be0PJI/AAAAAAAAAOk/ikYFuOLDQrw/s72-c/Fonte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-4389187019229250245</id><published>2009-02-11T05:19:00.000-08:00</published><updated>2009-02-11T05:21:52.703-08:00</updated><title type='text'>De aberrações e de (verdadeiros) monstros</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SZLQ6KawxpI/AAAAAAAAAOM/AJVXmC5DhUI/s1600-h/Freaks4.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 130px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SZLQ6KawxpI/AAAAAAAAAOM/AJVXmC5DhUI/s200/Freaks4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301529409016088210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SZLQ0bsLyVI/AAAAAAAAAOE/nng3V6oRVd0/s1600-h/Freaks1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 142px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SZLQ0bsLyVI/AAAAAAAAAOE/nng3V6oRVd0/s200/Freaks1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301529310573349202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo cinéfilo tem uma gama de filmes que se tornam míticos de tanto que os tentamos assistir, que os procuramos, que tentamos baixá-los na internet, algumas vezes sem êxito. Na banca 7º Arte, no camelódromo do centro de Natal, encontrei totalmente por acaso um destes filmes: “Freaks”, o clássico de Tod Browning que nestas plagas tropicais ganhou o nome de “Monstros”. Nada mais errôneo. “Freaks” é um termo da língua inglesa que pode ser traduzido como “aberrações” e se refere principalmente a pessoas que são diferentes do que se chama “normal”: anões, malformados geneticamente etc. Existe inclusive uma ciência que estuda as deformações, a teratologia. Confesso que tenho um fascino por isso, e desde a adolescência coleciono informações e fotos de “freaks” (Não por acaso, “O homem elefante”, de David Lynch, foi desde os quinze anos um dos meus filmes preferidos. E Lynch é fascinado por teratologia). Bem, vamos ao filme: a trama é simples ao extremo e serve de mero pretexto para o diretor expor suas aberrações humanas na tela. Sim, os “freaks” do filme são reais. Nada de maquiagem ou efeitos especiais. O filme é de 1932, não nos esqueçamos. Não havia noções de politicamente correto no mundo e os circos com aberrações humanas eram sucesso e aceitáveis socialmente. Portanto, os “astros” do filme são anões, mulheres com microcefalia e “freaks” que fizeram história como Johnny Eck, o “homem torso”, cujo corpo terminava abaixo do umbigo; Olga, a famosa mulher barbada; e Raduan, o “homem verme”, que não tinha braços e pernas, mas ainda assim se locomovia, acendia sozinho seu cigarro (cena mostrada no filme), falava três línguas, se casou e teve filhos. Com este “elenco” recrutado nos circos, Browning fez seu filme na qual em um circo itinerante, uma ambiciosa trapezista se casa com um anão para herdar a fortuna dele e isso provoca problemas que levarão a um fim trágico. O filme foi combatido, proibido, cortado e posteriormente tido como preconceituoso e arcaico, posto que Browning teria feito o mesmo que os donos de circo: exposto os freaks como meras atrações para lidar com a morbidez e curiosidade dos espectadores. Mas, há quem discorde. Todos eles são tratados com carinho pelo roteiro e pela direção, e no frigir dos ovos o filme gera efeito similar ao causado por “O homem elefante”. Passada a estranheza inicial (inevitável, claro) nos sentimos à vontade com os freaks e logo percebemos que os monstros reais do filme são os “normais” Cleópatra (a trapezista) e o amante dela, o mau caráter Hércules. Assim como no filme de Lynch, o monstro do filme não é John Merrick, o homem elefante, mas sim o dono do circo que o explora e o agride. Na minha modesta opinião, “Freaks” acaba sendo um libelo contra o preconceito. Até mesmo na cena final, na vingança contra Cleópatra, os “freaks” são mostrados com dignidade, como gente que pode se defender e responder aos insultos e mau tratamento. Gosto de filmes que questionem os padrões pré-estabelecidos da sociedade, como o da beleza estética. Passada uma hora de filme você terá asco pela bela, alta e loira Cleopatra e terá vontade de bater papo com a anãzinha Frieda, com sua dignidade e tolerância. E perceberá que o “homem pela metade” Johnny Eck é mais alegre, educado e bom de se conviver que os outros “homens normais” do circo. Duvida? Assista o filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-4389187019229250245?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/4389187019229250245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=4389187019229250245' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4389187019229250245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4389187019229250245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/02/de-aberracoes-e-de-verdadeiros-monstros.html' title='&lt;strong&gt;De aberrações e de (verdadeiros) monstros&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SZLQ6KawxpI/AAAAAAAAAOM/AJVXmC5DhUI/s72-c/Freaks4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8487630238317510836</id><published>2009-02-04T03:49:00.001-08:00</published><updated>2009-02-04T03:50:09.121-08:00</updated><title type='text'>Fome</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SYmA58-uPRI/AAAAAAAAAMU/gD3c-UWAppI/s1600-h/328px-Saturno_devorando_a_sus_hijos.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 110px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SYmA58-uPRI/AAAAAAAAAMU/gD3c-UWAppI/s200/328px-Saturno_devorando_a_sus_hijos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298908169688202514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Matei meu pai. Comi carne humana.&lt;br /&gt;Tremo de tanta felicidade.&lt;br /&gt;(Pasolini em Pocilga)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou com uma fome mitológica. Com os olhos ainda enevoados de sono, sem preocupações inúteis com um banho ou higiene bucal, abriu a geladeira e pegou uma caixa de leite integral, um melão e preparou um sanduíche de presunto. Arrumou-se rapidamente para não chegar atrasado ao trabalho e, sem esquecer de pegar uma maçã para comer enquanto descia as escadas, começou a fazer telefonemas pelo celular. &lt;br /&gt;O escritório de publicidade onde trabalhava ficava a um quarteirão de onde morava, costumando demorar o tempo de uma caminhada de dez minutos para ir de um a outro. Contudo, naquela manhã cinzenta percebeu, ainda no meio do caminho, que continuava com fome. Deteve-se em uma padaria, comprou um pastel de queijo e sentiu o prazer de comer enquanto andava. Chegou à agência, limpando os restos da comida na barba e na gola da camisa.&lt;br /&gt;Tentou afundar no trabalho, como sempre fazia, mergulhando em textos, imagens e conceitos, mas, em dado momento percebeu que uma estranha fome parecia roer seu estômago. Na copa da agência, tomou um café com bolachas cream cracker, mas constatou que este lanche só fizera a fome aumentar. Sentindo dores no estômago e fraqueza nos ossos, esperou pacientemente chegar a hora do almoço, quando desvencilhou-se nos companheiros de trabalho e se refugiou em um restaurante barato. &lt;br /&gt;Fez um prato incomum – para seus padrões alimentares - com bife, arroz, feijão, macarrão, farofa e salada. Terminando o almoço, pediu um pão com manteiga e uma laranja. Depois, um pudim de leite, que considerou insosso, e duas xícaras de café. Levantou-se com a sensação de que tinha aplacado a fome de forma definitiva e que sequer agüentaria jantar mais tarde.&lt;br /&gt;Engano. Mal deu dois passos na calçada, sob o sol causticante, percebeu, horrorizado, que a fome continuava. Pensou em procurar um médico, cogitou telefonar para a irmã, nutricionista. Ou simplesmente ir para casa dormir e acordar sem a sensação de fome. Contudo, não poderia se enganar, e, na pior das hipóteses, muito menos enganar a seu próprio corpo. A fome que lhe carcomia, apesar do que já havia comido até então, era real, dolorida. &lt;br /&gt;Sem muitas alternativas e beirando o desespero, entrou em uma pastelaria e debastou três pastéis de carne, um de queijo e uma coxinha de frango, ajudado por dois copos de caldo de cana. Na saída, deliciou-se com um sorvete de baunilha. Caminhou alguns passos em direção a agência e teve de admitir para si mesmo: continuava faminto.&lt;br /&gt;Cansou de lutar contra si mesmo e contra os instintos do seu corpo; resolveu assumir a fome, ainda que por alguns instantes de desespero e incredulidade e refugiou-se em uma conhecida churrascaria ali perto. Durante um par de horas, refastelou-se com picanha, maminha, frango, cupim, lingüiça, fraldinha, filé mignon; saboreou farofa, vinagrete e arroz; experimentou feijão verde, pediu batatas fritas, enfim, comeu em uma refeição o que normalmente levava dias para ingerir. Estranhamente, ao término da epopéia de carnes, sentia-se leve como um bailarino. Preciso ir ao médico urgentemente, pensou. Porém, ao contrário do que acontecera horas antes, sentia-se bem com seu corpo, como se o organismo e os alimentos (e a necessidade deles) tivessem chegado a um acordo de cavalheiros.&lt;br /&gt;Ao sair do restaurante, percebeu que não conseguiria trabalhar. Telefonou para a empresa pretextando uma doença súbita e, alegremente, foi a um shopping. Ignorou as vitrines chamativas e os cinemas, que tanto amava. Ancorou na praça de alimentação e iniciou uma turnê pelos restaurantes: experimentou comida tailandesa (pato apimentado), saboreou sushis e sashimis, provou de tutu à mineira e baião de dois... comeu o que pode, enquanto o dinheiro lhe deu condições, até começar a usar o cartão de crédito. Olhou a própria barriga; ninguém jamais diria que ele tinha se alimentado tanto naquele dia. Também não sentia nenhuma vontade de ir ao banheiro. Teria se transformado em algo estranho? Seu corpo teria aprendido a processar a comida de forma diferente?&lt;br /&gt;Saiu do shopping Center à noite e, com fome, não sentia nenhuma vontade de ir para casa. Subitamente, o estômago lhe doeu, como se recebesse um golpe de agulha. Havia uma pizzaria por perto, mas teve senso de perceber que seu corpo não queria massas ou queijos. Precisava de carne. Mas, ao pensar em retornar à churrascaria – com o pouco crédito que lhe sobrara nos cartões – sentia que comer mais picanha não o satisfaria. E a fome lhe golpeava como um soco. Sentou-se em um banco de praça escuro no parque, para apertar os braços contra a barriga. Foi quando percebeu o adolescente um pouco à sua frente. Olhava a estátua de Saturno com devoção, como um escultor estuda as formas da modelo que vai retratar. Não devia ter mais que dezessete anos e era branco e magro.&lt;br /&gt;Aproximou-se do rapaz pedindo um cigarro. O jovem respondeu que não fumava. Ele iniciou uma conversa sobre a estátua e conseguiu atrais a atenção do rapaz. Propôs verem outra estátua – de Diana, deusa da caça – do outro lado do parque. Percebeu que estavam praticamente sozinhos naquele lado do gramado e que a escuridão deixava tudo na penumbra. Um pouco antes de chegarem à Diana, em, um trecho particularmente escuro, ele apontou para o jovem uma estrela que brilhava no céu. Quando o rapaz levantou ingenuamente a cabeça para ver, recebeu o golpe de canivete, no meio das costelas.&lt;br /&gt;Ele rodou o canivete até formar um buraco oval na carne do menino. Depois golpeou-o várias vezes, no coração, no pescoço, na barriga. Com uma habilidade que lhe era desconhecida, começou a destripar a carne e se deliciar com seu calor e com o sangue grosso. Arrancou os olhos do rapaz e os comeu. Fez o mesmo com os dedos, o fígado e as coxas. Tentou comer uma orelha, mas a carne era muito dura.&lt;br /&gt;Por fim, vendo a massa disforme de carne retalhada e tripas do que fora um jovem, limpou-se com a camisa, guardou o canivete no bolso e sentiu, pela primeira vez naquele dia feliz e maldito, que a fome havia, enfim, passado.&lt;br /&gt;Foi para casa com a certeza que alguém o abordaria, que iriam prendê-lo. Nada. Protegido pela escuridão e pela indiferença dos outros, chegou ao seu apartamento cansado, mas satisfeito. Tomou um banho quente e deitou-se. Pensou vagamente na carne crua e no sangue que comera e bebera. E de como era bom deitar na cama com o estômago satisfeito.&lt;br /&gt;Dormiu para uma noite sem sonhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8487630238317510836?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8487630238317510836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8487630238317510836' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8487630238317510836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8487630238317510836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/02/fome.html' title='&lt;strong&gt;Fome&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SYmA58-uPRI/AAAAAAAAAMU/gD3c-UWAppI/s72-c/328px-Saturno_devorando_a_sus_hijos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-1605277307248670735</id><published>2009-01-26T06:47:00.000-08:00</published><updated>2009-01-26T06:53:44.913-08:00</updated><title type='text'>A flor e a pedra</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SX3OcFwG2AI/AAAAAAAAAKc/5_dg_-IDYe4/s1600-h/Giorgio-de-Chirico-Hector-and-Andromache.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 160px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SX3OcFwG2AI/AAAAAAAAAKc/5_dg_-IDYe4/s200/Giorgio-de-Chirico-Hector-and-Andromache.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295615718833182722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Uma mulher como esta deve ter nome de flor&lt;/em&gt;, pensei, quando a vi pela primeira vez. Era o lançamento do livro de poesias de um amigo, e, entre o vinho e conversas tediosas, apercebi-me da mulher à minha frente.&lt;br /&gt;Era linda, de pele leitosa e olhos indecisos entre o negro e o castanho. Cabelos negros presos em coque e um sorriso luminoso. Decidi que precisava conhecê-la e o destino conspirou a meu favor. Uma amiga em comum nos apresentou. Chamava-se Violeta. Contei a ela minha impressão sobre seu nome; ela riu e disse que queria ouvir mais sobre minhas primeiras impressões.&lt;br /&gt;Jantamos no dia seguinte, e o vinho branco serviu como senha para que descobríssemos gostos em comum; livros, filmes, músicas, hábitos... Eu, artista plástico de relativo destaque – ou assim imaginava – ela, uma atriz e encenadora em ascensão, como vim a descobrir. Os muitos gostos em comum se tornaram cumplicidade e esta cumplicidade não tardou a se tornar amor. &lt;br /&gt;Um amor que desaguou em casamento - no cartório e na igreja – e na benção de amigos e conhecidos. Nem mesmo os invejosos de plantão, eternamente alertas como Iago, conseguiram tirar um pedregulho do castelo onde erguemos nossa história de amor. O êxito emocional fez-se seguir pelo sucesso profissional; tive telas vendidas para a Holanda e a Itália; Violeta ganhou ovações e prêmios por uma ousada encenação de Medeia... Consideramos-nos preparados para conquistar o mundo. Quem ou o que poderia nos impedir? Éramos jovens, belos, inteligentes, ousados... e quando tínhamos alguma dúvida destas pretensas qualidades, os amigos e admiradores não demoravam a nos lembrar delas. Violeta era a flor, de nome e trato; eu, era a pedra, pela personalidade e firmeza em ações e opiniões. O casal perfeito, disseram. E cometemos o erro de acreditar cegamente nisso.&lt;br /&gt;Não tardaram os conflitos que, como ondas noturnas, começaram a erosão no castelo do nosso amor. Ciúmes, quase sempre sem razões e intempestivos; intolerância, muitas vezes próxima da grosseria; ambos guardando rancores como quem guarda bijuterias em uma caixa. Minhas telas sofreram o efeito da crise; os temas se tornaram mais lúgubres, as cores, mais escuras. Violeta, por sua vez, desaguava nas personagens a raiva que carcomia seu coração. Atrasei a entrega de telas e diminui o ritmo de trabalho. Ela, chegava atrasada a ensaios e se tornava mais ríspida com os colegas de palco. Afinal, a maior parte do tempo era dedicada ao jogo das ofensas, da espera pela ironia para responder a uma ironia antes colocada à mesa. Os corações acelerados, a mão trêmula de medo ou ódio. E o castelo ruiu, como seria de se esperar. Os amigos, sem surpresa, testemunharam a flor se recolher ao seu jardim e a pedra rumar para a aridez do deserto.&lt;br /&gt;Encontramos-nos três vezes Violeta e eu, após a separação. Ensaiamos retomar o casamento, trocamos mais frases ferinas, choramos um pouco, mas, por fim, decidimos manter-nos longe um do outro. O tempo curaria as dores, como costumam dizer e era, possivelmente, verdade.&lt;br /&gt;Porém, a separação parece ter atraído a sorte contra nós. Meses depois, dirigindo com sono, voltando de uma apresentação de Macbeth, Violeta bateu o carro contra um caminhão na BR-101. Ficou meia hora sangrando presa às ferragens. Perdeu a perna direita. Estava fazendo fisioterapia e tentando se adaptar a uma prótese.&lt;br /&gt;Quanto a mim? Cá estou em um restaurante, lembrando de tudo que relatei agora e esperando Violeta chegar. Ouvi sua voz atrás de mim, dizendo meu nome com suavidade. Senti sua mão em meu ombro esquerdo. Com um barulho estranho – a prótese, claro – ela sentou-se à minha frente. Talvez estivesse sorrindo. Talvez tivesse pintado novamente o cabelo. Esqueci de relatar somente este detalhe, sobre mim; uma semana depois do acidente de Violeta, senti uma imensa dor nos olhos, que tentei aplacar com colírios e soro biológico. Como a dor não passava e a vista começou a ficar enevoada, recorri a um oftalmologista para trocar os óculos. Descobri que havia contraído uma bactéria rara, similar ao glaucoma, e que estava ficando cego. Fui cirurgiado, na esperança de manter a visão, mas foi inútil. Como Édipo, como Borges, fiquei cego.&lt;br /&gt;Eu e Violeta estamos aqui, rindo de nosso quinhão de sofrimento nesta vida. &lt;em&gt;Um cego e uma aleijada&lt;/em&gt;, ela riu. Agora, não era o mundo que tínhamos para conquistar, mas sim, a vida cotidiana, como fazer um café ou fritar um ovo. Rimos disso e pedi que ela colocasse mais vinho em minha taça...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-1605277307248670735?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/1605277307248670735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=1605277307248670735' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1605277307248670735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1605277307248670735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/01/flor-e-pedra.html' title='&lt;strong&gt;A flor e a pedra&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SX3OcFwG2AI/AAAAAAAAAKc/5_dg_-IDYe4/s72-c/Giorgio-de-Chirico-Hector-and-Andromache.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-13085667709462957</id><published>2009-01-14T07:07:00.000-08:00</published><updated>2009-01-14T07:15:10.915-08:00</updated><title type='text'>O envelope amarelo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SW4BbsE-QuI/AAAAAAAAAG0/iBP9PRgOttw/s1600-h/Envelop%2520and%2520stamp.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 146px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SW4BbsE-QuI/AAAAAAAAAG0/iBP9PRgOttw/s200/Envelop%2520and%2520stamp.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291168187407024866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava em casa assistindo televisão e bebendo café com leite quando ouviu o som da campainha. Pensou que era um dos filhos, sempre esquecem a chave!, ou o vizinho querendo emprestado alguma ferramenta, sempre o fazia! Pelo olho mágico não viu ninguém, e intrigado, abriu a porta. Percebeu em cima do tapete da entrada um envelope grande, amarelo. Pegou-o e entrou em casa. Que diabos será isso?, pensou, imaginando uma cobrança ou um engano. Nada estava escrito no envelope. E estava aberto. Com a mão, retirou de dentro uma série de folhas de papel grampeadas. Sentou-se para ler. Logo na primeira página, ficou intrigado. Viu o nome de Marcos Alexandre, seu amigo de infância, e em seguida, uma série de informações sobre ele: nome completo, identidade, CPF, data de nascimento, signo, ascendente, onde morava, nome dos filhos etc. &lt;br /&gt;Na página seguinte, outra surpresa, esta maior: uma série de informações sobre a vida de seu amigo. Leu um pequeno trecho: “Apesar de casado com Iracema, Marcos mantém um relacionamento extraconjugal com Celeste, professora da rede pública de ensino e que mora no bairro das Quintas, há pelo menos cinco anos. Seus amigos sabem disso. Seus filhos também”. Ficou preocupado com o que leu. Seria uma brincadeira de mau gosto? Passou a página. Lá estava o nome de Carlos Buarque, companheiro de trabalho e de peladas no fim se semana. Na primeira página, a mesma coisa: informações básicas, número do RG, endereço, e-mail, número de contas de banco. Na página seguinte, informações mais bizarras: “Carlos, embora um pai de família considerado exemplar, assediou sexualmente a sobrinha de 15 anos, e há alguns anos, manteve um caso com uma garota de 14”. Respirou fundo. Aquilo estava muito estranho...&lt;br /&gt;Continuou a passar as páginas. Leu então o nome de Raimundo Santarém. Tratava-se de um antigo desafeto com quem chegara a trocar desaforos havia alguns anos. Era um homem ranzinza e meticuloso, que gostava de esfregar sua verdade na cara dos outros. Com atenção, leu as informações básicas do inimigo, na verdade já as conhecia. Passando a página, deparou-se com mais uma surpresa: descobriu que o homem esnobe e orgulhoso de sua retidão, não apenas estava do SPC e Serasa, como ainda devia uma fortuna para bancos. Seu carro do ano, da qual se gabava, não passava de uma compra por leasing e estava prestes a ser tomado por um outro banco. Passava cheques sem fundo. Por três vezes, recorrera a agiotas. Era um fracassado, em termos financeiros.&lt;br /&gt;Mais páginas. Descobriu o nome da secretária do escritório onde trabalhava, Clarissa Maciel, evangélica ferrenha, que tentava convencê-lo a aceitar a palavra de Deus, mas na igreja que ela frequentava, claro. Lendo, descobriu que ela fizera – já convertida - dois abortos de um homem casado com quem mantinha um envolvimento secreto. Também batia na mãe setuagenária, a quem mantinha em uma espécie de cárcere privado. Chegou à página de seu chefe, Patrício Guimarães, homem espirituoso e alegre, orgulhoso da vida que levava. Contudo, segundo o relatório detalhado, tentara o suicídio havia um ano, quando a mulher – que costumeiramente o traía, revelação que o surpreendera – o abandonara e aos filhos para viver com outro homem. Após ela ser rejeitada pelo amante, voltara para Patrício.&lt;br /&gt;Meu Deus, de onde veio isso? - Indagou-se, já com um estranho contentamento. Pensou no que poderia fazer com tantas informações. Tinha consciência que saber das coisas era um trunfo em quaisquer circunstâncias. Percebeu que tinha a vida de muita gente – que gostava ou que odiava – em suas mãos. Não dizem que informação é tudo? -  Divertiu-se. Continuou a ler. Descobriu coisas ocultas e estranhas sobre a vida dos vizinhos, da atendente da farmácia, do dono da padaria do bairro. Sentiu-se um deus. Parou de ler, encheu um copo de uísque e acendeu um cigarro. Não cabia em si de tanta euforia. O que posso fazer com tantas informações? - Pensou. Como tirar vantagem deste presente que o destino colocou em minhas mãos?&lt;br /&gt;Alegre, percebeu que faltavam poucas páginas para terminar o relatório. Continuou a ler, esperançoso em saber mais informações sobre desafetos, amigos e conhecidos. Teve uma surpresa ao ler o nome de Eduardo Pinheiro. Era seu filho. Pulou a primeira página, com todas as informações de praxe, todas detalhadas e absolutamente corretas. Na página seguinte, sofreu um baque: descobriu que o filho o odiava, que cheirava pó havia meses, que fora ele – o filho amado – quem furtara produtos em um supermercado na rua vizinha.&lt;br /&gt;Abatido, continuou a leitura. Chegou então ao nome de Laura Pinheiro, sua filha adolescente. Entre mentiras e intrigas, descobrira que ela fazia assaltos regulares à sua carteira. E ele que sempre pensara que as cédulas eram subtraídas pela esposa, para seus badulaques e futilidades. Mas, o pior estava por vir: descobriu, na leitura amarga, que Laura não era sua filha. Era o produto maldito de uma rápida traição da sua esposa. &lt;br /&gt;Sabia o que viria nas últimas páginas do relato, agora macabro. Leu com alguma dor o nome de sua esposa, Lucia Bertioga Pinheiro. Bebeu de um gole o uísque e armou-se para a leitura que viria. Soube então que ela já o traíra algumas vezes, como descobrira amargamente na leitura anterior, que mantivera um caso com um amigo da família e pensava seriamente em abandoná-lo. Que ainda desprezava seu comodismo profissional, comentava com as amigas o esfriamento – quase morte – de sua vida sexual com o marido.&lt;br /&gt;Correu para o banheiro. Ligou o chuveiro e deixou-se ficar na água gelada por imprecisos minutos, talvez horas. Cansado e com frio, desistiu do suplício. Enxugou-se, e ainda trancado no banheiro ouviu o barulho da chave girando na maçaneta da porta e o barulho do sapato da esposa. Pensou em matá-la e depois se matar. Cogitou gritar, quebrar a sala inteira. Primeiro iria olhá-la nos olhos, fingir não saber de nada, pressioná-la contra a parede. Saiu com a decisão de confrontar a mulher falsa com quem vivera ao longo dos anos.&lt;br /&gt;Na sala, encarou-a. Surpreendeu-se com o olhar de fúria impresso em seu rosto.&lt;br /&gt;- Quem é Vanda? – perguntou a esposa.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;-  Já sei de tudo.&lt;br /&gt;- Tudo o quê?...&lt;br /&gt;            - De você e Vanda. Sei que tem uma filha com ela. Cecília, não é mesmo?&lt;br /&gt;Engoliu a seco. Tentou falar, a mulher não deixou.&lt;br /&gt;            - E o caso que teve com minha prima Janaína, foi bom? E ter transado com ela na nossa cama no reveillon do ano retrasado, foi bom, seu canalha?&lt;br /&gt;Tentou se defender, mas não encontrava palavras no vazio imenso que se apossara dele. Sabia que era tudo verdade, não teria como contra-argumentar. Percebeu então na mão da mulher uma série de folhas de papel. E debaixo do seu braço esquerdo, um envelope amarelo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-13085667709462957?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/13085667709462957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=13085667709462957' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/13085667709462957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/13085667709462957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/01/o-envelope-amarelo.html' title='&lt;strong&gt;O envelope amarelo&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SW4BbsE-QuI/AAAAAAAAAG0/iBP9PRgOttw/s72-c/Envelop%2520and%2520stamp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-4546645652806861132</id><published>2009-01-06T06:44:00.000-08:00</published><updated>2009-01-08T09:44:29.338-08:00</updated><title type='text'>A menina do cemitério</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SWNwNsrbGgI/AAAAAAAAAEA/lBG1jmJnKhE/s1600-h/cem.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SWNwNsrbGgI/AAAAAAAAAEA/lBG1jmJnKhE/s200/cem.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288193768096995842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cefas Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;      Essa história aconteceu há pouco tempo, mas, somente agora, ganhei forças para contá-la.&lt;br /&gt;      Nascido em Pendências, mas órfão de pai e mãe desde a infância, fui criado em Natal, mais exatamente em uma tranqüila rua do Alecrim por minha tia Lucia e por seu marido, que eu chamava de Tio Baltasar. Ele, coitado, morreu de cirrose no dia do meu aniversário de quinze anos. Minha tia passou a ser minha única referência afetiva e vice-versa. Jamais tive o que me queixar dela ou da vida. Fui bem criado, estudei em ótimas escolas, entrei na universidade e por fim formei-me em Educação Física.&lt;br /&gt;      Incentivado por tia Lucia, fui fazer um curso de um mês em Recife sobre técnicas desportivas. Foi na capital pernambucana, porém, que recebi a noticia que tia Lucia havia morrido, vítima de infarto. Confesso que viajei chorando durante as quatro horas de ônibus que separam Recife de Natal.&lt;br /&gt;      No enterro, no Cemitério do Alecrim, poucos parentes, uma e outra amiga e eu, me sentindo pela primeira vez sozinho no mundo. Após todos irem embora, ainda fiquei um bom tempo a olhar para os túmulos e mausoléus, até que o zelador gentilmente me mandou embora, advertindo que era hora de fechar.&lt;br /&gt;      No dia seguinte voltei ao cemitério. Depositei mais flores no túmulo de minha tia. Sem que ninguém me visse – era proibido fumar ali, me dissera o zelador – acendi um cigarro a vagar pelas ruas no cemitério. Tantos anos morando no Alecrim e eu jamais entrara ali até então, afinal, meu tio fora enterrado no interior e nenhum conhecido ou amigo jamais fora sepultado naquele solo.&lt;br /&gt;       Na segunda semana sem tia Lucia, trabalhando em uma escola apenas de manhã e com a tarde e noite livres, passei a dedicar mais tempo a pensar na morte em si do que na perda específica da minha tia. Não sentia vontade de sair ou beber com os amigos, e tampouco estava atrás de companhia feminina, posto que havia terminado um longo namoro havia alguns meses. Também comecei a ir três vezes por semana ao cemitério, ambiente que me parecia cada vez mais familiar. Fiz amizade com o zelador, os funcionários. Conheci a administradora do local, dona Lenilde. O cemitério tem o poder de convidar à reflexão e mais que morbidez a visão de tantas pessoas que se foram me trazia uma estranha espécie de paz, em lugar de repulsa ou morbidez. &lt;br /&gt;Em uma dessas tardes, passeava pelos túmulos, contemplando alguns imponentes, como o de Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, quando de repente avistei uma jovem na minha frente, a me olhar como se eu estivesse fazendo algo errado.&lt;br /&gt;      - Estou observando você há alguns dias...-sorriu&lt;br /&gt;      - É, eu estou vindo aqui com freqüência respondi, atordoado com a abordagem.&lt;br /&gt;      - Eu também gosto muito daqui. É calmo, tranqüilo, tão diferente do mundo...&lt;br /&gt;      - Você mora aqui no Alecrim?&lt;br /&gt;      - Exatamente.&lt;br /&gt;      - Qual seu nome?&lt;br /&gt;      - Aurélia – sorriu. Um sorriso doce, sereno. Reparei então na menina, de longos cabelos castanhos se derramando pelo vestido azul claro. Os olhos, imensos, vivos, fixos em mim. Deveria ter entre dezoito e vinte anos. Bela como poucas eu tinha visto.&lt;br /&gt;       - Bem, vou te deixar na sua caminhada. Até logo – sorriu, se afastando. Tentei falar algo para impedi-la de ir, mas as palavras não saíram. Pensei em rodar pelas ruas do cemitério, que afinal não era tão grande assim, mas desisti. Voltei para casa com uma sensação estranha, de quem deixou para trás algo importante.&lt;br /&gt;Passei boa parte da noite pensando na menina. Aurélia, lembrei do nome. &lt;br /&gt;No dia seguinte, retornei ao cemitério. Talvez nem tanto para prantear sobre o túmulo de tia Lucia, mas para procurar Aurélia. Não foi difícil encontra-la. Passeava entre os túmulos, como se o local fosse um parque, não um cemitério.&lt;br /&gt; - Boa tarde.&lt;br /&gt; - Boa tarde, Aurélia.&lt;br /&gt; - Lembra meu nome...&lt;br /&gt;        - Claro. Como poderia esquecer? – sorri. Ela perguntou o meu – Carlos – o que não fizera no dia anterior.&lt;br /&gt;          - Gosto daqui – comentou com ar triste – Acho que já me acostumei&lt;br /&gt;  - Qual a sua idade?&lt;br /&gt;  - Quantos anos você me dá&lt;br /&gt;        - Vamos ver...dezoito?&lt;br /&gt;        - Errou...- disse, após certa hesitação. Eu estava certo que ela tinha dezoito.&lt;br /&gt;        - Vou tentar novamente...dezenove?&lt;br /&gt;       - Errou de novo. Mas desista, não vou dizer minha idade...&lt;br /&gt;       - Está bem, você manda.&lt;br /&gt;       - Vamos passear pelo cemitério? – indagou. Eu já o fizera tantas vezes sozinho naqueles dias tristes...Que bom seria faze-lo com uma mulher linda pela qual eu estava fascinado.&lt;br /&gt;Pelas ruas do local, contemplamos os imponentes mausoléus familiares, vimos os túmulos dos judeus, com inscrições em hebraico...Aurélia me levou também para os túmulos dos três soldados ingleses que morreram no oceano, em 1944, durante a 2º Guerra Mundial e que foram sepultados em solo natalense.&lt;br /&gt; - Todos os anos as famílias e oficiais ingleses vem aqui no cemitério rezar pelas almas deles e limpar os túmulos. Pode observar que são dos mais conservados deste cemitério... – explicou. Fiquei impressionado com seu conhecimento do local. Algo mórbido, sem dúvida, mas todo mundo tinha algo de louco. Das mulheres que eu conhecera até então quantas não tinham hábitos mais estranhos que os de Aurélia?&lt;br /&gt; Por fim, andando por uma rua solitária, entre túmulos mal conservados, paramos subitamente, como se tivéssemos combinado. Olhei-a com atenção, enquanto sentia meu coração disparar.&lt;br /&gt;       - O que foi? - perguntou&lt;br /&gt;       - Você é muito linda... – respondi. Não precisamos de mais nada para nos enlaçarmos em um beijo. Assim ficamos por um bom tempo, sem palavras. Apenas os lábios e os braços em movimento.&lt;br /&gt;  - Está na hora de eu ir... – comentou, vendo que já estava anoitecendo&lt;br /&gt;  - Eu te deixo em casa&lt;br /&gt;  - Negativo. Você vai, e eu fico. Depois vou para casa.&lt;br /&gt;  - Por que isso?&lt;br /&gt;  - Eu quero assim.&lt;br /&gt;  - Mas eu quero te ver.&lt;br /&gt;         - Você vai me ver. Mas, aqui.&lt;br /&gt;         - Por que? Não consigo entender.&lt;br /&gt;         - Não precisa entender, basta concordar. Amanhã á tarde aqui mesmo, está bem, meu amor?&lt;br /&gt;          Como resistir? Concordei com aquela maluquice. Fui para casa meio apaixonado meio aborrecido. Por um lado, estava enfeitiçado por aquela mulher, por aqueles beijos...Por outro pensava se ela não queria me fazer de palhaço. Teria ela se comportado da mesma forma com outros homens? Seria uma tara dela querer se encontrar apenas no cemitério?&lt;br /&gt;De qualquer maneira, no dia seguinte lá estava eu no cemitério. Estava acontecendo um sepultamento, portanto, de início não consegui encontra-la com o fluxo de pessoas. Por fim, na rua colada ao muro da rua Rafael Fernandes, bem próxima ao mausoléu da Liga Operária Norte-riograndense, encontrei a minha Aurélia.&lt;br /&gt; Durante duas horas praticamente só nos beijamos e trocamos palavras de carinho. Mas, eu estava decidido a dar um rumo novo à nossa história.  &lt;br /&gt;        - Vamos ao cinema,&lt;br /&gt;  - Não quero.&lt;br /&gt;        - Para onde você quer ir? Basta dizer que iremos.&lt;br /&gt;  - Quero ficar aqui mesmo&lt;br /&gt;        - Mas Aurélia...&lt;br /&gt;         Ela começou a lacrimar... – Quero que goste de mim do jeito que sou... – murmurou. &lt;br /&gt;        Como não ceder? Ficamos lá, entre os túmulos e fugindo do olhar desconfiado e vigilante do zelador. Ao ir embora –sozinho – pensei em ficar de tocaia na porta do cemitério e segui-la quando saísse, mas fiquem temerosos de ser flagrado e envergonhado de minha baixeza, fui para casa. Passamos a nos encontrar no cemitério. Em duas semanas, foram pelo menos seis encontros. Era estranho, admito, e parece absurdo, mas eu estava feliz, e quando se está feliz, tudo parece normal. Imaginei que ela tivesse vergonha de sua família, com um pai alcoólatra ou coisa parecida. Poderia ser também que fosse muito humilde e não quisesse que eu visse onde morava. Seja como for, decidi que enquanto eu estivesse me sentindo bem com a situação, não forçaria a barra. Um dia ela vai querer ir a um cinema, à praia, e então poderemos viver como um casal normal, pensei.&lt;br /&gt;       Contudo, em uma tarde algo nublada, fui ao cemitério e Aurélia não apareceu no local combinado, em frente ao túmulo de João Câmara. Esperei por uma, duas, três horas, até o cemitério fechar, e nada. Andei a esmo pelas ruas em volta do cemitério, entrei em bares, procurei em paradas de ônibus e nada. Voltei para casa com uma tristeza sólida sobre a minha cabeça.&lt;br /&gt; No dia seguinte, lá estava eu de volta ao cemitério. Andei pelas ruas e nada. Até que, próximo à capela, encostei-me em um tumulo deteriorado e coloquei as mãos nos olhos. Fui despertado deste breve transe por um funcionário do cemitério, um rapaz alto que eu sempre via mas jamais havia trocado duas palavras. – Tudo bem com o senhor? – perguntou.&lt;br /&gt;        - Mais ou menos – respondi.&lt;br /&gt;        - Eu posso ajudar em alguma coisa?&lt;br /&gt;        - Na verdade, não. Estou esperando uma menina...&lt;br /&gt;        - Se é para visitar algum túmulo, eu até posso ajudar a encontra-la. Se for para namorar, como tantos aqui tentam fazer, o zelador não vai gostar nada disso.&lt;br /&gt;        - Bem, eu fico até sem jeito, mas é quase isso... – confessei. Ansioso para contar minha história insólita para alguém, resolvi fazer daquele trabalhador meu cúmplice. Relatei minha história com detalhes, e no fim, olhei-o como se pedindo uma solução.&lt;br /&gt;  - Eu moro aqui na Ary Parreiras desde moleque e conheço quase todo mundo por aqui. Qual é o nome da menina? Se ela morar por essas bandas eu devo conhecer. &lt;br /&gt;         - O nome dela é Aurélia. Aurélia Galvão Barreto, se não me engano.&lt;br /&gt;         - Aurélia Galvão Barreto? – assustou-se - Você está maluco, homem?&lt;br /&gt;         - Por quê?&lt;br /&gt;         - Olhe para o seu lado, homem e deixe fazer brincadeiras para me apavorar - Você está encostado justamente no túmulo de Aurélia Galvão Barreto. Ela morreu em 1932, aos dezoito anos, em um incêndio aqui mesmo no Alecrim...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-4546645652806861132?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/4546645652806861132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=4546645652806861132' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4546645652806861132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4546645652806861132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/01/menina-do-cemitrio.html' title='&lt;strong&gt;A menina do cemitério&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SWNwNsrbGgI/AAAAAAAAAEA/lBG1jmJnKhE/s72-c/cem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8945716679865575348</id><published>2009-01-05T04:03:00.000-08:00</published><updated>2009-01-05T04:29:59.237-08:00</updated><title type='text'>Dolores</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SWH9Prli8SI/AAAAAAAAAD4/PwkFnpDydp0/s1600-h/Nery.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 162px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SWH9Prli8SI/AAAAAAAAAD4/PwkFnpDydp0/s200/Nery.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287785883349741858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamava-se Dolores. Como Dolores Duran, uma das heroínas de minha vida. Mas ela não conhecia Dolores Duran, não sabia nem quem era. Talvez sua mãe também não conhecesse a cantora e tivesse escolhido o nome por gosto, capricho ou influência, sabe-se lá. Mas, nada disso importa. Conheci Dolores em uma noite sem lua e sem estrelas, quase amaldiçoada, em um bar tipo inferninho nas Rocas. Surgiu na minha frente como quem vinha do nada – ou de algum dos quartos fétidos do bar onde as meninas operavam seus programas rápidos – e sorriu como se já me conhecesse havia muito. Também sorri e com um movimento sutil de cabeça convidei-a para sentar à mesa. Ela aceitou e bebeu da minha cerveja. Conversamos sobre a vida em geral e sobre nada em especial e pude perceber o quanto era estranhamente bela e triste. De uma beleza sofrida, claro, pele queimada, não de manhãs de praia, mas de quem veio do sol do interior. Cabelos maltratados, olheiras emoldurando um olhar castanho melancólico. Talvez meus amigos a achassem feia. Mas, aos meus olhos – também sofridos, admito – Dolores me pareceu bela como poucas.&lt;br /&gt;Bastou meia hora para que eu me resolvesse a convidá-la para sair. Paguei sua saída do bar (exigência inegociável da dona do estabelecimento para quem quisesse sair com as meninas da casa) e fomos no meu carro para um motel em Mãe Luíza. Pedi cerveja, um jantar – ela estava morrendo de fome – e depois mergulhamos no mar sem fundo dos amores carnais envolvidos em dor e carência. No fim das contas e dos gozos, percebi que – como muitas vezes acontecia comigo – eu era um náufrago a me agarrar na bóia de amores circunstanciais e comprados. A diferença é que Dolores não parecia apenas estar trabalhando. Era como se ela também fosse uma náufraga.&lt;br /&gt;No dia seguinte paguei o motel e deixei-a no inferninho onde morava. Trocamos números de celular e prometi telefonar e também voltar para outra noite juntos. Horas depois, já no trabalho, dei-me conta que Dolores em espanhol, significava “dores”. Os nomes femininos em língua espanhola muitas vezes evocam sentimentos: Dulce (Doce), Soledade (Saudade), Angustias, Martírio... e lembrei-me de um livro de Jack Kerouac – Tristessa – sobre uma jovem mexicana, igualmente bela e triste. Uma mulher chamada Tristeza..., pensei, com amargura, lembrando que a mulher sem destino e sem futuro que povoava meus pensamentos, ela mesma carregava no nome a antítese na alegria e da felicidade.&lt;br /&gt;Voltei à minha vida normal, seja lá o que isso significasse, e confesso, esqueci-me de Dolores por alguns dias. Passada uma semana, porém, a lembrança dela me veio e me doeu na pele como uma agulha. Corri para as Rocas. Tudo continuava igual, o inferninho decadente, as mesas sujas, os sorrisos falsos das meninas... também Dolores estava lá e continuava igual. O mesmo olhar sofrido, a mesma atenção para comigo... era como se o tempo não se movesse naquele bar. Pedi uma cerveja, depois outra, depois uísque com coca para ambos e por fim acabamos em outro motel, novamente afogando nossas mágoas no corpo um do outro. Desta vez, contudo, consegui saber mais coisas sobre ela... já tinha sido casada duas vezes, tinha dois filhos, um de cada pai, era de Sousa, na Paraíba, mas com família em Pau dos Ferros... gostava de viajar e samba... Tinha estudado, fizera o segundo grau completo, gostava de escrever, chegara a sonhar, em certa altura imprecisa da vida, em ser professora numa cidadezinha do interior... Propus que viajássemos juntos. Para onde?, perguntou. Para lugar nenhum, respondi, na estrada decidimos... Pipa, João Pessoa, Recife, Tibau, Areia Branca... o vento seria nosso mapa. Com um sorriso triste ela concordou. Acordamos que faríamos a viagem no final de semana seguinte, quando eu prepararia tudo e ela inventaria uma desculpa para a dona do bar para não termos que pagar a saída. Vivi uma semana normal, mas algo excitante com a perspectiva da insólita viagem. Nada comuniquei aos amigos nem à família (como fazê-lo?).  Na manhã de sábado, por fim, estacionei o carro em frente ao prédio abandonado nas Rocas onde havíamos combinado. Esperei durante quarenta minutos. Eu já me preparava para telefonar para ela quando aproximou-se do veículo uma mulher que eu conhecia do inferninho. Vinha me trazer um bilhete de Dolores, que fora embora com todos os seus pertences no dia anterior e nada dissera sobre seu destino: “Meu querido, descobri que sou dona das minhas dores e não quero dividi-las com você nem com ninguém. Não nasci para ser feliz. Melhor eu ir embora enquanto é tempo. Beijo. Dolores”. Guardei o bilhete no porta-luvas e peguei a estrada. Para onde? Quem sabia? Que importava?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8945716679865575348?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8945716679865575348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8945716679865575348' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8945716679865575348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8945716679865575348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2009/01/chamava-se-dolores.html' title='&lt;strong&gt;Dolores&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SWH9Prli8SI/AAAAAAAAAD4/PwkFnpDydp0/s72-c/Nery.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-8722591895237544845</id><published>2008-12-23T06:37:00.001-08:00</published><updated>2008-12-23T06:42:30.299-08:00</updated><title type='text'>Em sonhos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SVD4zi1vCuI/AAAAAAAAADs/XPz5Nd2VTIA/s1600-h/03b_29_bacon_300x350.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 171px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SVD4zi1vCuI/AAAAAAAAADs/XPz5Nd2VTIA/s200/03b_29_bacon_300x350.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282995927314795234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;In dreams I walk with you&lt;br /&gt;In dreams I talk to you&lt;br /&gt;(Roy Orbison em In dreams)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molhado de suor, acordou de repente e ouviu aquela música lenta e repetitiva, como um mantra, e pensou que ainda estava sonhando. Percebeu, após alguns segundos, que o som vinha do CD Player, que deixara ligado. Levantou-se a contragosto e desligou o som. Aproveitou que estava de pé e arrastou-se sonambulamente até a cozinha, para beber um copo de água bem gelada. Não resistiu a um gole de Coca-Cola, bebida na garrafa, e retornou ao quarto. Tinha medo de não dormir e ao mesmo tempo, medo de dormir. Dormir significava esquecer... mas também significava sonhar, e nos últimos tempos seus sonhos eram, assim como a música, lentos e repetitivos.&lt;br /&gt;O sonho era basicamente a presença dela, primeiro surgindo do nada, quase dançando, como uma Isadora Duncan etérea e irreal. Depois ela falava alguma coisa... mas ele não conseguia ouvi-la. Sabia que ela falava seu nome, podia ler seus lábios, mas o restante da mensagem lhe era misterioso, como se ela falasse uma língua estranha e há muito morta.&lt;br /&gt;Por fim ela se aproximava dele e lhe beijava, suavemente, como em um balé. Ele desejava segurá-la junto a ele, mas, por alguma razão, não conseguia fazê-lo. Ela inevitável que ela se fosse. Para algum lugar misterioso e obscuro onde sua entrada não era permitida. E então ele acordava, banhado de suor, mesmo com o ar condicionado ligado na potência máxima.&lt;br /&gt;Em outro sonho, quase a mesma coisa acontecia, com a diferença que a entrada dela era antecedida pela presença de um palhaço, se fazendo de mestre de cerimônias. Um palhaço colorido, mas pouco alegre, na verdade, triste em sua maquiagem desbotada e a lágrima pintada que lhe caía do olho esquerdo. Em uma linguagem exótica, como se usando de palavras arcaicas ou com um sotaque estranho, ele anunciava a entrada dela, que vinha, dançarina esvoaçante, lhe beijava e partia.&lt;br /&gt;Havia um terceiro sonho, na qual ela e o palhaço chegavam juntos, e passavam vários minutos rindo descaradamente dele. Em seguida ela contraía o rosto como se arrependida e lentamente se aproximava dele, enquanto o palhaço ia sendo tragado pelas sombras. Ela o beijava suavemente e, com passos de dança, retornava para de onde veio e onde não era permitido a ele sequer avistar.&lt;br /&gt;Aquela noite estava tão desesperada quanto as noites anteriores, como sempre era desde que ela se fora. Mas, resolveu enfrentar seus próprios sonhos. Decidiu que tentaria dormir, ajudado pelos comprimidos de sempre, e, uma vez sonhando, não apenas enfrentaria o palhaço triste como seguiria a amada até o reino das sombras para onde ela mergulhava.&lt;br /&gt;Demorou a dormir. Cantou lentamente diversas músicas, assobiou, olhou pela janela a noite cinzenta que se fazia, ridiculamente contou carneirinhos, até que a soma de fazer tantas coisas e ao mesmo tempo nada fazer o levou ao mundo do sono.&lt;br /&gt;Sonhou, como quase sempre, que o palhaço chegava. Contudo, conscientemente, resolveu nada fazer com ele. Queria esperar a chegada dela. O palhaço cantou alguma magia em alguma língua e por fim ela chegou, cheia de véus transparentes, um girassol nos cabelos, etérea e inalcançável. Fechou os olhos á espera do que aconteceria. Sentiu a respiração quente dela e anteviu o beijo suave que ela lhe daria. Recebeu o beijo como quem recebe uma benção e assistiu à sua lenta partida, em passos de balé. Subitamente, reagindo contra as leis daquele sonho, conseguiu fazer com que as pernas andassem e correu para ela. Percebeu o palhaço, com um olhar assustado caminhar em sua direção. Inútil. Com um movimento rápido, forte e inesperado, golpeou-o com a mão direita fechada e assistiu a sua queda sangrenta no chão. &lt;br /&gt;Ela abriu uma cortina negra, feita de sombras e entrou. Ele, a um passo dela, fez a mesma coisa e entrou em algo que parecia uma caverna negra, um mundo infernal. Não conseguia vê-la, mas sabia que ela estava lá. De repente, ouviu ela falando algo que aos seus ouvidos pareceu uma prece: não me abandone jamais...&lt;br /&gt;Acordou, então, suado, com um grito dele próprio. Demorou alguns segundos para perceber que estava lacrimando e dificilmente foi ao banheiro lavar o rosto. Sentou-se no sofá da sala e chorou copiosamente. Pensou em telefonar para ela, mesmo sendo de madrugada. Pensou em dar cabo da própria vida, como talvez fosse melhor, desde que ela se fora e sua vida mergulhara naquela sequência de sonhos e tristezas.&lt;br /&gt;Pegou o celular e discou o número dela. Tocou cinco vezes até que atenderam. Para seu espanto e sua dor, ouviu do outro lado da linha a voz do palhaço triste a debochar de sua dor...&lt;br /&gt;Molhado de suor, acordou de repente e ouviu aquela música lenta e repetitiva, como um mantra, e pensou que ainda estava sonhando. Percebeu, após alguns segundos, que o som vinha do CD Player, que deixara ligado. Aliás, que a esposa deixara ligado. Olhou para o lado e viu a amada dormindo, respirando pesadamente e com o lençol abraçado ao rosto. Levantou-se e desligou a música. Foi até a cozinha onde viu na mesa os pratos com os restos de atum com ervas que jantaram na noite anterior. Depois fizeram amor como havia muito não faziam e dormiram nos braços um do outro. O estranho era sonhar todas as noites o mesmo sonho: que havia sido abandonado pela amada e que ao dormir sonhava com um palhaço triste e uma dançarina enevoada. Comentara isso com a amada que sorrira: isso é medo de me perder... é normal sentir isso quando se ama, porque eu também tenho medo de te perder...&lt;br /&gt;Ele sorriu para ele mesmo, abriu a geladeira e bebeu um copo de leite gelado. Em seguida aninhou-se ao lado da amada para dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-8722591895237544845?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/8722591895237544845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=8722591895237544845' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8722591895237544845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/8722591895237544845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2008/12/em-sonhos.html' title='&lt;strong&gt;Em sonhos&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SVD4zi1vCuI/AAAAAAAAADs/XPz5Nd2VTIA/s72-c/03b_29_bacon_300x350.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-3378907892184133708</id><published>2008-12-16T05:58:00.000-08:00</published><updated>2008-12-16T06:04:04.098-08:00</updated><title type='text'>Feliz Natal em junho ou dezembro!</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUe1M4wN6jI/AAAAAAAAAB0/f1Q_QGY57Yc/s1600-h/Natividade_Jesus_Cristo-04.bmp"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 189px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUe1M4wN6jI/AAAAAAAAAB0/f1Q_QGY57Yc/s200/Natividade_Jesus_Cristo-04.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280388321112877618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este escrevinhador leu nos blogs que um astrônomo australiano pode ter descoberto que o nascimento de Jesus não teria acontecido em dezembro e sim em junho. E dois anos antes do que se pensava. De acordo com Dave Reneke, a "estrela de Natal" que, segundo a Bíblia, teria guiado os Três Reis Magos até a Manjedoura, em Belém, não apenas teria aparecido no céu seis meses mais cedo.&lt;br /&gt;O astrônomo explica que a conclusão é fruto do mapeamento dos corpos celestes da época em que Jesus nasceu. O rastreamento foi possível a partir de um software que permite rever o posicionamento de estrelas e planetas há milhares de anos.&lt;br /&gt;Baseando-se no Evangelho de Mateus, que descreve a aparição de uma "estrela" como sinal do nascimento de Jesus, Reneke identificou a conjunção dos planetas Vênus e Júpiter, que teriam emitido uma forte luz que poderia ter sido confundida com uma estrela. "Vênus e Júpiter chegaram muito perto no ano 2 a.C refletindo muita luz. Não podemos dizer com certeza que esta era a estrela de Natal descrita na Bíblia, mas até agora esta é a explicação mais plausível que já vi sobre isso", disse Reneke à BBC Brasil.&lt;br /&gt;A notícia não mexeu muito comigo, ateu iconoclasta que sou. Mas, diverti-me sozinho pensando que o cristianismo ocidental pode estar há dois mil anos comemorando o Natal na data errada.&lt;br /&gt;Há muito já desmistifiquei a festa de natal. Não pretendo ultrajar os amigos cristãos que vêem na data o momento de pensar em Cristo e na fraternidade universal. Tampouco quero estragar a ansiedade dos filhos e da amada, à espera dos presentes de natal. Não, nada disso. Respeito a opinião dos amigos e como quase todos, troco presentes na noite natalina e me farto com a ceia de natal. Só não acredito que a data sirva para qualquer tipo de reflexão ou de transformação. Assim como datas cívicas (Dia da Independência, Proclamação da República) não fazem ninguém refletir sobre a nação, mas sim proporcionam um belo churrasco ou ir a praia com a família, que ninguém é de ferro.&lt;br /&gt;Se o astrônomo tiver razão, que celebremos o nascimento de Jesus em junho. Tudo bem que na Europa e nos EUA não é época de inverno e neve, portanto, toda a mística do natal gelado e com trenó do Papai Noel iria por água abaixo.&lt;br /&gt;Em julho ou em dezembro, como sempre foi, o natal é uma bela festa e serve, sim, para congregar a família, rever os amigos e sermos todos um pouquinho mais felizes, como é válido. Só não venham me dizer que a data é para refletir sobre o nascimento do menino Jesus, pobre e sofrido em uma manjedoura. É uma hipocrisia light, feita sob encomenda para nos sentirmos menos culpados. Ninguém pensa no menino Jesus ou nas crianças pobres de Felipe Camarão enquanto se farta com tender e bacalhau e se enche de vinho. Infelizmente. E feliz natal para todos nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-3378907892184133708?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/3378907892184133708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=3378907892184133708' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3378907892184133708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3378907892184133708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2008/12/feliz-natal-em-junho-ou-dezembro.html' title='&lt;strong&gt;Feliz Natal em junho ou dezembro!&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUe1M4wN6jI/AAAAAAAAAB0/f1Q_QGY57Yc/s72-c/Natividade_Jesus_Cristo-04.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-225582872164239256</id><published>2008-12-10T08:04:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T08:14:47.379-08:00</updated><title type='text'>"Ela vestia veludo azul..."</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/ST_qzUJRweI/AAAAAAAAABs/gfxDLgY_tT4/s1600-h/blue+v.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/ST_qzUJRweI/AAAAAAAAABs/gfxDLgY_tT4/s200/blue+v.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278195455603360226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive minha vida mudada por um filme. É certo que livros, músicas, bandas de rock também mudaram minha vida, de uma forma ou de outra, mas neste texto falaremos de cinema. Cinéfilo desde a pré-adolescência, daqueles de adorar a magia da projeção cinematográfica, como o menino Totó de “Cinema Paradiso”, poderia listar uma penca de filmes que me encantaram e me impressionaram. Contudo, foi “Veludo azul” o filme que mudou efetivamente minha forma de ver o cinema, de ver a vida em geral e a minha própria vida. Porém, não se trata do filme da minha vida (que é “Verão de 42”) nem o que mais vezes assisti (“Jesus Cristo Superstar”, que vi 19 vezes contadas, cantadas e catalogadas). Tudo bem que assistir “Hair”, em 1988, foi uma espécie de revelação divina e o filme foi responsável direto por eu deixar crescer os cabelos nos anos dourados da juventude, mas nesta altura “Veludo azul” já tinha feito minha cabeça.&lt;br /&gt;A paixão começou nos idos de 1986, quando, adolescente tímido recém chegado no Rio de Janeiro, passava boa parte do meu tempo assistindo filmes, fosse na TV (nos bons tempos em que a Rede Globo exibia clássicos à noite), vídeo-cassete e cinema. Na tela grande, gostava de filmes bem hollywoodianos, tipo “Passagem para a Índia” e “Amadeus”, sucessos à época. Mas, nas resenhas dos cadernos culturais dos jornais os críticos só falavam de um tal “Veludo Azul”, do americano David Lynch, que era instigante, macabro, melhor filme do ano etc. Bateu a curiosidade de assisti-lo, claro, mas deparei com um problema: a censura do filme - sim ela existia naquele tempo e era razoavelmente rigorosa - era 18 anos. Eu mal contava dezesseis. Preferi não arriscar ser barrado no cinema e convenci papai e ir comigo, me autorizando para o bilheteiro a entrar. Lá fomos nós em uma tarde de sábado na sala 1 do finado (tornou-se uma sede da Igreja Universal...) Cine Lido, na Praia do Flamengo. Entrei na sala como uma pessoa e duas horas depois, saí outra.&lt;br /&gt;Tudo me encantou e me impressionou no filme. Papai pouco se impressionou com o filme e até cochilou uma meia hora - velho hábito dele - na sala de projeção. Para quem desgraçadamente não viu o filme, um resumo: a trama é extremamente simples. Jeffrey (Kyle McLaughan, alter-ego e sósia do diretor) vive uma existência pacata naquelas cidadezinhas insípidas dos Estados Unidos quando de repente encontra uma orelha em um jardim. A partir deste fato corriqueiro, ele trava contato com a bela e misteriosa Dorothy (Isabela Rosselini) e com o perigoso Frank (Dennis Hopper, espetacular!) e se envolve com pessoas e situações que mostram a ele que o mundo não era exatamente cor de rosa como ele pensava.&lt;br /&gt;Em suma, a experiência que Jeffrey viveu na trama, vivi durante a exibição do filme. Ao se acenderem as luzes eu tinha certeza que, como Jeffrey, jamais veria o mundo da mesma forma. Como diz a namorada de Jeffrey (Laura Dern) em uma cena, “este é um estranho mundo”.&lt;br /&gt;E coisas estranhas não faltam no filme: um vilão que respira gás hélio e chora com músicas antigas, um travesti dublando Roy Orbison, perversões sexuais, gente morta em pé, como um abajur... uma série de bizarrices tão comuns que evocam Caetano Veloso: “de perto, ninguém é normal”.&lt;br /&gt;Há a trilha sonora... está gravada no HD da minha mente a cena em que Isabella Rosselini canta o clássico “Blue velvet” aos sussurros, na boate... “she wore blue velvet, bluer than velvet was her eyes…” E Dean Stockwell dublando “In dreams” do mestre Roy Orbison? E o uso da belíssima “Love letters”? Mas nada se compara ao cinismo agridoce da cena final, um pastiche de final feliz com Julee Cruise - cantora fetiche de Lynch - cantando a macabra “Mysteries of Love”. Seria impossível eu sair imune a tal filme. Não saí. Tanto que no dia seguinte comecei a abandonar  - embora não totalmente - os dramas tradicionais de Hollywood e adentrar no terreno pantanoso de Scorcese, Woody Allen, Jim Jarmush, à procura de sensações como a que “Veludo azul” me proporcionou. Daí para mergulhar no universo de Bergman, Almodóvar,Pasolini, Saura e Scola foi um passo. E adeus dramas lacrimosos com Sally Field e Sissy Speacek. E adeus filmes como “Robocop” e “Os Goonies”. Passei a economizar meus trocados para descobrir filmes estranhos nos cineclubes.&lt;br /&gt;Quatro anos depois, David Lynch faria mais um filme que se inscreveria a fogo em minh´alma: “Coração selvagem”, um on the road maluco com Nicholas Cage e Laura Dern, músicas de Elvis Presley, sangue a rodo e uma estética alucinada. Assisti ao longa sozinho, em um cinema vazio e sujo em São Paulo, com a consciência que aquele filme também mudaria minha vida. Mudou, mas aí já seria uma outra história. Lynch continuaria agradando aos devotos com a série “Twin Peaks”, que para quem não se lembra mudou a história da televisão americana e filmes como “A estrada perdida” e “Mullholland drive - Cidade dos Sonhos”. Filmes sem pé nem cabeça e sem lógica, mas, que diabos, quem precisa de lógica na vida ou no cinema? Assistir a um filme de Lynch é uma experiência extra-sensorial. Nem todos gostam, é claro. Mas, quem vai ver um filme de Lynch é bom saber que vai adentrar um universo alucinado, pessoal e surreal. Este ano ele lançou nos EUA e na Europa seu mais novo filme, “Inland Empire”, que dificilmente chegará nestas terras cinematográficas tomadas por Piratas e Aracnídeos e comédias americanas cretinas. Enquanto isso, resta aos lynchmaníacos, espécie de confraria de gente que não bate muito bem da bola (alô, Rosa Williams!) e que sabe que o mundo real não é este que vemos, rever toda a cinematografia do cineasta mais esquisito do mundo. Afinal, she wore blue velvet...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-225582872164239256?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/225582872164239256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=225582872164239256' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/225582872164239256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/225582872164239256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2008/12/ela-vestia-veludo-azul.html' title='&lt;strong&gt;&quot;Ela vestia veludo azul...&quot;&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/ST_qzUJRweI/AAAAAAAAABs/gfxDLgY_tT4/s72-c/blue+v.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-6234424274141951016</id><published>2008-12-05T04:19:00.000-08:00</published><updated>2008-12-05T04:24:15.672-08:00</updated><title type='text'>Deixem o Tom fumar em paz</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/STkdYsXtddI/AAAAAAAAABk/Bs3-E6g3XR0/s1600-h/21_MHG_TomAndJerry.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 128px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/STkdYsXtddI/AAAAAAAAABk/Bs3-E6g3XR0/s200/21_MHG_TomAndJerry.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276280748505920978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Torturar, fatiar, eletrocutar, agredir, esfaquear, esbofetear, trair, enrolar, pode! Fumar não pode. Esta é a conclusão a que este escrevinhador forçosamente chegou ao ler em um site uma informação bizarra: o desenho animado de Tom e Jerry, que fez a minha alegria na infância e a de onze em cada dez crianças de várias gerações, vem sendo duramente criticado na Inglaterra depois que um espectador telefonou para o Ofcom (órgão regulador da programação de TV no país) reclamando que o gato Tom costuma fumar, e isso representava um péssimo exemplo para as crianças. &lt;br /&gt;Efetivamente no episódio "Texas Tom", o gato azarado tenta impressionar uma gatinha enrolando um cigarro, acendendo-o e fumando-o com uma mão. No outro episódio, o "Tennis Chumps", o adversário de Tom fuma um grande charuto. Resultado: em boletim publicado em seu website, a Ofcom apontou preocupações de que fumar na televisão possa influenciar a esse hábito. A empresa que licencia o desenho concordou em editar algumas cenas de fumo de Tom e Jerry. Quem diria, Tom e Jerry censurados e com cenas cortadas em um país democrático e em pleno século 21! &lt;br /&gt;Mas, o curioso é perceber que o mesmo espectador que tanto se ofendeu com o cigarro do felino não se importou com toda a violência do desenho. Sim, pois Tom e Jerry, ao lado do Papa Léguas, é um manual quase didático de como impingir dor e sofrimento a um inimigo. Já assisti a Tom ser retalhado, esquartejado, torrado, agredido com bigornas, ter os dentes quebrados um a um, sempre pelo rato Jerry que o faz com um sádico sorriso e sem nenhum resquício de culpa. O curioso é que eu não lembrava de ter assistido aos episódios que Tom fuma cigarros. Devo ter assistido, mas nem por isso comecei a fumar. &lt;br /&gt;Da mesma forma, também adorava Tom e Jerry nem por isso retalhei ou carbonizei minhas irmãs e meus amigos. Ah, e também ouvi muito heavy metal quando adolescente, em especial Iron Maiden e Metallica, meus preferidos nesta seara. A obra prima do Iron Maiden é "666-the number of the beast" (666 – o número da besta), que evidentemente fala sobre o demônio, ou como queria mestre Guimarães Rosa, o cramulhão, o capiroto, o tinhoso. Bem, o fato é que embora ouvisse a música com razoável freqüência, nem por isso adentrei nos caminhos de adoração do demo. O politicamente correto é positivo porque luta pela cidadania e defende os direitos das minorias, mas tem lá seus exageros. Desenho animado não influencia criança alguma. Nem os mais violentos tipo Papa Léguas, nem os alucinados tipo Pokemon e nem os edificantes e mimosos como Bambi, Cinderela ou Pocahontas. Criança alguma fica boazinha ou adentra os caminhos da maldade com base em desenhos animados. Animação só diverte, mesmo com excessos. Discutir a qualidade dos desenhos é outra coisa. E neste aspecto, convenhamos que Tom e Jerry são dos melhores. Deixem o pobre Tom fumar em paz!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-6234424274141951016?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/6234424274141951016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=6234424274141951016' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6234424274141951016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6234424274141951016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2008/12/deixem-o-tom-fumar-em-paz.html' title='&lt;strong&gt;Deixem o Tom fumar em paz&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/STkdYsXtddI/AAAAAAAAABk/Bs3-E6g3XR0/s72-c/21_MHG_TomAndJerry.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-6995596931169583514</id><published>2008-11-21T10:23:00.001-08:00</published><updated>2009-01-12T04:11:38.771-08:00</updated><title type='text'>À flor da pele</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SWszbWhDnvI/AAAAAAAAAEc/UBeBxkK9lC4/s1600-h/_jenny-saville.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 175px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SWszbWhDnvI/AAAAAAAAAEc/UBeBxkK9lC4/s200/_jenny-saville.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290378732270493426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando menina, mirrada, magrinha, um toco assim de gente, caiu feio na terra empedrada, quando brincava de pique-esconde com os moleques na rua. Foi para casa choramingando, cheia de arranhões e ferimentos pincelados com sangue. A mãe, enternecida, passou mertiolate nos braços e pernas da menina e advertiu-a que ela sentiria dor por alguns dias. Mas, a dor que sentiu era quase uma cócega agradável. Depois, divertiu-se arrancando as cascas das feridas mal cicatrizadas, testemunhando um fio de sangue brotar novamente e também um líquido amarelado.&lt;br /&gt;Caiu outras vezes, brincando, correndo, jogando handebol, arranhou-se, e cada vez que via o sangue jorrar da carne lacerada sentia, além da dor imediata, uma estranha satisfação. Começou a brincar com as feridas como outras meninas brincavam com bonecas. Tornou-se íntima de seu próprio sangue e de sua carne sempre aberta, sempre mutilada. Percebeu que tinha de esconder este estranho comportamento da família.&lt;br /&gt;Mais crescida, encontrou um novo prazer em se depilar com a pinça. A sensação dos fios saindo de sua epiderme lhe proporcionava tal prazer que ela se descobriu enquanto mulher – sensações de gozo e um formigamento no sexo – quando arrancava pêlos das sobrancelhas, braços, pernas e virilha. Não queria o puxão rápido, indolor. Desejava a agulhada dolorida, o arrepio da dor mais lenta.&lt;br /&gt;Na adolescência, tornou-se uma moça estudiosa, quieta e enigmática. Enquanto as amigas investiam em decotes e biquínis, ela escondia o corpo o máximo possível. Ao despir-se, contemplava no corpo as marcas do prazer que arrancava de todas as maneiras: arranhando-se com chaves, lanhando as pernas com canivete, roendo as unhas eternamente em sangue... No dia em que fez dezoito anos, tendo recusado todos os presentes e mimos dos pais, precisou ir ao dentista. Precisando ter um dente obturado, decidiu que queria fazê-lo sem anestesia. O dentista recusou-se e, em casa, ela descobriu novo prazer trincando os dentes com um garfo até ver o sangue escorrer pelas gengivas. &lt;br /&gt;Incentivada pelos pais e pelas amigas, começou a sair mais, para, supostamente, divertir-se. Em uma boate, enquanto as colegas dançavam, ela percebeu um rapaz brincando com a ponta de um cigarro em sua própria mão. Sentiu uma vontade desenfreada de beijar e cheirar aquela mão de carne queimada e não tardou a travar contato com o rapaz. Ele mostrou como fazia aquilo, na verdade uma maneira banal de sentir dor e controlá-la, e ela pediu que ele fizesse tal brincadeira com ela. Não na boate, ele respondeu. Onde você quiser, ela sorriu. Horas depois perdia a virgindade e aliou o prazer sexual com a descoberta da carne queimada pela brasa do cigarro. Começou a fumar. Comprou charutos e percebeu que a brasa do charuto beijando sua coxa lhe proporcionava sensações mais agudas que os beijos do namorado. Terminou o namoro e procurou novas sensações; arranhar-se com facas de pão, arrancar fios de cabelo com os dedos, morder os cantos da boca de forma a destilar sangue... iniciou uma frase extremamente criativa quando a maneiras de se mutilar e descobriu que seu prazer era inconciliável com a vida familiar. Em meio a constantes atritos com os pais, passou a gerenciar uma loja de tatuagens e decidiu morar sozinha.&lt;br /&gt;Trabalhando em meio à carne sendo queimada e colorida, descobriu novos prazeres com agulhas, tintas, ferramentas e brocas, e á noite, conciliava namoros ocasionais que pouco ou nada lhe acrescentavam, e bastante solidão, assistindo a filmes e comendo pipoca, em meio a brincadeiras com lâminas e facas de cozinha.&lt;br /&gt;Em uma manhã cinzenta, não desejava conversar com os colegas de trabalho e deixou-os no restaurante habitual preferindo refugiar-se em um bar estranho, sujo, quase em frente ao trabalho. Lá, almoçando um bife mal passado com arroz e fritas, observou à mesa em frente um homem que tomava uma cerveja e com uma pequena chave de fenda, arrancava a frio as unhas da mão esquerda, em um ritual estranho e, para ela, fascinante. Inventou um pretexto para entrar em contato com ele, e como esperava, foi convidada para sentar-se à mesa.&lt;br /&gt;Olhou-o de perto com a devida atenção. Era bem mais velho que ela, talvez beirando os cinqüenta anos, tinha uma barba mal feita e olhos amarelos, adoentados, mas que guardavam malicia e algo de mal. Tinha ares de pirata e latrocida. Seu mau hálito, ela o sentiu assim que ele perguntou seu nome e disse que ela era linda, como se querendo queimar etapas para seu evidente desejo. Ela teria nojo dele não fosse a visão inebriante das suas unhas em sangue, dos dedos calosos em uma mão marcada e forte, de estivador, de assassino.&lt;br /&gt;Na gangorra entre o asco e a excitação, deixou-se levar para um quarto de hotel decadente onde, encantada, descobriu nele marcas e cicatrizes em todo o corpo. Amou o latrocida de olhos cerrados, sentindo em suas costas os nacos de unhas arrancadas. Pediu que ele puxasse seus cabelos, que a esbofeteasse, que apertasse seu pescoço... sentiu prazer como nunca; descobriu que podia – e devia – aplicar a dor e a mutilação ao amor físico. Perguntou a ele, enquanto se vestiam, não seu nome, informação que não lhe interessava, mas, porque arrancava as unhas até o sangue. Porque gosto, respondeu, com um sorriso maníaco. Sentir dor é bom, concluiu.&lt;br /&gt;À noite, em casa, não conseguiu assistir a filmes, comer pipoca ou conversar com as amigas pelo telefone. Munida de compressas de gelo e mercúrio cromo, lembrou da tarde que tivera, das unhas arrancadas daquele homem pavoroso que a encantara. Olhou no espelho imenso que mantinha na parede junto à cama as muitas cicatrizes em seu corpo nu. Cicatrizes que como palavras, como frases, contavam a história de seu corpo, de sua vida. &lt;br /&gt;Decidiu, no dia seguinte, procurar no mesmo restaurante barato onde almoçara, o homem estranho que se mutilava. Se não o encontrasse, perguntaria, iria atrás de seu paradeiro. Continuava com nojo dele, mas não podia mentir para si mesma; ele lhe dera o que ela desejava.&lt;br /&gt;Afinal de contas, pensou, sorrindo, sentir dor é bom!...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-6995596931169583514?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/6995596931169583514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=6995596931169583514' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6995596931169583514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/6995596931169583514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2008/11/flor-da-pele.html' title='&lt;strong&gt;À flor da pele&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SWszbWhDnvI/AAAAAAAAAEc/UBeBxkK9lC4/s72-c/_jenny-saville.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-281270587793108717</id><published>2008-11-05T07:36:00.000-08:00</published><updated>2008-12-16T11:45:50.073-08:00</updated><title type='text'>A Ilha do Fim do Mundo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUgFZHYWK2I/AAAAAAAAACE/N_ijd7dR3CI/s1600-h/OrkneyIslandScotland30x40.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 152px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUgFZHYWK2I/AAAAAAAAACE/N_ijd7dR3CI/s200/OrkneyIslandScotland30x40.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280476492127939426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou como uma brincadeira. &lt;br /&gt;Abrindo o mapa mundi para planejarmos nossa viagem a Lisboa, imaginamos uma outra viagem, esta, para algum lugar distante, perdido, algo como o fim do mundo. &lt;br /&gt;Entre vinhos e queijos, sonhos e risos, elegemos a Escócia como o nosso fim do mundo particular e ideal. Razões para isso não faltavam: a Escócia ficava próxima a Londres, metrópole que conhecíamos e que serviria como ponto de apoio para a aventura. Também porque queríamos um fim do mundo estruturado, confortável, preferencialmente com clima frio. Também favorecia o fato da Escócia ter algo de mágico... talvez pelos castelos, pelo Lago Ness e seu lendário monstro...&lt;br /&gt;Do sonho, passamos ao mapeamento, à prática: descobrimos ilhas isoladas ao oeste da Escócia, bem distantes de Glasgow e Edinburgh. Nomes como Ilha de Berneray, Ilha de Skye, Castlebay e Benbecula começaram a fazer parte do nosso imaginário. Eu e Clarissa pesquisamos itinerários, pousadas idílicas, preços de passagens aéreas e férreas, cotação da libra. Pela Internet sondamos instalações, preços... logo a viagem algo irreal para a Ilha do Fim do Mundo ganhou mais espaço em nossos corações e mentes do que a viagem real, a ser empreendida para Lisboa. O que poderia frear nosso sonho? Éramos jovens, ambos com a idade de Cristo quando morreu, não tínhamos filhos e estávamos profissional e financeiramente estruturados. Queríamos conquistar o mundo, e certamente riríamos de quem nos dissesse que o mundo não existia apenas para ser conquistado por nós.&lt;br /&gt;Viajamos a Lisboa, como tinha de ser. O que relatar da viagem às terras portuguesas? É certo que conhecemos a linda capital lusitana, que andamos de mãos dadas pela Avenida da Liberdade até desembocar no Tejo, que experimentamos todas as delícias de bacalhau disponíveis nos restaurantes e bares e que fizemos amor na mais linda das pousadas de Coimbra, olhando o sol nascer. Mas, também trocamos ofensas muitas e diversos espinhos verbais.Maculamos o Castelo de São Jorge com uma briga estúpida e que beirou a violência física e encharcamos a bela cidade do Porto com os ciúmes dela e com minha intolerância.&lt;br /&gt;Retornamos ao Brasil decididos não apenas a nunca mais viajar juntos, como a terminarmos nosso relacionamento. Não havíamos sequer desarrumado as malas da viagem com os presentes para amigos e parentes quando me vi obrigado a, com o coração comprimido, a arrumar minhas malas com roupas e coisas básicas. Foram dois dias em um hotel, imaginando o que fazer da vida e procurando um apartamento para alugar. Até que Clarissa me telefonou, propondo um encontro. Marcamos em um restaurante oriental perto da praia, onde costumávamos ir com freqüência.&lt;br /&gt;Quando eu a vi, no restaurante, mais linda do que nunca e com os olhos ainda soltando faíscas, apesar da vermelhidão e do cansaço, pensei em me ajoelhar aos seus pés e implorar para que voltássemos. Não foi necessário. Serenamente, ela propôs que puséssemos uma pedra no passado recente e que retomássemos nosso casamento, mais que isso, nossa história de amor.&lt;br /&gt;Na mesma noite peguei minhas coisas no hotel e rumamos para uma pousada em uma praia num município litorâneo próximo. Jurei para ela, mas, principalmente para mim mesmo, que jamais a deixaria novamente.&lt;br /&gt;Retomamos o casamento, o cotidiano e também os sonhos. Voltamos ao mapa da Escócia. Encontramos mais cidadezinhas com nomes estranhos, próximas da Islândia e do Pólo Norte. Começamos a comprar libras e a economizar dinheiro. Passamos a trabalhar e a fazer planos unicamente em prol da viagem para a Ilha do Fim do Mundo. Clarissa sugeriu que, se nos apaixonássemos pelo lugar, fizéssemos planos de morar lá definitivamente. Talvez comprar uma pousada. E vivermos de amor, cerveja preta, rosbife, livros e músicas. O que mais da vida eu poderia pedir?&lt;br /&gt;Tudo isso que relato aconteceu há alguns anos. Hoje, moro em Ullapool, uma cidadezinha bem ao norte da Escócia, como se saída de um conto de fadas. Trabalho em um pub local, servindo cervejas. Todos são educados e gentis comigo e me chamam de The solitary man, por razões que o apelido, em inglês, explica por si só e que sintetiza minha vida e o que ela será para sempre.&lt;br /&gt;Quanto a Clarissa? Morreu em um acidente de trânsito na avenida principal da cidade. Voltava para casa com uma pizza e duas garrafas de vinho no banco de trás do carro e nossas passagens para Londres e conexão para Glasgow no porta luvas do carro. Era o nosso sonho materializado, porém, destruído pela precipitação de um motorista de caminhão que tentou uma ultrapassagem arriscada e desnecessária. Ele fugiu sem prestar socorro, após o acidente. Espero sinceramente que tenha ido para o inferno e que lá permaneça por várias eternidades. Meu consolo é que Clarissa não sofreu, tendo morrido na hora e, segundo a médica que atendeu, com um estranho sorriso nos lábios. Após a tragédia, queimei uma das passagens aéreas juntamente com os mapas, guias de viagens e informações sobre a Escócia. Em seguida, vendi tudo que tinha e rumei para as terras frias – onde estou até hoje – para conhecer a Ilha do Fim do Mundo, ver seus lagos, seus castelos, suas montanhas, por mim e por Clarissa. Coisa que faço todo dia. Até a hora sagrada em que terei de morrer, aqui nesta Ilha do Fim do Mundo onde encontro Clarissa todos os dias e de onde não sairei jamais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-281270587793108717?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/281270587793108717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=281270587793108717' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/281270587793108717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/281270587793108717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2008/11/ilha-do-fim-do-mundo.html' title='&lt;strong&gt;A Ilha do Fim do Mundo&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUgFZHYWK2I/AAAAAAAAACE/N_ijd7dR3CI/s72-c/OrkneyIslandScotland30x40.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-5200281817330017269</id><published>2008-09-24T06:14:00.000-07:00</published><updated>2008-12-17T05:33:26.691-08:00</updated><title type='text'>Minha vida de cineclubista</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUj_mPPyAEI/AAAAAAAAACc/O2UIA3e3jDE/s1600-h/cinema.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 146px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUj_mPPyAEI/AAAAAAAAACc/O2UIA3e3jDE/s200/cinema.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280751595484741698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Houve um tempo em minha vida em que eu passava mais tempo nos cineclubes e nos bares do que em casa. O curioso era como eles estavam relacionados entre si. Era como se fosse impossível assistir um filme nos cineclubes sem a discussão depois, regada a chopes e tira-gostos. Bem, os bares, por si sós, dariam um texto á parte, longo e cheio de história. Falemos nos cineclubes, por ora. Atrevo-me a dizer que sem eles minha adolescência não teria sido a mesma coisa. &lt;br /&gt;Descobrir o Cineclube Estação Botafogo, em meio às futilidades e idiossincrasias dos jovens cariocas dos anos oitenta, foi uma revelação divina. Lembro do primeiro filme que assisti lá, entre os quinze e dezesseis anos: "Nós, que nos amávamos tanto", de Ettore Scola. Foi um deslumbramento. Tanto o filme em si – lindo como poucos – como a sensação de estar em companhia de quem também amava cinema e o discutia. Assisti a muitos filmes sozinho: "O baile", "Carmem", "Veludo Azul" (este pela terceira ou quarta vez), e muitos outros. &lt;br /&gt;Aos poucos fui ganhando amizades que gostavam de cinema e comecei a ir ao Estação em turma. Recordo de Paulo de Tarso, o Kalunga, Anderson Háber, João Marcelo, Paulo César, Rubinho Jacobina (estes, amigos meus até hoje), Sérgio Rueda, Pluft, Alan Kilder, Carluxo, Gabriela, Mônica, Maira, além das amizades feitas no próprio Cineclube ou na livraria em anexo onde comprei livros raros que me acompanham até hoje, e também cartazes de cinema que decoraram meu quarto por muitos anos. Foi quando começou a fase do Cineclube-Bar. Havia o Bar do Ópera, o bar do Casseta e Planeta, o Amarelinho na Cinelândia, os botecos sem nome, onde bebíamos em pé e era prova de macheza comer ovos cozidos coloridos.&lt;br /&gt;Até hoje tem filmes que identifico com os cineclubes. Como "Os demônios", de Ken Russel, que eu Paulo César assistimos no Estação Botafogo e ao fim, iniciamos uma salva de palmas que durou minutos. Meses depois, um amigo que disse que a hábito que bater palmas após as sessões havia virado moda no cineclube. Houve também "Saló", de Pasolini, o filme mais barra pesada do mundo. Trinta pessoas pagaram ingresso e só vinte chegaram até o final da sessão. Recordo também de "O anjo exterminador", de Buñuel, quando, ao fim, para fazer blague com a trama do filme, eu e Paulo Kalunga fingimos não conseguir sair da sala de exibição do Estação Botafogo. Teve outra vez que assisti a "Tommy" no Centro Cultural Cândido Mendes munido de quatro camparis no cérebro...&lt;br /&gt;Fui morar em São Paulo, e aí começou meu caso de amor com os finados Cinecubes Bijou e Oscarito. Mais solitário do que gostaria, acabei tendo companhia em Bergman, Kurosawa e Antonioni nas noites frias paulistanas. Depois ia para alguma cantina no Anhangabaú ou no Brás (onde morava) beber vinho quente com canela e escrever sobre os filmes assistidos. Mas, a cultura de cineclube não é feita só com medalhões. Havia os filmes desconhecidos, de diretores que ninguém conhecia e vindos de países longínquos. É preciso lembrar que eram tempos pré-Internet e pré-Google. As pesquisas sobre filmes eram feitas na marra, com base nas revistas (ah, a saudosa Cinemim e a resistente Set) e no boca a boca. Um amigo sabia quem era um misterioso diretor polonês, aí indicava para os outros, e assim por diante. Desta forma, assisti a muitos filmes estranhos, como "Repo Men", "Liquid Sky", "Fome de viver". Havia as sessões surpresa. Pagávamos a entrada e sentávamos sem saber qual seria o filme exibido. Isso sem falar das sessões à meia noite.&lt;br /&gt;É necessário falar ainda do Cineclube Natal. Poucas vezes o freqüentei nos idos tempos, mas particularmente lembro-me de uma vez, na qual eu e Paulo César assistimos "Apocalypse Now", quase em frente ao Colégio Maria Auxiliadora, em 1988, sob efeito de, digamos, substâncias estranhas. O drama de guerra já é estranho por si só, então, juntamos Tomé com Bebé, como se diz no interior. Claro que estes dias atuais de DVD, Moviecons e Cinemarks são bons, mas nada supera o charme da cultura cineclubista. Que tenta voltar. Vale a pena registrar o belo trabalho de Nelson Marques e companhia com o cineclube Natal, que exibe bons filmes (já assisti lá, entre outros, "Café da manhã em Plutão" e "9 canções"). O Cineclube Natal exibe filmes no TCP, Nalva Salão Café e Assembléia Legislativa. Maiores informações no blog www.cineclubenatal.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-5200281817330017269?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/5200281817330017269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=5200281817330017269' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/5200281817330017269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/5200281817330017269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2008/09/minha-vida-de-cineclubista.html' title='&lt;strong&gt;Minha vida de cineclubista&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUj_mPPyAEI/AAAAAAAAACc/O2UIA3e3jDE/s72-c/cinema.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-3476850516684893073</id><published>2008-09-16T10:48:00.000-07:00</published><updated>2008-12-17T05:36:49.474-08:00</updated><title type='text'>O navio</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUkAZzF72MI/AAAAAAAAACk/uDBcC7QYe9g/s1600-h/navio_desenho_02.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 156px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUkAZzF72MI/AAAAAAAAACk/uDBcC7QYe9g/s200/navio_desenho_02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280752481280448706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leu o que havia escrito. Não gostou. Ou gostou de forma estranha, um gostar sem realmente apreciar. Na verdade, nunca amava o que escrevia. Ou talvez amasse, mas de forma inusitada, como deve ser o amor. Escrevera daquela vez sobre um navio, que, colhido em alto mar por uma tempestade, começava a afundar no oceano. Nunca estivera em um navio, antes, pelo menos não quem se lembrasse. Teria feito uma analogia? Que seria o navio? Sua vida? O amor que poderia se afogar no oceano do dia a dia? Ou, seriam apenas suas leituras passadas, remotas – Moby Dick, Odisséia – que vinham brincar em sua mente e o induzir a escrever. O navio afundou, pois então. Havia um barco salva vidas, mas apenas um e todos os quinze tripulantes fizeram um pacto para, juntos, morrerem no navio sagrado que construíram e com o qual sonharam em conquistar o mundo, ou pelo menos, um mundo, como o famigerado Cortés.  Era o fim da história, então. Releu o que havia escrito. Sorriu para si mesmo e pensou se queria realmente ter escrito sobre um navio que afundada e um pacto de morte. Acendeu um isqueiro e queimou a folha de papel no cinzeiro...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-3476850516684893073?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/3476850516684893073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=3476850516684893073' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3476850516684893073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/3476850516684893073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2008/09/o-navio.html' title='&lt;strong&gt;O navio&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUkAZzF72MI/AAAAAAAAACk/uDBcC7QYe9g/s72-c/navio_desenho_02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-2093164479614881292</id><published>2008-09-01T06:07:00.000-07:00</published><updated>2009-01-13T06:37:20.673-08:00</updated><title type='text'>Encantamento</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SWynGRO7p-I/AAAAAAAAAFc/2xHANsJRLHk/s1600-h/rodin-kissers-big.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 132px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SWynGRO7p-I/AAAAAAAAAFc/2xHANsJRLHk/s200/rodin-kissers-big.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290787388400576482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sabia que estava encantado por ela. Também conhecia o mundo – e as mulheres, mas afinal elas e o mundo são a mesma coisa – para saber que ela também estava encantada. O bar estava quase deserto, à meia luz, o som ambiente despejava Marisa Monte, ela traja vestido preto, o vinho branco...quase a perfeição, enfim. Bastava que eu não desse um passo em falso. Não dei. Falava sobre poesia, literatura, cinema, um pouquinho de política só para apimentar...opinamos sobre o referendo do desarmamento só para mostrarmos um para o outro que estamos atualizados com o mundo lá fora. Tolice, não havia mundo lá fora. Havia apenas os imensos olhos tristes dela, sempre parecendo à beira das lágrimas. Mas ela não chorava e nem eu a deixaria chorar. Ela apenas sorria com aqueles lábios de quem vai devorar o mundo. Ou a mim. Ela então perguntou se eu gostava do perfume dela...aroma de pitanga...foi quando o encantamento se tornou quase sólido, de tão presente. Sabíamos que um beijo era questão de tempo. E foi. No estacionamento, antes de chegarmos ao carro, enlacei-a e o encantamento continuou... agora amalgamado com o desejo... O fim da noite seria inevitável...mas, a realidade conspirava contra nós. Ela casada, eu idem. Ambos com compromissos nas próximas horas. Marcamos outro encontro discreto e fortuito para dali a uma semana. Estou encantada, suspirou. Eu também, respondi, no mesmo tom de voz ofegante. Quando nos deixamos, não sem custo, eu continuava em estado de encantamento. Mal poderia esperar a semana passar para revê-la... Todavia, a semana passou – afinal, o tempo sempre passa – e chegou o dia do encontro. Ao contrário da semana anterior, trabalhei quase até a hora de vê-a e cheguei no restaurante ainda sob a pressão e certo mau humor do trabalho. Ela demorou a chegar, o que aumentou minha irritação. O restaurante estava mais cheio do que da outra vez, com um barulho aos meus ouvidos insuportável. Pensei em mudar de restaurante quando ela chegou. Estava bonita – sempre o era – mas sem maquiagem e de calça jeans e blazer, parecia mais uma mulher de negócios, como as tantas que eu tinha que lidar todo dia, do que com a mulher sensual por quem eu havia me encantado. Também parecia cansada e de mau humor. Confessou que tivera problemas no emprego, mas decidimos não falar sobre isso. Pedimos vinho, mas, tenso, eu teria preferido uma dose de uísque. Ela reclamou que o vinho não estava suficientemente gelado. Ela tentou conversar sobre um livro que estava lendo, mas não prestei muita atenção... Cogitamos jantar, mas por fim, concluímos que era melhor não fazê-lo. Inventei que tinha um compromisso importante e ela respondeu, aparentemente aliviada, que compreendia. Olhamos-nos com atenção, algum pesar e uma boa dose de tédio, e ambos compreendemos, então: o encanto tinha acabado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-2093164479614881292?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/2093164479614881292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=2093164479614881292' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2093164479614881292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/2093164479614881292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2008/09/encantamento.html' title='&lt;strong&gt;Encantamento&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SWynGRO7p-I/AAAAAAAAAFc/2xHANsJRLHk/s72-c/rodin-kissers-big.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-4090983434193285407</id><published>2008-08-26T10:14:00.000-07:00</published><updated>2008-12-17T06:12:23.132-08:00</updated><title type='text'>Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUkIvK-0NtI/AAAAAAAAAC0/8kiatw7BvWY/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 128px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUkIvK-0NtI/AAAAAAAAAC0/8kiatw7BvWY/s200/untitled.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280761644563314386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou-se no espelho, radiante de felicidade, e disse para si mesmo: “Hoje vou conseguir morrer!” Sentiu-se então mais leve com este pensamento, sem aquele peso nas costas que lhe parecia todo o peso do mundo. Coçou a barba cerrada que sujava seu rosto e pensou em raspá-la. Tolice, raciocinou, não fará diferença posto que hoje vou morrer. Pegou o barbeador manual na pia e suavemente passou pelo braço, passeando a lâmina, na sua pele. Mas não moveu a lâmina no sentido horizontal, o que cortaria suas veias. Não queria morrer sangrando em um banheiro de hotel e tinha dúvidas se a pequena lâmina conseguiria provocar um ferimento que o levasse a uma morte rápida e indolor. Sim, queria morrer, mas não desejava sofrimento. Já tivera seu quinhão de sofrimento na vida e não queria mais uma cota na hora sagrada em que decidira deixá-la. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu do banheiro e atirou-se na cama. Era como se estivesse em casa, como se estivesse em um lugar familiar. Foi quando atinou que não se lembrava do nome do hotel onde estava. Procurou descobrir nos lençóis, nas fronhas, em um possível cardápio em cima do frigobar. Nada. Não se importou mais com isso. Queria apenas pensar em morrer. Pensou em se atirar pela janela, mas o que menos desejava era alarde e espalhafato. Pensava também que tal tipo de morte atrapalharia muitas pessoas, talvez interrompesse o trânsito lá embaixo e não queria que isso acontecesse. Também imaginou com horror que a queda livre, ainda que brutal, talvez não o matasse, e sim apenas o deixasse tetraplégico. Seria pior que a morte. Começou a idealizar outro tipo de suicídio, quando percebeu que não sabia em que andar se encontrava. Na verdade, não recordava de ter entrado no hotel ou de ter preenchido a ficha na recepção. Pensou em abrir a janela para respirar ar puro e calcular onde estava, mas por alguma estranha razão desistiu da idéia. Também desprezou a idéia de telefonar para a recepção ou descer. Por alguma razão, tinha a certeza de que deveria permanecer naquele quarto e levar a cabo a decisão de simplesmente morrer. Foi quando observou, em cima da mesa ao lado da cama, um revólver calibre 38, velho e funcional. Jamais usara uma arma na vida, mas quando pegou o revólver experimentou uma sensação de familiaridade, como se já tivesse vivido aquela cena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acariciou a arma como quem faz carinho em um gato e conferiu se estava carregada. Tinha uma bala apenas, mais que suficiente para sua empreitada. Conferiu o cão da arma, engatilhou a bala e instalou o dedo indicador da mão direita no gatilho. Levou o revólver à têmpora, onde, sempre lera sobre isso, não havia a menor possibilidade escapar vivo uma vez atirando. Olhou em volta na tentativa derradeira de encontrar algo, um objeto, uma cor, um símbolo, que lhe parecesse familiar ou que fizesse lembrar algo. Inútil. Tudo lhe parecia inócuo e distante. Queria morrer e sabia que aquela era a hora. Pressionou o gatilho e ouviu dentro de sua cabeça, como um trovão, o barulho demente do tiro. Morri, pensou, tremendo de felicidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, abriu os olhos. Sentiu o buraco em sua cabeça e a bala presa na parede. No mais, tudo continuava silencioso e deserto. Estava em pé, consciente e sem sentir dor. Aliás, não sentia qualquer sensação. Pegou um canivete do bolso e talhou um corte na mão esquerda. O sangue, ou um líquido parecido com ele, escorreu, mas não sentiu qualquer dor. Sabia que poderia retalhar dedo por dedo da mão que não sentiria rigorosamente nada. Descobriu então, entre o horror e o conformismo: já estava morto havia tempo. Só não havia percebido isso...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-4090983434193285407?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/4090983434193285407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=4090983434193285407' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4090983434193285407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/4090983434193285407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2008/08/bendita-morte-que-o-fim-de-todos-os.html' title='&lt;strong&gt;Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUkIvK-0NtI/AAAAAAAAAC0/8kiatw7BvWY/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-1837412611721448834</id><published>2008-08-20T05:27:00.000-07:00</published><updated>2008-12-17T06:15:03.724-08:00</updated><title type='text'>Coração: jogo de dados</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUkJVBOn-rI/AAAAAAAAAC8/thIuXfJv03I/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 146px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUkJVBOn-rI/AAAAAAAAAC8/thIuXfJv03I/s200/untitled.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280762294780295858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia o coração apertado, como se uma mão forte e impiedosa o esmagasse. Além de oprimido, o coração, acelerava como se na expectativa que algo fosse acontecer. Mas, sabiam ele e seu coração, que nada aconteceria naquele momento. Estava triste e só, como deveria ser. Dúvidas, tinha muitas: se deveria ter feito o que fez, arriscar a felicidade como quem aposta fichas em um jogo de dados... Certezas eram poucas. Entre elas, a de que não deveria escrever poesia, muito menos mostrá-las aos amigos. Divulgá-las, seria um pecado mortal. Apesar do que todos pensavam, não se deve escrever poesia quando se está muito triste. O fundo do poço não é amigo dos bons versos. Também decidiu não desfilar sua dor como quem passeia com uma roupa nova em uma passarela. Sua dor seria confinada ao quadrado sujo de uma solitária mesa de bar ou ao retângulo de uma folha de papel ofício branca, pronta a receber rabiscos, planos, idéias, frases soltas e desconexas... Aos garçons dos bares, aos amigos – falsos, em profusão, e verdadeiros – aos filhos e patentes, apenas sorrisos polidos e levemente melancólicos. Para não enlouquecer, escreveria. Como um louco, como se fosse morrer se não o fizesse.  Escreveria de tudo: contos, crônicas, roteiros de viagens imaginárias, tabelas de campeonatos de futebol igualmente imaginários, desejava apenas ver a tinta azul da caneta correndo sobre o papel... desenharia cubos, rabiscaria plantas de casas, traçaria anjos e demônios... havia quem procurasse  - quando da tristeza – o auxílio dos entorpecentes e outros prazeres fáceis. Preferia se afundar no trabalho e nas palavras, as queria em profusão, em excesso. No fio da navalha onde caminhava, entre a serenidade e o desespero, sabia que a verborragia poderia lhe salvar, ou, na pior das hipóteses, servir como ungüento.&lt;br /&gt;Poderia escrever uma carta de amor. Para ela. Poderia escrever seu nome mil e uma vezes...&lt;br /&gt;Poderia começar a escrever um romance, sobre um amor destinado a correr o mundo e a conquistá-lo, mas que se perdeu na vala fácil dos ciúmes e do cotidiano.&lt;br /&gt;E foi isso que fez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6634323603787522115-1837412611721448834?l=cefascarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/feeds/1837412611721448834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6634323603787522115&amp;postID=1837412611721448834' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1837412611721448834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6634323603787522115/posts/default/1837412611721448834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cefascarvalho.blogspot.com/2008/08/corao-jogo-de-dados.html' title='&lt;strong&gt;Coração: jogo de dados&lt;/strong&gt;'/><author><name>Cefas Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05720939905687177694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_eMBgPF5IgI0/SEa_X7synbI/AAAAAAAAAAM/IfuaeEzB9oM/S220/Charge+papangu.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUkJVBOn-rI/AAAAAAAAAC8/thIuXfJv03I/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6634323603787522115.post-4142071807007492442</id><published>2008-08-14T12:48:00.000-07:00</published><updated>2008-12-17T06:24:29.540-08:00</updated><title type='text'>Lana</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUkLd5HCGsI/AAAAAAAAADE/d-qO-Gxv-2c/s1600-h/1175904596BrokenWhite_web.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 174px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_eMBgPF5IgI0/SUkLd5HCGsI/AAAAAAAAADE/d-qO-Gxv-2c/s200/1175904596BrokenWhite_web.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280764646243048130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cefas Carvalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamava-se Lana, como na canção de Roy Orbison. Ela era bela e triste, como todas as canções do Roy. Conheci-a em um bar, lugar sagrado onde geralmente conhecemos as pessoas importantes que marcam a nossa vida. É tolice tentar descrevê-la. Bem sei que não tinha uma beleza convencional, tampouco era dona de imensos olhos azuis, como nos clichês românticos. Era bela e normal. Estava sozinha na mesa, iluminando o local com seus olhos melancólicos e oblíquos, como diria Machado de Assis de sua Capitu. Ganhei coragem para abordá-la e me convidei para sentar à sua mesa. Ela concordou, disse como se chamava – Lana... – e conversamos sobre tudo e sobre nada... Compartilhamos nossas tristezas, rimos das nossas parcas alegrias nesta vida, descobrimos que ambos estávamos sozinhos e à deriva, tanto naquela noite como na própria vida, e por fim convidei-a para passar a noite no meu apartamento. Compramos uma garrafa de vinho tinto barato, pegamos um táxi e nos trancamos em nosso pequeno universo. Foi uma noite inesquecível, com Lana em meus braços...daquelas noites que não deveriam terminar nunca. Terminados os jogos amorosos, cogitei pedir seu número de telefone e perguntar onde ela morava, e talvez jurar aos seus pés que queria vê-la mais mil vezes, mas considerei que quando acordássemos, pela manhã, eu faria tudo isso e muito mais. Dormi o sono dos justos e dos exaustos de tanto amar. Acordei com uma leve ressaca por volta das onze e quando dei por mim, percebi que Lana não estava mais no quarto. Não estava mais no apartamento, havia ido embora. Dando uma geral pela casa, percebi que tudo estava em ordem, ela não levara nada, mas também não deixara nada. Talvez só ainda mais tristeza dentro de mim. Recordei, m
